Safra deste ano segue em patamares satisfatórios, com projeções positivas por parte das vinícolas e produtores

Fotos: Dandy Marchetti

A Miolo Wine Group inicia o processamento da safra 2026 com projeções de recebimento entre 16 e 18 mil toneladas de uvas, volume que se mantém dentro da média histórica da empresa. O cenário atual é resultado de condições climáticas que permitiram o desenvolvimento das videiras sem grandes interferências negativas até o momento. O Diretor Superintendente da Miolo, Adriano Miolo, explica que o planejamento técnico é fundamental para o resultado. “As condições climáticas ao longo do ciclo foram, de forma geral, favoráveis, permitindo bom equilíbrio entre produtividade e qualidade, o que é sempre a nossa prioridade”, afirma. Entretanto, o dirigente mantém a cautela sobre os dados finais. “É muito cedo ainda para ter dados consolidados. O clima tem forte atuação sobre a produção e pode mudar o resultado”, pontua Miolo.

O desempenho das variedades e a demanda por espumantes
No levantamento das variedades recebidas nesta vindima, a Merlot permanece como a casta de maior volume no portfólio da companhia. Miolo explica que esse comportamento da safra atende aos ajustes agronômicos e à demanda de mercado. “Observamos um desempenho bastante positivo de variedades destinadas à base de espumantes, como Chardonnay e Pinot Noir, além de algumas castas aromáticas, o que reflete tanto ajustes agronômicos quanto a crescente demanda por espumantes no portfólio do grupo”, relata. Sobre a Merlot, a expectativa técnica aponta para uma maturação fenólica completa, o que deve resultar em vinhos com concentração de fruta e taninos maduros.

Logística e precisão no recebimento multiterroir
A estrutura logística para a safra 2026 é centralizada para coordenar o recebimento simultâneo de uvas das cinco unidades do grupo. O processo utiliza monitoramento de maturação e cronogramas de transporte ajustados. “Cada unidade tem seu time, enólogos, engenheiros agrônomos, sua equipe e seu planejamento, resultado de anos de aprendizado e conhecimento embarcado”, explica. No entanto, o sistema mantém flexibilidade para lidar com imprevistos. “Existe sim uma flexibilidade em razão, principalmente, do clima, que pode mudar as coordenadas em plena vindima”, ressalta o diretor.

Vinícola Salton
A Vinícola Salton também registra avanço nos trabalhos da vindima 2026 com estimativa de processar 16 milhões de quilos de uva, volume 25% superior ao registrado no ciclo anterior. O enólogo e diretor técnico da Salton, Gregório Bircke Salton, detalha mais sobre a safra: “Os vinhedos apresentaram ótimo desenvolvimento até o momento, com uma perspectiva positiva de volume. A estimativa na Salton é de receber, aproximadamente, 16 milhões de quilos de uva até o final da safra”, afirma Salton. Quanto à qualidade, o diretor define o seguinte circunstância: “O cenário também é bastante promissor, embora ainda dependamos das condições climáticas das próximas semanas”, observa.

Operação industrial e infraestrutura de processamento
Para atender o fluxo de matéria-prima, a Salton opera a vinificação em regime de 24 horas por dia, de segunda a sábado. “O recebimento das uvas ocorre de segunda a sexta, das 8h às 23h, com possibilidade de horários adicionais aos sábados”, detalha Salton.
Na Miolo, a infraestrutura de tanques também foi preparada com manutenção preventiva e setorização por variedade. Miolo reforça a necessidade de controle térmico rigoroso. “A colheita é programada preferencialmente para os períodos mais frescos do dia, o transporte é feito de forma ágil e monitorada, e, ao chegar à vinícola, as uvas entram rapidamente no processo”, descreve o diretor.

Qualidade industrial e a gestão do vinhedo
A gestão da safra 2026 na Miolo segue a diretriz de priorizar a expressão da uva em detrimento da maximização de volumes. “Nosso foco não é maximizar rendimento, mas extrair o melhor da uva, respeitando sua expressão e garantindo excelência no produto final”, afirma Miolo. O diretor reitera que o equilíbrio da produção é definido na origem da matéria-prima. “O equilíbrio da produção começa no vinhedo. Esse olhar integrado entre campo, vinificação e mercado permite manter consistência qualitativa, mesmo diante das variações naturais de cada ano. Mas reafirmamos sempre: nossos vinhos nascem no vinhedo”, conclui Miolo.