A menopausa é uma fase natural da vida da mulher marcada pelo fim do ciclo reprodutivo e pela interrupção definitiva da menstruação. Geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos, embora a idade possa variar, e está diretamente relacionada à queda gradual na produção dos hormônios estrogênio e progesterona. Mais do que uma mudança biológica, a menopausa envolve transformações físicas, emocionais e sociais, que impactam a saúde e o bem-estar.
De acordo com Rita de Cássia Heuser de Almeida, médica ginecologista do Hospital Tacchini, a menopausa se caracteriza por aumento do hormônio folículo-estimulante (FSH), acima de 25, com parada de menstruação por 12 meses.
Sintomas
Embora seja uma etapa comum a todas as mulheres, a menopausa não se manifesta da mesma forma para cada uma. Para algumas, os sintomas são discretos e passam rapidamente, para outras, podem surgir desafios intensos, capazes de impactar a qualidade de vida e a autoestima. “Somos diferentes umas das outras, algumas não sentem nada, outras sentem tudo, o por quê? Ninguém sabe”, aponta a médica.
Segundo a médica, os sintomas da menopausa variam amplamente entre as mulheres, mas todos têm relação direta com a queda dos hormônios, sobretudo do estrogênio. Ela explica que, para muitas pacientes, as ondas de calor são o desconforto mais marcante. “Porque a falta do estrogênio atua no centro termorregulador do cérebro, desencadeando em ondas de calor. Se queixam da perda de libido, outras de secura vaginal, outras de fadiga, dores articulares, irritabilidade, alterações de memória e ganho de peso”, explica Rita.
Estatísticas
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que até 80% das mulheres passam por sintomas associados à menopausa, e aproximadamente 25% relatam impacto significativo na qualidade de vida. No Brasil, estudos apontam que muitas não buscam acompanhamento médico por considerarem a menopausa um processo natural que não requer intervenção. Essa percepção, porém, contribui para o estigma e faz com que grande parte delas enfrente os sintomas em silêncio, sem o suporte adequado.
Impacto
A menopausa, destaca a ginecologista, pode trazer impactos significativos para a vida da mulher. “Todos os sintomas podem gerar desconforto e até mesmo uma sensação de perda ou tristeza, podendo evoluir para quadros de depressão. Além disso, o cognitivo também se altera, e a memória já não é a mesma”, explica. A especialista ressalta ainda que estudos recentes apontam benefícios importantes da Terapia de Reposição Hormonal, “inclusive na prevenção de demências”, reforçando a importância de avaliar cada caso com acompanhamento médico adequado.
Terapia
A menopausa não deve ser vista como um problema de saúde, mas como uma fase natural do organismo que requer cuidado e acompanhamento. Consultas regulares são essenciais para monitorar os sintomas, orientar ajustes na rotina e recomendar intervenções adequadas quando houver necessidade.
Rita destaca que a terapia de reposição hormonal tem se mostrado uma ferramenta essencial no manejo dos sintomas da menopausa. Segundo ela, o tratamento não apenas melhora o bem-estar diário. “Atua na prevenção de doenças osteomusculares, cardiovasculares e cognitivas”, conta.
A médica reforça que a maior parte das mulheres pode fazer uso da terapia, mas ressalta que existem situações que exigem cautela.
As contraindicações são:
Histórico pessoal de câncer hormônio-dependente;
- Infarto;
- AVC;
- Trombose;
- Embolia;
Ela acrescenta ainda: “Pacientes com hipertensão incontrolável e diabetes de difícil manejo têm contraindicação relativa e devem ser bem avaliadas” antes de iniciar o tratamento.
A médica explica que existem diversas alternativas para aliviar os sintomas da menopausa, dependendo das necessidades de cada mulher. No caso da secura vaginal, fissuras e perda urinária, ela ressalta a eficácia de tratamentos locais. “Mesmo usando terapia de reposição hormonal, o laser é muito importante para essas mulheres, pois devolve a segurança e a autoestima e tem uma durabilidade de um ano”, afirma.
Para outros sintomas, também há opções terapêuticas. “Para os fogachos temos medicações que funcionam bem para algumas pacientes e para outras nem tanto. Para irritabilidade, depressão e sono alterado também há alternativas”, explica.
Rita reforça, porém, que o tratamento não depende apenas de medicamentos. Há mudanças de hábitos que fazem diferença no bem-estar durante essa fase. “A mulher também precisa tomar algumas atitudes, como manter uma dieta adequada, praticar exercícios físicos, cuidar da higiene, do sono, não fumar e beber com moderação. Tudo isso é importante”, destaca.
Cuidados
A médica reforça que o cuidado na menopausa deve incluir não apenas os exames de rotina, mas também avaliações específicas. Ela cita que, além de mamografia, ecografia mamária, ecografia transvaginal, exames de sangue, como perfil lipídico e hormonais, e o exame citopatológico, é importante considerar outros testes conforme a necessidade. “Devemos incluir a densitometria óssea na idade adequada ou em determinadas situações”, orienta.
Rita destaca ainda a importância do acompanhamento especializado. “Precisamos, principalmente, fazer uma consulta com uma ginecologista que nos ouça e tenha a formação adequada para tratar a menopausa em todos os seus aspectos”, afirma. Segundo ela, as mulheres não devem mais aceitar respostas simplistas ou negligentes. “Nós evoluímos e não aceitamos mais ouvir: ‘isso é assim mesmo’. Temos o direito de ser adequadamente tratadas, para termos saúde, bem-estar, disposição e amor pela vida”, conclui.