Neste Dia dos Pais, o abraço que não se dá pesa mais do que qualquer palavra. Para alguns, ele está longe; para outros, já partiu; para tantos, felizmente, ainda está por perto. Mas, em todos os casos, o pai vive nas memórias, nos gestos e nas marcas deixadas no coração.
Há pais que não precisaram de grandes discursos. Foram presença — inteira, forte, constante. Raiz. Chão. Homens que ensinaram muito mais pelo exemplo do que pelas palavras. Que mostraram o valor da simplicidade, a importância da honestidade e a beleza de pequenas alegrias: um chimarrão cedo, um churrasco de domingo, uma conversa tranquila na beira da estrada ou um passeio sem destino.
Foi ao lado deles que aprendemos a sentir segurança, a ter coragem, a enfrentar medos. Que descobrimos a liberdade de andar de bicicleta sem rodinhas, o desafio de dirigir pela primeira vez, a alegria de jogar futebol ou de simplesmente dividir o mesmo silêncio. Pais que nos ensinaram a amar, a cuidar, a respeitar, a ser gente de valor — não pelo que se tem, mas pelo que se é.
Alguns foram grandes construtores de memórias. Bastava um olhar para transformar um momento simples em aprendizado. Eles nos ensinaram a rir das próprias falhas, a levantar depois de cada queda, a não desistir no primeiro tropeço. Mostraram que a vida é feita de esforço, mas também de celebração; que é preciso trabalhar duro, mas nunca esquecer de brincar.
Outros carregavam no bolso histórias, piadas e conselhos. Alguns tinham o dom do silêncio, que dizia mais do que qualquer frase pronta. Eram capazes de mostrar amor na forma de um reparo na bicicleta, na lenha cortada para o inverno, no prato servido primeiro aos filhos, no cuidado de deixar tudo pronto para que a família se sentisse segura.
Alguns construíram histórias em lugares simples: um sítio, uma casa de família, um banco de praça. Lugares que, até hoje, guardam o cheiro, o som e a energia de quem os fez com as próprias mãos. E, mesmo ausentes, continuam a falar. Continuam a ensinar. Continuam a inspirar.
Porque a ausência de um pai verdadeiro não é apenas um vazio. É uma presença transformada. É um silêncio que ainda ensina, que ainda guia, que ainda acalenta. É um amor que não acaba — apenas muda de forma. E é por isso que, mesmo quando não podemos mais ouvir a voz ou sentir o abraço, ainda sentimos a companhia.
Neste Dia dos Pais, celebramos todos eles: os que estão ao nosso lado, os que partiram e os que, de alguma forma, permanecem em nós. Que possamos abraçar, ouvir e valorizar aqueles que temos por perto. E, se já não os temos fisicamente, que possamos carregar com orgulho o legado que nos deixaram.
A paternidade é um terreno eterno — e os frutos dela permanecem para sempre. Que cada gesto nosso, cada escolha e cada valor vivido seja também um reflexo do que aprendemos com eles.
Feliz Dia dos Pais.