Dezenas de pessoas se reuniram nesta segunda-feira, 27, no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), em Porto Alegre, para acompanhar o júri do caso que apura a morte de Andrei Ronaldo Goulart Gonçalves. O crime ocorreu em novembro de 2016, na zona sul da Capital, quando a vítima tinha 12 anos.

Está sendo julgado Jeverson Olmiro Lopes Goulart, de 60 anos, tenente aposentado da Brigada Militar e tio do adolescente. Segundo o Ministério Público, o réu teria estuprado a vítima e cometido o homicídio para encobrir o abuso. A irmã de Jeverson, Cátia, foi fundamental para que ele fosse denunciado, após levantar dúvidas sobre a versão inicial de suicídio.

O caso foi inicialmente tratado como um suicídio e, em 2017, a Polícia Civil chegou a encerrar o inquérito sem responsabilizar ninguém. No entanto, o Ministério Público deu continuidade às investigações e obteve novas informações a partir de relatos de familiares.

Jeverson responde em liberdade e participa do julgamento por videoconferência, direto do Rio de Janeiro, onde mora atualmente. A expectativa é de que o júri dure dois dias. Os trabalhos são presididos pela juíza Anna Alice da Rosa Schuh, da 1ª Vara do Júri da Capital.

Durante o julgamento, serão ouvidas cinco testemunhas de acusação. A defesa, que não arrolou testemunhas, é representada pelo advogado Edson Perlin, que não foi localizado pela reportagem nesta segunda-feira.

Pelo Ministério Público, atuam os promotores Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim, com o advogado Marcos Vinícius Barrios como assistente de acusação. O réu responde pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, por dificultar a defesa da vítima e para garantir a ocultação de outro crime, e estupro de vulnerável.