Antes fosse somente pelas telas da sétima arte, mas não, de fato, a vida imita a arte, como disse o escritor e poeta britânico Oscar Wilde.
O pior é quando a imitação se revela tão grotesca, que até mesmo os atores preferem sair logo no primeiro ato, temendo as vaias de um público que paga caríssimo por atuações questionáveis já faz algum tempo.
E se fosse a imitação de um filme qualquer, nada disso, a inspiração no filme OS INTOCÁVEIS (1987) rendeu, inclusive, o Oscar de melhor ator coadjuvante ao talento impecável de Sean Connery, num drama policial inspirado em fatos reais no combate ao crime na década de 1930, época em que vigorava a Lei Seca nos Estados Unidos, tendo por protagonista, do lado da lei, o agente federal Eliot Ness e, do outro lado, ninguém menos que o poderoso gângster Al Capone.
Saindo da tela do cinema e indo para o plenário da Câmera dos Deputados, a PEC da Blindagem quase protagonizou OS INTOCÁVEIS… porém, ao inverso.
Enquanto OS INTOCÁVEIS, pequeno grupo de policiais, receberam tal adjetivo pelo mérito de suas ações no combate ao crime, em especial por serem considerados incorruptíveis, o Legislativo Federal tentou emplacar uma autoblindagem contra os crimes que possam vir a praticar e, para tanto, serem investigados e condenados pela Justiça. Tal estratégia deu-se, especialmente, por meio da criação de barreiras quase que instransponíveis nos casos de acusação de corrupção e abuso de poder.
De uma forma simples e sem o linguajar ‘juridiquês’, se for dado seguimento e aprovada tal PEC da blindagem, a famosa frase dos policiais em filmes americanos passaria a ter uma versão “a la Planalto”: “Eu tenho o direito de permanecer intocável. Tudo o que disserem sobre mim ficará trancado nesta Casa e jamais irá para o Tribunal”.
Há quem diga, agora em ‘juridiquês’, que as inovações interpretativas dos julgamentos do STF, criticadas por muitos – que o diga o Tio Sam –, inclusive renomados juristas, como cerceadoras especialmente em relação à liberdade de expressão e restritivas às prerrogativas do Legislativo Federal, quanto à inviolabilidade de suas palavras e opiniões, foram e estão sendo o fator determinante para manter viva, embora em fogo baixo, a PEC da Blindagem.
De qualquer forma, excessos pagos ou cobrados com excessos de qualquer poder estatal refletem a desarmonia entre ambos, deixando um odor forte e malcheiroso da politicagem.
E assim seguimos nós, os brasileiros TOCÁVEIS, desprovidos do tratamento excelência, pobres mortais das planícies, vales e montanhas, cada vez mais distantes aos olhos do elevado Planalto e do tão combalido e surrado princípio constitucional da igualdade: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
Enfim, quando a toga e/ou a gravata não se revestem do espírito da lei, quando a defesa “da pedra pela pedra” é maior do que está escrito nela – cláusulas pétreas – é de se esperar que mudem os ventos, pois assim pulsa a quase árida veia poética de quem vos escreve: O EGO É AREIA GASTA E FINA, “CONSTRÓI” O QUE SE IMAGINA, MAS, SEM A LIGA DO BOM CARÁTER, QUANDO SOPRAR A VERDADE NO SEU TEMPO, HÁ DE RESTAR A ELES, A JUSTIÇA E A RUÍNA!
Vamos em frente!