Atleta de Pinto Bandeira foi 8ª colocada nos 3.000m com obstáculos e finalizou sua participação nos 5.000m rasos
A trajetória de Hélen Spadari no XLIV Troféu Brasil de Atletismo, realizado de 31 de julho a 3 de agosto de 2025, em São Paulo, reforça revela os desafios enfrentados por quem segue no alto rendimento com estrutura limitada. Representando a Serra Gaúcha, Hélen foi a 8ª colocada nos 3.000 metros com obstáculos e também disputou os 5.000 metros rasos, em mais uma participação na maior competição interclubes da América Latina. “O Troféu Brasil exige índice para entrar nas provas. Estar ali é, por si só, um reconhecimento do trabalho diário, com foco, disciplina e superação”, relata a atleta, que já esteve entre as quatro primeiras colocadas em edições anteriores da competição. Mesmo sem alcançar o desempenho que esperava no obstáculo, prova na qual vinha treinando para fazer uma marca melhor, ela valorizou a experiência e o aprendizado.
“Essa prova é muito técnica e imprevisível. Qualquer erro no posicionamento, principalmente com mais de 20 atletas na série, compromete o ritmo. Isso sem contar as dificuldades da pista seca, a baixa umidade do ar e até reações alérgicas que enfrentei depois das provas”, explica.
Moradora de Pinto Bandeira, Hélen reconhece que a visibilidade reduz diante das grandes capitais. “Moro no interior e muitas instituições e equipes não me enxergam. Sempre tive que correr atrás de apoio. Ainda assim, sou grata aos parceiros que me mantêm no alto rendimento. Sem eles, seria impossível”, afirma.
Mesmo diante dos obstáculos, dentro e fora das pistas, Hélen tem uma carreira marcada pela regularidade. “Desde a categoria sub-15, sempre estive entre as dez melhores do Brasil. É uma cobrança constante, mas também uma conquista. Claro que a gente quer mais, quer sempre evoluir”, destaca.
Além do Troféu Brasil, a atleta deve seguir em outras competições ainda em 2025, como provas de rua, o Campeonato de Cross Country e, possivelmente, provas de pista nos 10 mil metros ou Jogos Abertos, caso seja convocada pela equipe. A escolha por disputar o 5.000, e não o 1.500m, por exemplo, foi estratégica. “Estou em uma fase de preparação para provas mais longas, então fazia mais sentido”, declara.
Mesmo sem subir ao pódio desta vez, ela carrega de volta para o Rio Grande do Sul mais uma importante participação, mantendo sua presença entre a elite do atletismo nacional. E o olhar segue adiante, com os pés no chão e a mente firme em continuar superando limites. “Muitas vezes não é nem sobre vencer as outras atletas, mas sobre alcançar o meu melhor. E é isso que sigo buscando”, conclui.