Na noite de sexta-feira, 7 de novembro, foi realizada a formatura da 4ª edição do projeto Bombeiro Mirim em Bento Gonçalves. O evento, que aconteceu no Pavilhão E do Fundaparque, reuniu familiares, autoridades e instrutores para celebrar a trajetória de 33 crianças que, ao longo de sete meses, participaram de atividades voltadas à disciplina, cidadania e desenvolvimento pessoal.

O Capitão Gustavo Kist, comandante do Corpo de Bombeiros Militares de Bento Gonçalves, explica que o projeto acontece entre os meses de abril e outubro, com encontros de terça a sexta-feira. Durante o período, as crianças participam de aulas práticas e teóricas em diversas áreas. “A gente busca desenvolver as potencialidades ao máximo de cada criança. Este ano trabalhamos com 33 participantes, metade meninos e metade meninas, com 50% das vagas destinadas a crianças em situação de vulnerabilidade social, escolhidas por meio do CRAS. As vagas são definidas por sorteio público em março de cada ano”, frisa.
As atividades incluem desde aulas de informática, em parceria com a Datamais e o Instituto Federal (IFRS), até natação, jiu-jitsu e noções de primeiros socorros e combate a incêndios. Segundo Kist, são mais de 600 horas de aprendizado voltadas para formar cidadãos mais conscientes e responsáveis. “Todos que estão próximos percebem mudanças nos valores e comportamentos no decorrer do projeto. Os pais relatam que não é mais a mesma criança que entrou em abril. Trabalhamos o senso de liderança, o trabalho em equipe e a responsabilidade, com pequenas missões diárias como arrumar a cama ou lavar a louça”, conta.
O Capitão também relembra o impacto do programa em situações reais, citando o caso de um ex-bombeiro mirim que ajudou a salvar vítimas de um acidente com um ônibus de turismo em Porto Alegre, em outubro deste ano. O veículo transportava 55 estudantes e pegou fogo após sair da pista, e o jovem foi um dos primeiros a prestar socorro. “Esse é o reflexo do que buscamos: desenvolver potencialidades e cidadania para que eles saibam agir e ajudar o próximo”, afirma Kist.
Durante a cerimônia, uma homenagem especial foi prestada ao soldado Juliano Baigorra, que faleceu em janeiro deste ano e foi um dos instrutores do projeto em edições anteriores. “Perdemos o soldado Baigorra no início do ano, e foi um momento muito desafiador. Pensamos em parar, mas entendemos que a melhor forma de homenageá-lo era seguir com o legado que ele ajudou a construir. Por isso, ampliamos o projeto, que passou de 28 para 33 crianças e teve a maior carga horária da história”, disse o comandante.
O Sargento Pablo Guerra, um dos instrutores do projeto, ressalta os valores trabalhados com as crianças e a importância da iniciativa como complemento à formação escolar. “Os valores que a gente busca transmitir são pertencimento, amizade, disciplina, força de vontade e resiliência. Eles aprendem que os obstáculos existem, mas que é preciso ter determinação para seguir em frente”, destaca.

Guerra ressalta que, além do aprendizado técnico, como primeiros socorros e princípios de combate a incêndios, os alunos saem preparados para agir em situações do cotidiano. “Mesmo sendo crianças, eles podem orientar e agir. Já tivemos casos de bombeiros mirins desengasgando bebês. Isso mostra o quanto o conhecimento é uma corrente que se multiplica”, pontua o sargento.
O instrutor também ressaltou o papel social do projeto, que funciona em contraturno escolar e atende principalmente crianças em situação de vulnerabilidade.“O Bombeiro Mirim tira as crianças da rua e das telas. Elas chegam achando que vai ser cansativo, mas no final não querem ir embora. Criam um senso de amizade e pertencimento muito forte. Saber que estamos contribuindo para o futuro delas é o que mais me motiva”, reitera Guerra.
Ao final da cerimônia, a emoção tomou conta dos formandos, que encerraram um ciclo de aprendizado, convivência e amadurecimento. Para os organizadores, a formatura representa não apenas o fim de uma etapa, mas o início de uma jornada cidadã. “Eles nunca deixam de ser bombeiros mirins. Levam consigo valores que vão carregar por toda a vida”, conclui o sargento.