O empresário pede maior união entre lideranças políticas e empreendedores para fortalecer o desenvolvimento regional
A ausência de uma mobilização conjunta entre lideranças políticas e empresariais tem se tornado um dos principais entraves para o desenvolvimento regional. A avaliação é do empresário Elton Gialdi, que defende a necessidade de fortalecer a representatividade coletiva como forma de ampliar conquistas e tornar a Serra Gaúcha mais competitiva em nível estadual e nacional.
Segundo Gialdi, enquanto empresários e gestores públicos se concentram em resolver demandas do dia a dia, pautas estruturais e de longo prazo acabam perdendo espaço. “Nos falta representatividade coletiva. Cada setor cuida de suas tarefas, mas quem se preocupa com as grandes questões que afetam a todos nós?”, questiona.
Ele observa que o Estado ainda sofre com carências em infraestrutura, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, fundamentais para impulsionar o crescimento econômico. “Quem está cobrando que as obras das rodovias concedidas à iniciativa privada sejam realizadas nos prazos determinados? É preciso ter uma visão macro das demandas e investimentos”, destaca.
O empresário também comenta que, apesar das dificuldades, as concessões rodoviárias são uma alternativa viável, desde que bem estruturadas. “Acredito que, para termos melhores rodovias, não temos outra opção que não as concessões. Sou a favor delas, porém o grande risco está no modelo adotado. No bloco 3, o formato foi desastroso e prejudicial à população da região. Já o sistema desenvolvido nos blocos 1 e 2 me parece mais adequado, porque o governo entra com recursos para as obras necessárias e as tarifas ficam em níveis mais justos para os usuários”, analisa.
Para o empresário, a fragmentação das pautas enfraquece a capacidade de mobilização. Ele cita o exemplo de prefeitos e empresários que buscam benefícios isolados, em vez de pleitear melhorias amplas. “Não precisamos buscar incentivos setoriais, mas sim reivindicar impostos menores e investimentos que beneficiem toda a sociedade”, defende.
Gialdi também ressalta que o Rio Grande do Sul ainda carece de uma atuação política mais articulada. “Durante muito tempo lamentamos não ter um deputado que representasse nossa região, e finalmente elegemos um, o deputado Guilherme Pasin, que vem fazendo um excelente trabalho. Mas é apenas um. Precisamos de mais vozes atuando em bloco”, pontua.
O empresário compara o cenário gaúcho com o de outras regiões do país. “No Nordeste, por exemplo, é comum ver prefeitos de diferentes partidos e cidades se unindo em caravanas a Brasília para defender pautas coletivas. Isso faz diferença nos resultados que conquistam”, exemplifica.
Para ele, a cultura do trabalho intenso do gaúcho, embora admirável, também pode limitar a capacidade de planejamento conjunto. “Trabalhamos muito, mas não temos tempo para criar estratégias coletivas. Precisamos aprender a trabalhar em grupo se quisermos conquistas maiores”, completa.
Lideranças políticas precisam somar esforços, afirma Gialdi
O empresário observa ainda que, enquanto prefeitos e vereadores buscam individualmente pequenas emendas ou recursos pontuais, o Estado acaba perdendo força para reivindicar investimentos estruturais. “Quando um representante municipal vai sozinho a Brasília, talvez nem seja recebido. Mas se forem dez prefeitos juntos, as coisas mudam. A força está no coletivo”, ressalta.
Ele lembra que grandes empresários também poderiam exercer um papel mais ativo nesse processo. “Temos líderes com voz e influência expressivas, mas que muitas vezes não fazem uso de suas grandezas para despertar no poder político a importância de investimentos de grandes proporções. Se somássemos forças, o impacto seria muito maior”, afirma.
O empresário cita como exemplo positivo o trabalho do senador Luis Carlos Heinze, que, segundo ele, tem se destacado na busca por recursos e projetos que beneficiam o Estado. “Faço justiça em reconhecer o empenho do senador Heinze, um verdadeiro peleador pelas causas do Rio Grande do Sul. Mas, mais uma vez, é somente um. Onde está a bancada gaúcha de senadores e deputados federais que deveria somar esforços pelo mesmo objetivo?”, questiona.
Para Gialdi, o momento exige que empresários, prefeitos, vereadores e representantes políticos repensem suas formas de atuação. “Não falta trabalho, pelo contrário. Todos estão muito envolvidos em suas rotinas, mas não iremos a lugar algum se não tivermos como objetivo uma representatividade coletiva”, conclui.