Presidente Daniel Panizzi detalha prioridades da gestão, desafios estruturais de Bento Gonçalves e o papel da entidade na construção de soluções coletivas
Eleito em Assembleia realizada em 17 de novembro de 2025, Daniel Panizzi está oficialmente à frente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) desde 1º de janeiro de 2026. A solenidade de posse ocorreu em dezembro do ano passado e marcou o início de uma gestão que se estende até 2027. Embora a transição de comando já tenha sido noticiada, o novo ciclo da entidade amplia o debate sobre o papel do CIC-BG diante dos desafios econômicos, sociais e estruturais enfrentados pelo município.
Fundado em 1914, o CIC-BG chega aos seus mais de cem anos de história consolidado como uma das principais entidades empresariais do Rio Grande do Sul. Ao assumir a presidência como o 55º dirigente da instituição, Panizzi afirma que o momento exige responsabilidade, visão estratégica e capacidade de articulação.
Ao avaliar o cenário encontrado ao assumir a presidência, Panizzi afirma que o CIC-BG chega a este novo ciclo com bases sólidas e projetos estruturantes já consolidados. Segundo ele, a entidade construiu, ao longo de décadas, um papel relevante não apenas na representação empresarial, mas também na contribuição efetiva para o desenvolvimento econômico e social de Bento Gonçalves. “Não partimos do zero. Existe um legado importante, construído por muitas mãos, que precisa ser respeitado, fortalecido e atualizado”, declara. Para o presidente, a responsabilidade da nova gestão está em dar continuidade a esse trabalho, qualificando ações, aprofundando debates e ampliando a capacidade do CIC-BG de atuar como agente articulador de soluções coletivas.
Trajetória profissional e experiência setorial
Com atuação consolidada no setor vitivinícola e formação acadêmica diversificada, Daniel Panizzi reúne experiências que dialogam diretamente com o perfil econômico de Bento Gonçalves. Ele atua desde 2010 como diretor da Vinícola Don Giovanni e acumula passagens por entidades representativas do setor, como a presidência da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) nos biênios 2022/2023 e 2024/2025, além da vice-presidência do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS).
Farmacêutico formado pela PUCRS, com especialização em Indústria, MBA Executivo em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas e formação em desenvolvimento de dirigentes pela Fundação Dom Cabral, Panizzi também integrou a diretoria do CIC-BG na gestão 2024/2025, onde atuou como Diretor de Relacionamento Vitivinícola. Segundo ele, essa trajetória contribui para uma visão ampla sobre gestão, mercado e políticas de desenvolvimento.
Continuidade institucional e modelo de gestão

O funcionamento interno da entidade passa a seguir uma lógica de gestão compartilhada, com atuação organizada por pastas e responsabilidades bem definidas. Panizzi explica que o primeiro encontro de trabalho da diretoria estabelece diretrizes claras e distribui tarefas conforme a especialidade de toda área. “Cada pasta trabalha de forma técnica, com autonomia e responsabilidade, sempre alinhada a um objetivo comum”, declara. Para ele, esse modelo fortalece a capacidade de análise, qualifica as decisões e torna a atuação do CIC-BG mais eficiente e propositiva.
Segundo o presidente, a organização interna é condição essencial para que a entidade mantenha protagonismo e consiga responder às demandas do setor produtivo e da comunidade com agilidade e consistência.
Panizzi destaca que a definição do modelo de trabalho ocorre logo no início da gestão, a partir de um encontro com toda a diretoria, no qual são estabelecidas as diretrizes e organizadas as responsabilidades por áreas. Segundo ele, cada diretor passa a atuar de forma técnica dentro de sua pasta, com liberdade para propor ações e, ao mesmo tempo, compromisso com uma visão coletiva. “As pastas não funcionam de forma isolada. Elas se complementam e constroem, juntas, uma agenda estratégica para o CIC”, afirma.
O presidente acrescenta que esse formato permite transformar diagnósticos em propostas concretas, fortalecendo o papel da entidade como agente ativo no debate e na formulação de soluções para o desenvolvimento de Bento Gonçalves.
Educação, saúde e segurança como base do desenvolvimento
Entre os eixos centrais da gestão, Panizzi reforça que educação, saúde e segurança formam um tripé indispensável para qualquer projeto consistente de crescimento. Segundo ele, essas áreas não podem ser tratadas apenas como pautas sociais, pois influenciam diretamente a competitividade econômica, a capacidade de atração de investimentos e a permanência das pessoas no município. “Sem educação de qualidade, não existe inovação nem crescimento sustentável”, afirma. Para o presidente, saúde e segurança completam essa base ao garantir bem-estar, produtividade e estabilidade social, criando um ambiente propício para o desenvolvimento econômico e humano de Bento Gonçalves. Segundo ele, saúde e segurança completam esse tripé ao garantir bem-estar, produtividade e estabilidade social, criando um ambiente favorável para que pessoas e empresas permaneçam e invistam no município. Panizzi sustenta que o CIC-BG atua de forma permanente nessas pautas, seja por meio do debate público, seja pela articulação institucional com outros atores da sociedade.
Liberdade econômica, empreendedorismo e ambiente de negócios
A defesa da livre iniciativa aparece de forma clara como princípio orientador da atuação institucional. Panizzi afirma que o CIC-BG mantém uma postura firme em defesa do empreendedorismo e do ambiente de negócios. “Temos uma defesa intransigente da livre iniciativa e do empreendedorismo”, declara. Para ele, o crescimento econômico passa necessariamente pela valorização de quem investe, gera empregos e movimenta a economia.
O presidente destaca que segurança jurídica, previsibilidade e diálogo com o poder público são condições essenciais para que o setor produtivo continue apostando em Bento Gonçalves. Segundo ele, o papel da entidade é contribuir para a construção de um ambiente institucional saudável, que estimule investimentos e inovação.
Ao abordar as promoções vinculadas ao CIC-BG, Panizzi ressalta que eventos como ExpoBento, Fenavinho e Envase Brasil exercem papel estratégico na economia local. Ele afirma que essas iniciativas movimentam cadeias produtivas inteiras, geram emprego, renda e fortalecem a imagem de Bento Gonçalves em âmbito estadual e nacional. No entanto, reforça que nenhuma promoção pode ser tratada como algo definitivo. “Eventos são organismos vivos. Eles precisam ser constantemente avaliados e atualizados”, declara, ao destacar que o sucesso passado não garante relevância futura.
Mão de obra, qualificação e inclusão social
A escassez de mão de obra qualificada é apontada como um dos principais desafios enfrentados pelas empresas. Panizzi reconhece que o problema é estrutural e exige respostas articuladas. “O desafio passa, necessariamente, pela educação e pela formação profissional”, afirma. Nesse contexto, ele destaca o Qualifica Bento como uma das principais iniciativas do CIC-BG.
Segundo o presidente, o programa busca alinhar a oferta de capacitação às demandas reais do mercado. “Não se trata apenas de qualificar pessoas, mas de formar profissionais para as vagas que existem”, declara, ao ressaltar também o impacto social da iniciativa na inclusão, na geração de renda e na dignidade das pessoas.
A presença de imigrantes venezuelanos em Bento Gonçalves também integra a análise do presidente. Panizzi aborda o tema sob uma perspectiva histórica e humanitária, lembrando que a cidade foi construída por diferentes ondas migratórias. “Somos uma cidade formada por imigrantes. Nossa história é feita da soma de culturas, trabalho e esforço”, declara. Para ele, o serviço e a qualificação são os principais instrumentos de integração. É muito salutar quando essas pessoas conseguem se inserir no mercado de trabalho.
Relação institucional e visão de futuro
No campo educacional, Panizzi avalia que Bento Gonçalves, bem como todo o país, enfrenta um déficit estrutural acumulado ao longo de décadas, que se manifesta desde a formação básica até os níveis técnico e especializado. Segundo ele, esse cenário compromete a produtividade, limita a capacidade de inovação e impacta diretamente a competitividade das empresas. O presidente afirma que a superação desse gargalo exige planejamento de longo prazo, políticas públicas consistentes e a articulação entre poder público, iniciativa privada e instituições de ensino. “Esse é um desafio que ninguém resolve sozinho”, declara, ao destacar que o papel do CIC-BG é promover esse diálogo e contribuir para transformar diagnósticos históricos em ações concretas.
Panizzi avalia que as dificuldades enfrentadas atualmente pelas empresas em relação à qualificação profissional têm origem em um problema estrutural, que se manifesta desde a formação básica até o ensino técnico e especializado. Segundo ele, trata-se de um déficit acumulado ao longo de anos, que impacta diretamente a produtividade, a capacidade de inovação e a competitividade do município. O presidente afirma que enfrentar esse cenário exige planejamento de longo prazo e políticas educacionais consistentes, capazes de alinhar formação escolar, capacitação técnica e demandas reais do mercado de trabalho. Para ele, sem esse enfrentamento estruturado, o desafio da mão de obra tende a se repetir de forma cíclica, independentemente do momento econômico.
A relação com o poder público é descrita como institucional, madura e baseada no diálogo. Panizzi explica que a diretoria trabalha na construção de uma pauta positiva e propositiva, organizada por segmentos, a ser apresentada ao Executivo e ao Legislativo. “Nosso papel é contribuir com soluções técnicas e responsáveis”, afirma.
Ao analisar o perfil econômico de Bento Gonçalves, Panizzi destaca a diversificação como um dos principais diferenciais da cidade. Ele afirma que a convivência entre indústria, comércio, serviços e turismo garante maior resiliência diante de crises setoriais. “Quando um setor enfrenta dificuldades, outro sustenta o conjunto da economia”, declara.
Ao final, Panizzi reforça que a expectativa da gestão é fortalecer a união entre os setores produtivos e ampliar o papel do CIC-BG como liderança estratégica. Ele define a presidência como uma missão de responsabilidade institucional e compromisso coletivo. “Pensar Bento Gonçalves exige visão de longo prazo, diálogo e capacidade de construção conjunta”, declara. Segundo ele, o objetivo é contribuir para um ambiente econômico mais competitivo, mais justo e mais sustentável, capaz de garantir desenvolvimento e qualidade de vida para as próximas gerações.
Ao refletir sobre o significado de assumir a presidência do CIC-BG, Panizzi afirma que o cargo representa mais do que uma função institucional, mas um compromisso pessoal com o futuro de Bento Gonçalves. Segundo ele, a liderança da entidade exige responsabilidade, escuta e disposição permanente para o diálogo, além da capacidade de pensar além do curto prazo. O presidente define o momento como uma oportunidade de retribuir à comunidade tudo o que construiu em sua trajetória profissional e pessoal. Para Panizzi, contribuir para o desenvolvimento coletivo do município é um chamado que envolve propósito, responsabilidade pública e visão de longo prazo.