O município tem feito da preservação do seu patrimônio histórico e cultural uma política de identidade. Veja nesta reportagem especial em comemoração aos 125 anos da cidade, que entre prédios centenários, tradições que atravessam gerações e um idioma reconhecido como símbolo da herança italiana, o município equilibra passado e presente.

De acordo com a secretária de Turismo e Cultura de Garibaldi, Lina Furlanetto, o cuidado com o patrimônio vai muito além da conservação física. “No âmbito material, desenvolvemos a rota turística Passadas – A Arquitetura do Olhar, que destaca os prédios históricos do centro do município. O percurso pode ser feito a pé ou a bordo do Tim Tim, um caminhão de guerra adaptado para o transporte de turistas. Também formatamos eventos que resgatam a identidade histórica cultural, como o Garibaldi Vintage e o Festival do Grostoli. No âmbito imaterial foi criada a Lei nº 5.568/2022 que estabelece o Talian como língua cooficial do município”, revela.

Entre os espaços mantidos pela administração estão o Museu Municipal de Garibaldi e a Biblioteca Pública Municipal Frei Miguel, referências na guarda de documentos, obras e objetos que ajudam a contar a trajetória da cidade.

Em média, o local recebe 2,7 mil visitantes por ano

A preocupação com a conservação dos prédios e monumentos também se traduz em legislação específica. “Dispomos da Lei Municipal nº 3401/2005, que institui as normas de proteção ao patrimônio histórico, artístico e cultural do município de Garibaldi. Em 2006 foi criado o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (COMPHAC). E em 2018 a Lei da Publicidade 5102/2018, que regula a propaganda e publicidade no centro histórico. Além disso, temos o Arquivo Histórico Municipal”, evidencia.

Valorização das tradições

A herança cultural de Garibaldi se manifesta também nas festas e nas práticas que resistem ao tempo. Segundo Lina, o incentivo à continuidade dessas expressões é permanente. “No início de cada ano, a Secretaria promove um edital de chamamento público destinado a contemplar entidades culturais do município, como grupos de danças italianas, gaúchas e corais com repertório italiano, com o objetivo de preservar e valorizar essas expressões culturais”, frisa.

Ainda que o município conte com o reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde a década de 1980, as dificuldades permanecem. “Os maiores desafios na preservação da história do município envolvem a necessidade de manutenção constante nos edifícios, muitas vezes com custos de restauração elevados e que demandam técnicas especializadas. Soma-se a isso o desafio de tornar os prédios históricos úteis para o presente sem comprometer sua integridade arquitetônica, equilibrando também as demandas por acessibilidade e adaptação de usos, que podem gerar conflitos com a preservação. Além disso, documentos, fotografias, registros orais e objetos históricos, fundamentais para a memória coletiva, estão sujeitos à deterioração com o tempo”, conta a secretária.

Para contornar esses entraves, o município aposta na tecnologia. “O Acervo Histórico está desenvolvendo um processo de digitalização, que garante a preservação desses materiais e amplia o acesso da comunidade ao patrimônio documental da cidade. Nesse contexto, a administração busca constantemente conciliar preservação, valorização e modernização, assegurando que a história local seja mantida viva e transmitida às próximas gerações”, reitera.

Museu conta com exposições culturais e acervo de documentos

Crescimento com respeito à memória

A secretária ressalta que o desenvolvimento urbano não precisa ser um inimigo da história. “A preservação do patrimônio histórico é parte essencial do crescimento da cidade. O desenvolvimento turístico se fortalece principalmente no cenário do Centro Histórico. É possível conciliar modernização e preservação por meio de políticas públicas, incentivos à restauração e à ocupação qualificada de imóveis históricos, além da valorização dos espaços culturais como elementos que enriquecem a identidade urbana. Dessa forma, o desenvolvimento acontece de forma sustentável, respeitando o passado e projetando o futuro”, pondera.

Nesse mesmo sentido, Garibaldi prepara novas ações para fortalecer o setor. “Estamos em processo de organização para a contratação de empresa especializada na atualização do inventário do Município, com catalogação e mapeamento dos prédios históricos”, afirma Lina.

Leis de incentivo impulsionam a cultura

Entre os instrumentos que sustentam as políticas culturais, a secretária destaca que “A Lei Paulo Gustavo representa um marco importante para o fomento da cultura no município, pois permitiu não apenas a ampliação de investimentos no setor audiovisual, mas também contemplou diversas linguagens artísticas, como artes cênicas, música, dança, artes visuais e artesanato. Seu impacto se dá tanto na valorização do patrimônio material quanto do imaterial, fortalecendo a identidade cultural local e proporcionando oportunidades para artistas, coletivos e produtores culturais”, pontua.

Ela também cita outras políticas públicas que ampliam o alcance das ações culturais. “Além da Lei Paulo Gustavo, outras legislações têm papel fundamental, como a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que cria uma perspectiva mais permanente de financiamento cultural, ainda mais com a sua continuidade por meio do Ciclo 2, que garantem recursos descentralizados para estados e municípios, possibilitando o financiamento de projetos que muitas vezes não teriam viabilidade sem esse apoio”, aponta.

Os resultados já aparecem em diferentes frentes, com iniciativas de editais públicos e o fortalecimento do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CONCULT), que garantem transparência e participação social no processo de seleção e acompanhamento dos projetos. “Entre os que estão em andamento e futuros, destacam-se aqueles voltados à produção audiovisual local, ações de registro e valorização do patrimônio imaterial e material, oficinas de formação aos agentes culturais, o mapeamento da cultura, bem como atividades ligadas à literatura que buscam envolver a história local. Essas ações demonstram que as leis de incentivo não apenas viabilizam a execução de projetos, mas também criam condições para a continuidade e expansão das manifestações culturais no município”, conclui.