Onde o futebol amador ainda pulsa como parte da identidade local, o Nacional 28 segue sustentando uma das histórias mais sólidas e tradicionais do município. Fundado oficialmente em 7 de setembro de 1969 como Sociedade Recreativa e Cultural Linha 28 e herdeiro de uma agremiação ainda mais antiga, o “Grêmio Esportivo Nacional da Linha 28”, cuja data de origem se perdeu no tempo, o clube celebra 56 anos em meio ao desafio constante de manter viva uma paixão que atravessa gerações. “O primeiro presidente foi o Sr. Santo Lovera”, recorda o atual dirigente, Maikel Comiotto.
Entre passado e presente
Pertencente à comunidade da Linha 28, o Nacional é reconhecido como “um dos mais tradicionais e o maior campeão do município na modalidade de campo”, ressalta Maikel. Mesmo sem apoio financeiro externo, o clube segue de pé graças ao trabalho voluntário: “Somente trabalho voluntário; eventualmente são promovidas rifas ou jantares para manutenção do campo e sede”, afirma.
Essa mobilização comunitária também foi decisiva após o temporal de 2018, que destruiu parte da antiga sede. Em 2019, a estrutura foi reconstruída com a união de moradores, doações e ações beneficentes, hoje localizada ao lado do campo, cuja área é cedida pelos proprietários enquanto o clube mantiver suas atividades.

Times A e B: tradição e renovação
Como muitos clubes do interior, o Nacional já teve com naturalidade times A e B, prática comum em décadas passadas. Mas o cenário mudou. “Com o passar do tempo, outros esportes têm chamado a atenção das pessoas, e com isso existe uma diminuição de atletas. Nos amistosos atualmente existe apenas um time”, explica Comiotto.
A divisão voltou a existir neste ano para o campeonato municipal, graças ao bom número de jogadores vinculados à comunidade. A equipe B parou na fase seletiva, enquanto a A chega às semifinais que começam no domingo, 23 de novembro. “A equipe B acabou sendo eliminada e a equipe A está nas semifinais contra o São Gabriel”, destaca.
Conquistas que construíram uma história
A galeria de títulos reforça a relevância do Nacional 28 no esporte local. No futebol de campo, o clube foi pentacampeão consecutivo do Municipal de Pinto Bandeira entre 2019 e 2023 e já venceu o tradicional Torneio de La Pinta. No futsal, acumula três títulos municipais na categoria livre e um na categoria veteranos, conquistando as duas modalidades em 2013.

O futebol como elo social
Para o dirigente, o futebol sempre foi um dos pilares da vida comunitária. “Era um dos poucos entretenimentos que a comunidade possuía aos finais de semana, por isso se tornou algo muito forte.” Hoje, entretanto, manter as equipes ativas é cada vez mais difícil: “Por possuir mais opções e uma facilidade maior de acesso a outros esportes”, salienta.
Mesmo assim, o clube insiste em preservar o que considera parte do patrimônio cultural local. “O Nacional 28 busca manter o futebol durante todo o ano, mantendo viva a tradição do futebol no interior”, frisa.
Os bastidores: direção e desafios
Além de Maikel Comiotto na presidência, a diretoria conta com Luiz Roque Spadari (vice-presidente), Marcelo Luiz Bettoni (tesoureiro) e Tadeu Angelo Zeni (diretor de esportes). A comissão técnica reúne Ronaldo Facchin, Leonar Lodi, Airton Sgazerla, Claudecir Wolf e Jair Salini.
Os desafios, porém, são constantes. “Manutenção da sede, custos fixos como energia elétrica, corte de grama, manutenção dos vestiários… eventualmente é necessário realizar eventos para arrecadar valores e manter tudo em dia”, relata o presidente.
O futuro: entre a luta pelo título e a continuidade
Dentro de campo, o Nacional 28 busca mais um título municipal. Fora dele, a meta é seguir firme, apesar das dificuldades. “Esperamos manter tudo em funcionamento para continuar viva a tradição do futebol do interior”, conclui Comiotto.