O Natal é, inegavelmente, uma das épocas mais aguardadas e celebradas em todo o mundo. Mais do que luzes cintilantes e canções festivas, o verdadeiro significado desta data reside na tradição e nos símbolos que evocam a sua origem. Dentre eles, nenhum é mais poderoso ou universalmente reconhecido do que o presépio.
Representando o nascimento de Jesus Cristo em Belém, a humilde cena da manjedoura transcende a simples decoração. É uma narrativa visual de fé, esperança e renovação, que anualmente convida milhões de pessoas à reflexão sobre os valores centrais da celebração.
Significado na Igreja Católica
O presépio é a representação mais central e significativa do Natal, conforme destaca o padre Volmir Comparin, da Paróquia Santo Antônio de Bento Gonçalves. Ele afirma que a montagem da cena do nascimento de Jesus cumpre o papel de “fazer memória” e reforça a crença de que a vontade de Deus se manifesta cotidianamente na vida das pessoas. “Fazer memória significa que nós não estamos isolados, mas a vontade de Deus é fazer-se presente cotidianamente. Aproveitamos o fim de ano para lembrar, com a data de 25 de dezembro, este nascimento de Jesus”, explica.
O padre enfatiza que o Natal é celebrado em função de Jesus, que é a “figura central” de todos os festejos. Segundo ele, o cunho da celebração é transmitir a mensagem de que Deus não se esqueceu da humanidade. “Ele estará presente até o fim dos tempos. Por isso, nós entendemos a centralidade de Jesus Cristo na vida cristã”, salienta.
Hábito
A tradição de montar o presépio remonta a São Francisco de Assis. O padre explica que a iniciativa do santo nasceu de seu desejo de reviver a simplicidade e a pobreza do nascimento de Cristo. “São Francisco de Assis disse como a vida é simples, como ele escolheu viver pobre. Ele escutou nos evangelhos sobre a gruta onde Jesus nasceu. Só algumas roupas e nada mais”, relata o sacerdote.
Ao tomar conhecimento da gruta, Francisco buscou representar a cena em que Jesus foi depositado no presépio, o local onde os animais se alimentavam. A finalidade dessa representação é clara: “Nos recorda o início simples do cristianismo e o desejo de Jesus de vir até o desconhecido da humanidade, mas Ele veio para ser uma presença de Redentor”, afirma.
Além de sua origem histórica, a montagem segue uma orientação litúrgica específica, que o padre aconselha a respeitar para que o símbolo não perca seu significado. O período correto para iniciar a montagem é logo após a solenidade de Cristo Rei, coincidindo com o início do Tempo do Advento. “Advento, que é preparação, é uma espera para o Natal. O presépio não deve ser montado meses antes, porque ele acaba perdendo o significado que é o dia de Natal”, esclarece.
O sacerdote ressalta a importância de montar gradualmente, destacando um detalhe simbólico crucial: o Menino Jesus não deve ser colocado na manjedoura antes do tempo. “Ele não está presente no início. Devemos colocá-lo no dia de Natal para ir compreendendo também as personagens que vão compondo o presépio”, destaca.
Significado de cada figura
O padre explica que cada elemento presente tem sua representação. Ele reitera que o centro de tudo é Jesus Cristo Salvador, que representa a encarnação da Palavra de Deus entre a humanidade.
A segunda figura mais importante é Nossa Senhora, a Virgem Maria. “Foi ela que deu o seu sim ao anjo e por isso é a figura pela qual veio ao mundo, recebeu um corpo de carne e com sangue o próprio Filho de Deus”, explica o sacerdote. Ao lado dela está São José, que, ao receber Maria prometida em casamento, completa a Sagrada Família. “É a família onde o Menino Jesus depois vai crescer. Vai aprender também a profissão de José. São as figuras principais”, explica.
Os pastores simbolizam os primeiros a receberem a revelação do nascimento, representando a humildade e a prontidão em acolher a Boa Nova. Já os Reis Magos indicam que Jesus é Deus para “toda a humanidade e não só para um grupo”, demonstrando o desejo de Deus de reunir todos os povos em torno do Salvador. “Os animais foram colocados ali, porque era um estábulo, com ovelhas. Alguns colocam também camelos ou bois. Os animais estavam presentes nas comunidades ao longo da história”, conta.
Pinheiro de Natal
A presença do pinheiro e dos enfeites natalinos na preparação espiritual para a celebração é interpretada pela Igreja como um conjunto de símbolos que remetem à vida, resistência e alegria, com o foco sempre em Jesus. “Uma das árvores que não deixa cair suas folhas é o pinheiro. Significa, então, aquele que resiste ao tempo. Nós também queremos com Cristo resistir às provações do inverno, das dificuldades”, afirma o sacerdote.
Sendo uma árvore alta, o pinheiro também cumpre uma função simbólica de orientação e alusão à grandeza de Deus: “Hoje, com as lâmpadas, é algo que chama a atenção. O Menino é pequeno, mas a árvore é grande e pode apontar onde está esse Menino Jesus”, explica.
Sobre os enfeites natalinos em geral, o padre ressalta que eles servem para indicar que o Natal é um tempo de festa. No entanto, é fundamental que a decoração não ofusque a mensagem central. “Nós queremos sim que os enfeites ajudem a apontar que a pessoa principal é o Menino Jesus,” menciona.
Conexão
O padre explica que a simplicidade na montagem do presépio e da Árvore de Natal é fundamental para que as famílias possam se conectar com o verdadeiro sentido da celebração. “O presépio deve nos ajudar a reencontrar que nós também nascemos de uma família, que nós devemos nos valorizar, que o caminho simples pode ser o caminho que mais nos humaniza”, ressalta o sacerdote.
Para ele, toda a simbologia do Natal tem um propósito de catequese visual, que deve ser contado e transmitido às novas gerações. “É algo que vem em favor dos nossos olhos, o nosso jeito de crer e, sem dúvida, também temos que contar. Isso é para nossas crianças e depois nossos adolescentes e jovens, que podem ler e podem também experimentar”, comenta.
Ele fala que existem símbolos que podem ser incorporados no pinheiro, como o anjo e a estrela. “O anjo é importante porque foi aquele que disse aos pastores, ‘Glória a Deus nos altos céus, paz na terra aos homens por ele amados. Eu tenho uma bela notícia para vos dar. Nasceu hoje na cidade de Davi, o Salvador’. E a estrela, que seria que os Magos teriam visto. Eles fazem uma longa caminhada para encontrar a Sagrada Família. A estrela tem esse significado, apontando onde está o Menino Jesus”, conclui.