A Fundação Casa das Artes recebe, entre 4 e 14 de agosto, a exposição “O Toque da Alma”, que convida o público a uma imersão no universo sensível das mandalas criadas pela artista plástica Mari Freitas. A mostra reúne 14 obras produzidas com técnicas de textura, resultado de um processo artístico marcado pela intuição, espiritualidade e expressividade.
Segundo Mari, sua paixão por mandalas começou em um momento difícil em sua vida, quando seu filho menor precisou ser internado no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, devido a uma doença rara chamada Síndrome de Kawasaki. “Ficamos 41 dias internados e, nesse meio tempo, eu descia de vez em quando ao hall de entrada do hospital. Lá havia um quadro redondo que me atraía muito, mas fui saber dias depois, por uma funcionária da limpeza, que se tratava de uma mandala. Desde então, me apaixonei pela arte e comecei a estudar sobre elas ainda no quarto do hospital”, conta.
Mari lembra que, ao filho sair do hospital, precisou ficar isolado em casa, e foi então que começou a trabalhar com as mandalas. “Este ano completou 13 anos trabalhando com elas. Há 4 anos, me dedico como professora de mandalas na Casa das Artes, ministrando duas turmas”, reflete a artista.
Inspirações
Para ela, as inspirações para suas obras vêm de diferentes fontes e sentidos. A artista destaca que a espiritualidade tem um papel fundamental em seu processo criativo. “Hoje posso dizer que o lado espiritual tem uma forte influência intuitiva no meu processo criativo. Acredito que as mandalas são expressões da alma e canalizo muito o que eu sinto no momento da criação”, diz.
Mari explica que as obras representam diferentes formas de energia e significado. A artista destaca que cada peça foi pensada com atenção aos detalhes. “Elas foram feitas com muito cuidado, priorizando mandalas que transmitem diferentes energias, cores e simbolismos. Busquei reunir peças que tivessem sua identidade própria”, conta.
Inspirada por momentos de introspecção e conexão interior, a artista plástica Mari encontra na criação de mandalas uma forma de expressar sentimentos e espiritualidade. “Todas as minhas obras são criações independentes, nascidas de momentos de inspiração e conexão pessoal”, revela, destacando o caráter único e intuitivo de cada peça produzida.
Criação
Para ela, cada mandala é única e transmite seus sentimentos no momento da produção. “O que me guia na criação das minhas mandalas é a intuição e a energia do momento. Cada obra nasceu de um sentimento, de uma vivência ou até mesmo de um silêncio. Às vezes, começo com um traço central e deixo que a própria mandala se revele aos poucos; é como se ela tivesse vida própria e eu fosse apenas um canal para trazê-la ao mundo”, comenta.
Assim como para Mari, ela expressa o desejo de que cada pessoa interprete a obra de uma forma. “Algumas mandalas nascem com um significado muito claro para mim, representam ciclos, sentimentos, momentos de cura ou transformação. Gosto de deixar espaço para que cada pessoa interprete com o coração. Há peças com significados profundos, mas o sentido final também é livre e aberto à sensibilidade de quem observa”, expõe a artista.
Exposição
Ela declara que já produziu cerca de cinco mil mandalas ao longo desses anos. “Já mandei algumas obras para outros estados do Brasil e até para o exterior”. Já é a sua terceira exposição no espaço: “Sempre é uma experiência nova e grandiosa”, finaliza.