O fim da estação traz um panorama dos esforços realizados para atender à crescente demanda sazonal por serviços de saúde, especialmente os relacionados a síndromes respiratórias
A Secretária de Saúde, Daiane Piuco, detalha as ações implementadas e os resultados alcançados. Uma das principais medidas foi a ampliação da capacidade de internação. A Secretaria de Saúde firmou um contrato para a compra de 10 leitos clínicos no Hospital São Roque, em Carlos Barbosa, e ampliou o terceiro andar do Complexo Hospitalar Municipal, dedicando-o a casos respiratórios. No entanto, Daiane explica que a maior parte da demanda foi absorvida pelas salas amarela e vermelha da UPA e pelo andar de internação da própria unidade. “Não houve necessidade de realocação de pacientes para o andar de internação, visto que a maioria dos atendimentos foi resolvida nas salas amarela e vermelha da UPA, no andar de internação da UPA, quando necessário, por meio de transferências para unidades hospitalares de referência”, pontua.
O reforço no atendimento ambulatorial também foi crucial. A Unidade de Saúde Zona Sul, que fica ao lado da UPA, teve seu horário estendido das 17h às 21h, de segunda a sexta-feira, com foco exclusivo em casos respiratórios e vacinação contra a gripe. Essa iniciativa visou aliviar a sobrecarga da porta de urgência e emergência. Para agilizar o atendimento, a UPA e o Pronto Atendimento da Zona Norte receberam reforço de médicos em seus quadros, especialmente nos horários de pico. O mês de maio registrou os maiores picos de lotação em ambas as unidades, com o início dos dias mais frios.
A área pediátrica recebeu atenção especial. A secretária explica que uma segunda sala de pediatria foi aberta na UPA para isolar crianças com sintomas respiratórios. “Ampliamos uma sala da pediatria com o objetivo de separar os casos respiratórios das demais patologias, evitando assim contaminação. As transferências com indicação de internação para o Hospital Tacchini na especialidade pediátrica ocorrem sempre com facilidade”, afirma.
Apesar de as medidas terem auxiliado no controle da demanda, desafios foram enfrentados. Daiane Piuco destaca que a principal dificuldade foi a transferência de pacientes adultos com quadros mais graves para leitos de UTI e leitos com isolamento. As maiores causas de internação foram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com predominância dos vírus Influenza A e H1N1.
Em comparação com o inverno de 2024, o Pronto Atendimento Zona Norte teve um aumento no número de atendimentos. Já a UPA, mesmo com a reestruturação e a ampliação, não registrou crescimento significativo na demanda.
Tacchini encerra inverno com alta de 9% nos atendimentos
Com o encerramento do inverno de 2025, o Hospital Tacchini faz um balanço do período marcado por alta demanda e desafios intensificados pelas doenças respiratórias. Em entrevista ao jornal, o Dr. Lucas Odacir Graciolli, Coordenador Médico da Emergência do Tacchini Bento Gonçalves, detalha as estratégias adotadas pela instituição para enfrentar os meses mais frios do ano, que tradicionalmente exigem maior mobilização da rede de saúde.
A preparação para o inverno começou ainda no outono, com medidas voltadas ao reforço da equipe médica e à ampliação da capacidade de atendimento. “Tivemos aumento do número de médicos que realizam o primeiro atendimento dos pacientes de baixa complexidade, uma vez que essa demanda costuma ser a que mais sofre aumento no período de inverno”, explica Graciolli. Além disso, foram acrescidas horas médicas na internação hospitalar, com o objetivo de absorver o maior número de pacientes internados, especialmente os acometidos por síndromes respiratórias e doenças crônicas descompensadas.
O impacto dessas ações foi sentido nos números. Durante os meses de junho, julho e agosto, o hospital registrou um crescimento de 9% nos atendimentos em comparação ao mesmo período do ano anterior. “A tendência nos últimos anos tem sido de crescimento ano após ano”, destaca o coordenador, apontando para uma demanda crescente que exige planejamento contínuo e investimentos em estrutura e pessoal.
Entre os principais desafios enfrentados pela equipe médica, o aumento expressivo de casos respiratórios se destacou. Pneumonias, síndrome gripal e crises de asma foram recorrentes, somando-se às internações de pacientes com insuficiência cardíaca e enfisema pulmonar em estado descompensado. “O aumento dessas condições reflete em aumento de demanda e, por consequência, da necessidade de atendimento e internações hospitalares, o que gera sobrecarga das equipes de saúde”, afirma Graciolli.
A síndrome gripal causada pelo vírus influenza foi a mais frequente neste inverno, tornando-se a principal causa de internação no período. Segundo coordenador, os meses de maio, junho, julho e agosto apresentaram o dobro de internações por patologias respiratórias em relação ao primeiro quadrimestre do ano. O impacto foi sentido em todas as faixas etárias, com destaque para os casos pediátricos, que pressionaram as UTIs infantis. Embora não tenha sido detalhado o número exato de internações pediátricas, o hospital confirmou o aumento significativo desses casos, exigindo atenção redobrada da equipe assistencial.
O mês de maio foi o que concentrou o maior pico de atendimentos no pronto-socorro, com 3.880 atendimentos realizados pela clínica geral. Os meses de julho e junho também registraram alta demanda, confirmando a necessidade de reforço na linha de frente. Para lidar com esse cenário, o hospital ampliou o número de médicos nos horários de pico diurno, o que permitiu aumentar a capacidade de atendimento por hora. “Foi acrescido um médico nos horários de pico diurno, ampliando o número de atendimentos realizados por hora”, informa Graciolli.
Apesar da sobrecarga, o Hospital Tacchini não precisou realizar transferências ou encaminhamentos para outras unidades hospitalares. A estrutura da instituição foi suficiente para absorver os casos de maior complexidade, graças ao planejamento prévio e à mobilização da equipe. “O hospital tem estrutura para atender os casos de maior complexidade”, reforça o médico.
No âmbito das adaptações estruturais, foi implementado o uso obrigatório de máscaras para todos os pacientes e profissionais da emergência, medida que visou conter a disseminação de vírus respiratórios e proteger os trabalhadores da saúde. A iniciativa se somou a outras ações de prevenção e controle, fundamentais para garantir a segurança dos atendimentos em um período de alta circulação viral.
O balanço do inverno de 2025 revela o planejamento, reforço de equipe e medidas estruturais, a instituição conseguiu manter a qualidade do atendimento à população de Bento Gonçalves e região.