O Dia do Dentista, celebrado hoje, 25 de outubro, transcende a simples homenagem a uma profissão e se estabelece como um momento de reflexão sobre a essencialidade do cuidado bucal e seus profundos impactos na saúde integral do indivíduo
A Dra. Cassia Federizzi, cirurgiã-dentista com foco em salvar dentes, destaca a importância de engrandecer os profissionais que se dedicam a um olhar que transcende a cavidade oral, priorizando a ética e a compreensão dos fatores de saúde envolvidos no cuidado com a boca.
Cassia enfatiza que a profissão, hoje, é impulsionada por avanços que elevam o padrão do tratamento e os resultados para as pessoas. “A odontologia hoje é munida de muitos avanços tecnológicos, os quais proporcionam aos pacientes, além de maior conforto no tratamento, maior precisão nos resultados”, pontua. Ela observa que a tecnologia digital está presente em todas as especialidades clínicas e laboratoriais, resultando em maior agilidade e aprimoramento estético dos trabalhos realizados.
A discussão sobre a estética, tão em voga, é colocada em sua devida perspectiva pela especialista. Segundo ela, a beleza do sorriso deve ser uma consequência de um trabalho bem executado, e não o objetivo primário. “Precisamos entender que a função vem primeiro, ou seja, pensemos antes na reabilitação como um todo. A estética só funciona quando tudo estiver alinhado para que aquilo perdure”, explica.
No cerne da manutenção da saúde bucal, a prevenção continua sendo o pilar fundamental. A especialista reitera que o conhecimento sobre a evitação de problemas dentários é vasto e acessível. “O acompanhamento bem executado por um cirurgião-dentista de confiança, ao meu entender, é o principal pilar para uma saúde bucal plena”, ressalta.
Cuidado que começa na boca

Apesar da evolução na implantodontia, que se apresenta como uma solução eficiente para a reabilitação, Cassia concentra sua atuação na preservação dos elementos naturais. “As minhas especialidades se referem a salvar dentes! Mesmo com a evolução da implantodontia que é tão grandiosa e veio só para somar e reabilitar de uma forma tão eficiente, é importante um diagnóstico lúcido sobre a melhor conduta em cada caso e em cada paciente”, afirma.
A saúde da boca, no entanto, enfrenta desafios contemporâneos que extrapolam a má higiene tradicional. Cassia alerta que a atenção à nutrição e a consciência sobre hábitos emergentes são cruciais. Ela cita o uso crescente de cigarros eletrônicos e o consumo exagerado de energéticos como exemplos de problemas atuais que causam repercussões dentárias, como lesões não cariosas e desgastes excessivos do esmalte. Outro ponto de preocupação é o uso indiscriminado de produtos sem indicação profissional. “Outro problema atual é o uso de cremes dentais que prometem clarear, solucionar problemas gengivais. Tudo isso sem um acompanhamento e sem indicação correta acarretam sérios riscos às estruturas do dente”, adverte.
A relação entre a saúde bucal e a saúde sistêmica tem sido cada vez mais estudada e comprovada. Cassia destaca uma das mais sérias consequências da negligência com a boca: a endocardite bacteriana. Ela explica que a doença é causada por bactérias originárias de uma infecção dentária. “Se não tratada, essas bactérias entram na corrente sanguínea e se instalam no coração, levando a uma infecção que desencadeia uma insuficiência cardíaca que pode levar à morte”, detalha, sublinhando a gravidade da falta de cuidado.
Consultas

A frequência do acompanhamento profissional varia conforme o perfil do paciente. Para indivíduos com saúde sem maior risco, a revisão deve ser feita, no mínimo, a cada seis meses, tempo médio considerado para a detecção precoce de problemas. Pacientes com condições crônicas, como periodontite, diabetes, ou em estado de gestação, necessitam de um acompanhamento mais rigoroso, em média a cada quatro meses.
A busca por um sorriso esteticamente agradável e mais branco esbarra em hábitos cotidianos. Cassia esclarece que os maiores agentes causadores de manchas e pigmentos no esmalte dentário são alimentos e bebidas ricos em taninos, como o café, o chá-verde e o vinho tinto. Os pigmentos presentes nessas substâncias se fixam na superfície do dente, e nas fissuras, causando o escurecimento, um efeito que é cumulativo.Para a manutenção tanto da saúde bucal quanto para o prolongamento de resultados de clareamento, a hidratação é vital. “A boa salivação é aliada para a manutenção tanto da saúde da boca quanto para o prolongamento do controle de um clareamento. Por isso a ingestão de água é essencial”, indica Cassia. A especialista finaliza com um conjunto de orientações essenciais: evitar a combinação de alimentos e bebidas ácidas com as pigmentosas, utilizar um creme dental de controle apropriado e indicado pelo dentista para o caso específico, e manter o acompanhamento de revisão e avaliação a cada seis meses.