Com mais de 300 expositores, feira reúne pessoas de 31 países e consolida Bento Gonçalves como polo do setor moveleiro

A 17ª Feira Internacional de Fornecedores da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis (Fimma Brasil) confirmou a força dos eventos presenciais para impulsionar negócios e fortalecer conexões no setor moveleiro. Realizada de 4 a 7 de agosto, em Bento Gonçalves (RS), a edição 2025 superou as expectativas, reunindo 20.750 visitantes e mais de 300 marcas nacionais e internacionais em exposição, com projeção de R$1,74 bilhão em negócios.

Presidente Euclides Longhi

O presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Euclides Longhi, entidade promotora do evento, comemorou o resultado. “Diretores e equipe tinham o desafio de retomar a grandiosidade da Fimma. Entregamos ao mercado uma feira mais completa, com novos segmentos, novas marcas e mais inovação. As expectativas foram todas superadas. Muitos expositores e visitantes satisfeitos com tudo o que vivemos aqui nesses quatro dias. A Movergs encerra essa Fimma já se preparando para a próxima edição”, afirma. A 18ª Fimma Brasil já tem data marcada: 9 a 12 de agosto de 2027.

A feira recebeu profissionais de todas as regiões do Brasil e de 31 países, entre gestores de indústrias, marceneiros, arquitetos, designers, representantes e importadores. O diretor Internacional da Movergs, Daniel Segalin, destacou a relevância do evento no cenário global, especialmente na América Latina. “O Brasil hoje, como produtor de máquinas e insumos para móveis, produz muita tecnologia. Então o comprador vem à Fimma para buscar soluções e materiais que aprimoram ainda mais os seus processos produtivos”, pontua.

Para o empresário colombiano Jorge Alvarez, participar da Fimma reforçou o papel do Brasil como referência no setor. “Vim principalmente fortalecer a relação que temos com os fornecedores brasileiros. Consideramos que eles têm um avanço maior que o nosso, então vir aqui é poder aprender mais, fortalecer relações. Estar na feira me mostrou novas oportunidades que eu nem imaginava quando cheguei”, relata.

A internacionalização foi um dos destaques da Fimma 2025, com ações estratégicas como a recepção de importadores convidados de países-alvo e a criação de um Lounge VIP para atender o público estrangeiro. Em parceria inédita com o Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), 15 micro e pequenas empresas gaúchas de segmentos como ferragens, tecnologia, embalagens, tintas, vidros e máquinas tiveram espaço em estande coletivo e participaram de rodadas de negócios internacionais. O projeto, apoiado por entidades como CNI, Sebrae, Fiergs, Unisind e Sindmóveis Bento Gonçalves, incluiu consultoria pré e pós-feira.

O gerente industrial da empresa Socoda, Jorge Loaiza, veio da Colômbia para participar da feira, e destaca a importância do setor moveleiro brasileiro para o país. “A feira representa para nós uma grande oportunidade de adquirir novos aprendizados de tecnologias, pois, na Colômbia, consideramos que a indústria de móveis do Brasil é uma importante referência, e estar aqui compartilhando, não só com expositores do Brasil mas de outros países, nos enriquece muito em conhecimento, além de termos essa proximidade para fazer negócios. As pessoas se conectam aqui com novas ideias, novos produtos e soluções”, afirma.

Feira é sinônimo de inovação e tecnologia

Outra ação voltada ao mercado externo foi o Projeto Comprador do Brazilian Furniture, realizado pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa levou à feira dez importadores de oito países. “O Brasil vem demonstrando sua maturidade industrial e capacidade de atender às diferentes frentes da cadeia moveleira em todo o mundo. Levar o Projeto Comprador à Fimma é fortalecer esse posicionamento”, avalia o presidente da Abimóvel, Irineu Munhoz.

O mercado interno também recebeu atenção. Em parceria com o Sebrae RS, a Fimma promoveu cerca de 270 rodadas de negócios nacionais. O coordenador setorial moveleiro da entidade, Andrei Carletto, reforça o impacto da ação: “Para as pequenas empresas, esses encontros representam uma ponte concreta com o mercado, possibilitando acesso a novos canais de comercialização e conexão direta com compradores qualificados de diferentes regiões do país. É uma dinâmica eficiente, que valoriza o tempo dos empreendedores e gera resultados reais. Mais do que ampliar oportunidades, as rodadas promovem visibilidade, competitividade e a inserção das MPEs no mercado brasileiro”.

Tecnologia e Inovação

Mais do que um espaço “instagramável”, a Praça de Inovação da Fimma Brasil 2025 reafirmou o compromisso da feira com a difusão de tecnologia e inovação no setor moveleiro. Com projeto arquitetônico imponente e sustentável, estruturado em papel reforçado, o ambiente reuniu demonstrações de robótica, softwares, cases de expositores e startups como Easypro Tech, Energia das Coisas, Meu Resíduo, Trashin, Vib Master, CLL Dados, AKR Sistemas, Neo Point/Speedy Factory, Cool Tea, IIOT, Evolutur e MGZPROD.

A programação de palestras foi um dos pontos altos do espaço, abordando arquitetura, design, gestão de negócios e indústria. Entre os destaques, nomes como o futurista Tiago Mattos, o mentor de marcenaria Fernando Imazu e a arquiteta Priscilla Bencke. Dois eventos que atraíram grande público foram o painel “Indústria Delas”, em parceria com o Simecs, reunindo mulheres líderes do setor, e o encontro de CEOs de indústrias moveleiras sobre “Como lidar com a escassez da mão de obra na indústria moveleira”.

Com R$1,74 bilhão gerado em negócios, sucesso foi garantido

Aprovada por toda a cadeia moveleira

Diretor criativo da Bertolini, Gustavo Bertolini fala sobre a feira como ponto de conexão para indústrias e fornecedores. “Gostei muito da Fimma. Me surpreendeu por não ser focada só em produto, mas também em tecnologia e concepção de design. Serviços, inteligência artificial, não só na manufatura. Consegui me conectar com outras empresas que não vinham há muito tempo para a Fimma. A feira voltando a ser um motor de inovação, conectado com design e maquinário”, comenta.

Em 2025, a Fimma Brasil chamou a atenção de diversos profissionais que trabalham com projetos de mobiliário. A feira surpreendeu tanto os profissionais que já haviam participado de outras edições quanto os que visitaram pela primeira vez. “Chamou a atenção a gama gigante de produtos e principalmente os conteúdos, que é uma forma de agregar todas as pontas. A gente não está falando só de maquinário, de matéria-prima, mas sim de muitos produtos já acabados que podem contribuir para o mobiliário. Isso nos inspira a criar através da cultura do design. Aqui a gente consegue enxergar o que a indústria é capaz de produzir para assim criar os produtos mais direcionados para o nosso público”, resume a arquiteta e designer de produto Aline Dametto.

Vice-presidente projeta melhorias para a feira

Vice-presidente Vitor Agostini

Antes mesmo do encerramento da 17ª edição, o vice-presidente da Fimma e da Movergs, Vitor Agostini, avalia que o evento supera as expectativas de público e qualidade dos visitantes. “O primeiro dia não foi como o esperado, mas o segundo e o terceiro foram surpreendentes”, destaca. Para ele, a presença de profissionais que conhecem, buscam e sabem o que querem e de visitantes com poder de decisão é determinante para o sucesso.

Agostini explica que a reestruturação da feira, após anos unificada com a Movelsul, representa um grande desafio. “Nós temos hoje praticamente os 58 mil metros comercializados. Trabalhar as duas feiras juntas é um aprendizado, e a dedicação dos diretores e voluntários é essencial para chegarmos até aqui”, afirma, ressaltando que o engajamento da equipe, muitas vezes sacrificando negócios e tempo com a família, é decisivo.

Na avaliação dele, a Fimma é “uma grande oportunidade para transformar processos produtivos, aumentar a produtividade, diminuir desperdícios, melhorar a qualidade e a rentabilidade”. No entanto, alerta que, diante do cenário econômico e político, “quem não investir em tecnologia talvez não sobreviva no mercado”, destaca.

Sobre a recente taxação de importações, Agostini pondera que o impacto não é uniforme, já que muitos fornecedores presentes na feira não comercializam com os Estados Unidos. Ainda assim, admite que vai afetar direta e indiretamente alguns fabricantes.

O dirigente ressalta que micro e pequenas empresas encontram na Fimma um horizonte ampliado para investimento e planejamento, sobretudo aquelas que não têm condições de buscar tecnologia no exterior. Ele adianta que, para a próxima edição, a organização já coleta feedback dos expositores e avalia mudanças no layout para atender empresas que necessitam expor linhas de produção maiores.

Com a transição prevista para o final do ano, Agostini confirma que assume a presidência da Movergs em janeiro de 2026 e da Fimma para a edição de 2027. “O desafio é grande, mas conto com o apoio da minha equipe, da empresa e da minha família. Queremos fazer uma feira ainda melhor”, afirma. Na ocasião, deixou um convite aos que não compareceram: “Se alguém não visitou a Fimma desta vez, não deixe de vir na próxima. Tem muita coisa boa para ver e planejar a ampliação dos negócios”, conclui.