A crônica de hoje podia ter vários títulos. Podia se chamar “Ainda dá tempo”, porque sempre dá. Afinal, o que é tarde para alguém que pode viver até os 90 anos?
Ou então poderia levar o nome “Crônica Para Quem Está Prestes a Desistir”, porque a verdade é que todos pensamos em desistir o tempo todo. A mente sabota, a rotina cansa e cada um carrega suas batalhas: umas silenciosas, outras barulhentas. E ainda teria outro título possível: “Boa Notícia: Ainda Não É Tarde Demais”. Porque não é mesmo. Nunca é. Só que a gente insiste em viver no piloto automático, correndo atrás de tudo. Cheios de pressão, estresse, ansiedade e correria, alegamos falta de tempo para as verdadeiras prioridades (Deus, saúde, família), tentando orgulhar o pai, a mãe, a esposa, o marido, os filhos. Mas, no fim das contas, a gente esquece o essencial: quem realmente precisa se orgulhar de você é o seu “eu” de 8 anos e o seu “eu” de 80. Esses dois são exigentes: o de 8 quer aventura, coragem, brilho no olho; o de 80 quer paz, saúde e boas histórias para contar.
Acha tarde para começar alguma coisa? Pois saiba que alguns dos maiores nomes da história deslancharam quase “tarde demais”.
John Pemberton criou a Coca-Cola aos 55 anos.
Samuel Morse inventou o telégrafo aos 53.
O fundador do KFC só começou a vender frango aos 40 e virou império aos 62.
Ray Kroc transformou o McDonald’s em rede aos 52.
O fundador da Nestlé começou sua farinha láctea aos 52. Enquanto isso, temos jovens de 20 anos dizendo que “a vida não deu certo” porque não chegaram aos dez mil reais por mês. Vemos gente desistindo do esporte porque o início é quase um fracasso pra todos. Vemos a galera abandonando o inglês, a faculdade, porque leva muito tempo! Nada vem fácil. Sem esforço, não há ganhos. As exceções que brilham cedo são isso mesmo: exceções. A regra universal é simples e antiga: caiu, levante. Perdeu, melhore. Levou porta na cara, bata de novo e aprenda a começar de novo. Olhe para os atletas. Esses dão aula de resiliência. Michael Jordan ficou fora do time da escola e isso virou combustível para se tornar uma lenda.
Cristiano Ronaldo provou que dedicação vence talento: treina tanto que, ao lado dele, qualquer um parece sedentário. Gabriel Araújo, que nasceu com uma condição que comprometeu braços e pernas, aprendeu a nadar usando apenas cabeça e tronco e se tornou o primeiro brasileiro medalhista nos Jogos Paralímpicos.
Marta cresceu na pobreza, foi abandonada pelo pai e, ainda assim, foi eleita seis vezes a melhor do mundo.
Usain Bolt treinou quatro anos para correr por nove segundos. E nos ensinou que o sucesso chega sempre depois do trabalho, nunca antes. E não são só atletas. Dr. Drauzio Varella, ex-fumante, começou a correr aos 50 anos e hoje, com 82, já completou 25 maratonas. Michael Phelps, maior nadador da história, venceu limitações impostas pelo TDAH e transformou foco e disciplina em 28 medalhas olímpicas. Então, me diga: qual é mesmo a sua desculpa? O ano novo está batendo à porta de novo. E, como de costume, esta é a hora perfeita pra pensar nas próximas três ou cinco metas que você quer alcançar e, por favor, não deixe para começar “na segunda-feira” ou só no dia 2 de janeiro. O futuro se constrói hoje.
Você pode sonhar grande. E, com ação, realizar. Se você já pensou em dar orgulho para seus pais ou ganhar uns likes no Instagram, imagine o que aconteceria com o seu “eu” de 8 anos e o seu “eu” de 80: um lhe aplaudiria vibrando e o outro lhe agradeceria por você estar cuidando da saúde, da vida, da história que ainda está sendo escrita.
Porque é quase impossível frear alguém que nasceu para vencer. E se alguém tentar, faça como o Bolt: corra mais rápido.