O time feminino do Juventude já está em ritmo intenso desde o dia 12 de janeiro. A pré-temporada começou mais cedo neste ano, acompanhando a antecipação do calendário da CBF, e marca o início de mais um capítulo na trajetória de afirmação do clube na elite do futebol brasileiro. Após garantir a permanência na Série A1 do Campeonato Brasileiro em 2025, o desafio agora é consolidar o trabalho e buscar voos mais altos.
Segundo a coordenadora do Departamento Feminino, Renata Armiliato, a manutenção na primeira divisão foi uma conquista fundamental para o grupo. “Foi algo muito importante. Estamos no nosso segundo ano na elite. Levamos três anos para conquistar o acesso e, no ano passado, conseguimos a permanência. Isso nos deu experiência e entendimento maior da competição”, afirma.
Pré-temporada forte e calendário cheio
O Juventude terá um ano intenso, com Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Gaúcho na temporada. A estreia no Brasileirão está marcada para domingo, 15, e a preparação tem sido focada não apenas na parte técnica e tática, mas também no condicionamento físico e no aspecto psicológico das atletas. “A agenda é puxada. Teremos semanas com jogos a cada 72 horas, além de viagens e pouco tempo de descanso. Nosso maior desafio é manter o grupo ativo e preparado do início ao fim da temporada”, explica Renata.

O elenco atualmente conta com 26 jogadoras, com previsão de chegar a 29 atletas até o fechamento da primeira janela de transferências, em março. A segunda janela, no meio do ano, poderá trazer ajustes, tanto com chegadas quanto com saídas, em um mercado que tem se mostrado cada vez mais dinâmico no futebol feminino.
Orçamento reduzido e meta clara
O cenário financeiro do clube também impacta o planejamento. Após o rebaixamento recente da equipe masculina, o Juventude sofreu redução orçamentária, refletindo em todas as categorias, inclusive no feminino. “Não escondemos de ninguém que nosso principal objetivo no Campeonato Brasileiro é a permanência. Nosso grupo é mais reduzido em comparação a outras equipes. Trabalhamos com algumas atletas mais experientes, mas ainda somos um elenco enxuto”, destaca a coordenadora.
A meta, portanto, é clara: somar os pontos necessários para seguir na Série A1 e consolidar o Juventude no cenário nacional. Caso os resultados permitam, o clube pretende buscar uma colocação melhor do que a da temporada passada e, quem sabe, sonhar com algo além.
Crescimento desde 2021
Reaberto em 2021, o Departamento Feminino viveu uma ascensão rápida. Em sequência, o Juventude conquistou o acesso da Série A3 para a A2 e, posteriormente, para a A1 do Campeonato Brasileiro, estabelecendo um feito significativo em pouco tempo. “Saímos de um departamento sem série nacional para a elite em acessos consecutivos. A permanência no ano passado foi talvez ainda mais difícil, porque estamos falando das 18 melhores equipes do Brasil”, ressalta Renata.

O aprendizado da primeira experiência na Série A1 também foi determinante. O clube enfrentou altos e baixos, mas ganhou maturidade para encarar a competição novamente com mais preparo.
Copa do Brasil
A Copa do Brasil, que retornou ao calendário no ano passado, apresenta um desafio diferente. Em 2025, o Juventude chegou às oitavas de final, eliminando o Fortaleza e enfrentando o Corinthians, campeão brasileiro na ocasião. “É uma competição de mata-mata, com pouco tempo para estudar o adversário e dependente de sorteios. A estratégia é diferente do Brasileiro, que é longo e permite crescimento ao longo da disputa”, explica a coordenadora.
Gaúcho com gosto de conquista
No Campeonato Gaúcho, o Juventude voltou a disputar uma final após 17 anos, em 2025. Embora tenha ficado com o vice-campeonato, a campanha foi celebrada como símbolo da consolidação do trabalho iniciado em 2021. “O Juventude já foi tricampeão estadual nos anos 2000. Chegar à final novamente, depois de tanto tempo, foi especial. Foi um segundo lugar com gostinho de campeão”, avalia Renata.
Responsabilidade maior
Com os resultados recentes, cresce também a pressão. O clube agora carrega o peso de manter o nível alcançado e continuar evoluindo, mesmo diante de limitações financeiras e estruturais. “O ano passado foi maravilhoso, mas nos dá ainda mais exigências. Queremos, no mínimo, manter o que conquistamos e, se possível, atingir algo maior”, projeta a dirigente.