Hoje quero trazer a você uma análise mais ampla sobre o tarifaço do Trump. Quero avaliar de uma perspectiva econômica e geopolítica através dos tempos para concluir sobre as reais questões que vejo nesse contexto.

Inicialmente, quero colocar que, desde 1947, há quase 80 anos portanto, se estabeleceram políticas internacionais que definiram tarifas entre países e produtos no comércio internacional (GATT, OMC). Todos os países tentam competir usando VANTAGENS COMPARATIVAS. Essa análise apresenta os países que, comparativamente a outro, são mais competitivos ( custo menor ) para produzir certos bens, podendo se especializar e produzir esses bens a custos menores.

Sempre os países brigaram por tarifas. O protecionismo de alguns países explica que, para proteger setores nacionais, os países impõem tarifas maiores a produtos de interesse nacional para que sejam produzidos internamente. Todos os países taxam os produtos importados e Acordos Bilaterais ou blocos podem ajustar as tarifas entre países (Mercosul, Nafta, etc).

O Brasil é um dos países mais protecionistas do mundo. Nossas alíquotas médias para importação ficam na casa dos 11%. Os Estados Unidos tinham as alíquotas menores, em torno de 2%.

Como a América é o maior país do mundo em termos econômicos, eles importam muito, gerando déficits, e chegou um presidente que disse: CHEGA. Se vocês querem crescer às custas do consumo americano vendendo seus produtos para cá e protegem suas economias para que produtos americanos tenham dificuldade de entrar no país de vocês, a partir de agora isso vai acabar. Vou tarifar os produtos de vocês para não prejudicar nossa economia. Quero gerar emprego aqui e, se não querem tarifas, venham produzir aqui, no nosso país. Isso é o que TRUMP fez.

Fez isso ao mundo todo, não somente ao Brasil.

E já faz isso desde Fevereiro/25 quando Trump assumiu e vem dizendo isso desde ano passado quando ganhou as eleições.

O governo brasileiro ficou do lado contrário nas eleições americanas ano passado, o da Kamala Harris. O governo brasileiro, no BRICS, aliou-se à China, à Rússia, ao Iran e outros países não democráticos. O Brasil não fez nada até ser taxado para proteger as empresas brasileiras. O governo atual não se mexeu desde o ano passado quando todos já sabiam que isso iria acontecer. Não falo em política, estou falando de economia.

Governos não exportam nada. Não importam nada. O governo é o povo. Quem exporta e importa são as empresas. Se há alguém que se fera nessa história toda, são as empresas que exportam para os EUA e, com isso, o emprego que pode ser perdido pois, se essa taxa continuar, não vão mais conseguir exportar para lá e não conseguirão colocar em outros países no curto prazo.

Nosso país deveria ter iniciado muito antes as negociações com o governo Trump como o mundo inteiro fez, inclusive a China. Não o fez por questões ideológicas e hoje nos encontramos no purgatório com as mais altas tarifas do mundo (junto com a Índia). Independente de questões políticas, o governo deveria ter já definido as estratégias do Brasil, como muitos outros países do mundo fizeram, muito antes. Parece, para alguns, que o quanto pior, melhor.

O Brasil, por questões ideológicas entendo eu, não optou pela ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) que uniria toda América do Norte, Central e do Sul na década de 1990. Se a opção do Brasil for realmente se aliar à China, Rússia, Iran e países não democráticos, temo por nosso futuro econômico e geopolítico.

Enquanto o Brasil coloca a política na frente da economia (já vi esse filme), no mundo real econômico, as empresas e o povo se ferram. Espero que isso mude.

Pense nisso e sucesso.

Adelgides Stefenon é economista, mestre em marketing, consultor nacional e internacional, professor universitário por 25 anos e proprietário da Prestige Imóveis Especiais.