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Média no RS é de 15 casos para cada 100 mil habitantes. Diferença entre cidades de mesmo porte, como Santa Cruz do Sul, é de 400% e Uruguaiana, 566.66%
O município vive um cenário preocupante em relação à violência letal. Até o momento neste ano, o município já registra 20 homicídios, número que supera com larga diferença os índices de cidades de porte semelhante no Rio Grande do Sul. Para comparação, Santa Cruz do Sul contabilizou quatro mortes violentas, Uruguaiana e Farroupilha três até o fechamento desta edição. Diferença contra Santa Cruz do Sul é de 400% e Uruguaiana, 566.66%.

O advogado, professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, André Roberto Ruver, destaca que a situação merece atenção. Segundo ele, “num cenário ideal, as Mortes Violentas Intencionais (MVI) não deveriam existir. Mas, como a realidade humana se impõe, as melhores taxas gravitam em torno de dois eventos de homicídio por 100 mil habitantes. Em 2024, o Brasil experimentou uma redução anual das MVI em 5,4% e a taxa ficou em 20,8 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto no Rio Grande do Sul a média estadual foi de 15 por 100 mil, com redução 20,3%. Nisso, o Programa RS Seguro do Governo do Estado tem se mostrado eficaz na redução de índices de criminalidade. Assim, Bento Gonçalves, considerando o ano de 2025, supera a média do RS e tende a ultrapassar a média brasileira”, avalia.

O que explica a diferença
Ruver aponta que ainda há falta de estudos aprofundados sobre os fatores específicos que impulsionam a violência letal no município, mas lembra que há evidências consistentes ligando os homicídios ao tráfico de drogas. “Varia de acordo com momentos de tensionamento e espaços de trégua entre grupos faccionados, boa parte das vezes relacionados a intervenções das Forças de Segurança Pública, notadamente, em Bento Gonçalves, da Brigada Militar e Polícia Civil, com a colaboração de órgãos afins, como é o caso da Polícia Penitenciária e mesmo da Guarda Civil Municipal, cada uma delas atuando em seu espaço de competência. Aliás, interação que cada vez mais se mostra saudável e recomendável”, analisa.
Comparação
Ao comparar com cidades que apresentam índices mais baixos, o professor cita ações específicas adotadas. “Tratar sobre Segurança Pública exige que compreendamos ser um fenômeno de natureza complexa, por vezes, algumas variáveis não são apreciadas ou consideradas para aumentos ou diminuições dos índices de criminalidade. No caso de Uruguaiana em particular, houve a instalação do 6º Batalhão de Polícia de Choque da Brigada Militar, além de fomento a integração entre os órgãos policiais, com especial atenção para o tráfico de drogas, ou seja, são ações que evidenciam terem sido fatores eficientes para a redução de homicídios e outros delitos. No que se refere a Farroupilha, ao que lembre, se instituiu um Programa chamado ‘Farroupilha mais Segura’, o qual se potencializa com o ‘RS Seguro’ do Estado para fazer frente aos seus problemas locais, sempre, com a conjugação de esforços de órgãos estatais e Comunidade, possam de algum modo colaborar na melhoria da Segurança Pública”, afirma.
Caminhos para a redução
Ruver reforça que o enfrentamento ao tráfico de drogas é central para reverter os números em Bento Gonçalves, mas lembra que a questão exige esforços múltiplos. “Observamos que, reiteradamente, Polícia Civil e Brigada Militar têm dedicado especial atenção para a diminuição de ocorrências relacionadas, com ênfase nos homicídios em razão de sua importância e impacto na sensação de segurança. Este enfrentamento se mostra necessário, por representar um anteparo social que deve ser patrocinado pelo Estado, impostergável”, provoca.

Ele complementa que a complexidade que envolve e existência do fenômeno do consumo de substâncias entorpecentes, é fator que precisa ser na mesma intensidade refletido e enfrentado. “Não será com medidas a ações simples e pontuais, tratando mais detidamente sobre o tráfico de drogas e suas repercussões, mas sim da instituições de projetos e programas que possam, com o passar dos dias e sua potencialização, dar conta de suprimir ‘consumidores’. Usando uma metáfora, nenhum comerciante faz sobreviver seu negócio sem ter alguém que compre seu produto. Portanto, sem usuários, não há tráfico”, evidencia.
Ações
Para o especialista, é fundamental fortalecer o papel da sociedade civil. “Iniciativas já existem. Trabalhos são realizados, cito aqui o Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (CONSEPRO) como entidade de estímulo, colaboração, debates, cobranças das instituições públicas, mas que se mostram aliadas a busca por uma melhor sensação de segurança. Do mesmo modo, um número significativo de Empresários (indústria e comércio), por iniciativas e colaborações pessoais ou por seus órgãos de representação, colaboram diuturnamente com os órgãos de Segurança Pública, notadamente através de suporte material e financeiro, para suprir ou mesmo implementar estruturas e programas que se fazem necessários”, destaca.
Papéis definidos
Ele ainda alerta para a importância da atuação das famílias e da comunidade, desde os cuidados mais singelos com os filhos, participando efetivamente do seu crescimento pessoal e educação. “O envolvimento de uma criança e/ou adolescente com a dependência química ou mesmo com o crime, resulta em boa medida de distanciamento afetivo. Da casa para a praça, ou seja, do espaço privado para a ambiente público, a efetiva participação cidadã em Grupos de Pais e Mestres, em instituições que fomentem a busca do amparo social, fortaleçam os laços comunitários, estimulem a cultura da Paz, o respeito aos direitos fundamentais, são exemplos e meios de colaboração que possuem a capacidade de influenciar positivamente na busca de espaços de convívio seguros. A implementação de Políticas Públicas/Privadas e ações comunitárias, se mostram com potencial para dar conta e enfrentar fatores relacionados a Gênese criminológica”, finaliza.
Representantes da Polícia Civil foram contatados, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.