Quatro casos foram registrados recentemente; um não resistiu. Especialista alerta para sinais e prevenção
A comunidade de Bento Gonçalves tem se mostrado em alerta após a ocorrência de quatro casos de envenenamento de cães, registrados neste ano. Em um deles, o animal não resistiu. A situação reacende o debate sobre o uso indevido de substâncias tóxicas e a necessidade de conscientização sobre os riscos do envenenamento, tanto acidental quanto intencional.
De acordo com o médico veterinário e professor de Toxicologia e Patologia Veterinária da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Eduardo Conceição de Oliveira, os casos de intoxicação em cães e gatos podem ser provocados por uma série de substâncias, desde pesticidas até medicamentos de uso humano. “Os sinais clínicos variam conforme o tipo de veneno e a quantidade ingerida, mas costumam incluir salivação, tremores, vômitos, dificuldade de locomoção e respiração, alterações de comportamento e até sangramentos”, explica.
Diagnóstico difícil e necessidade de ação rápida
Um dos grandes desafios, segundo o especialista, é o diagnóstico. “Os sintomas são semelhantes a muitas outras doenças, o que dificulta identificar rapidamente uma intoxicação. Quando o tutor presencia a ingestão ou o contato com o produto, o diagnóstico é mais fácil, mas esses casos são raros”, afirma Oliveira.
O veterinário ressalta que o tempo de manifestação dos sinais pode variar, surgindo em algumas horas após o contato com a substância. Por isso, a ação imediata do tutor é fundamental. “Ao suspeitar de envenenamento, o tutor deve levar o animal imediatamente ao veterinário, informando todos os detalhes possíveis. Tentar tratar por conta própria ou esperar que os sinais passem é um erro grave e pode diminuir as chances de recuperação”, evidencia.
Venenos mais comuns e riscos dentro de casa
Entre as substâncias mais frequentemente envolvidas nos casos, o professor destaca o carbamato, conhecido popularmente como chumbinho, um pesticida altamente tóxico e proibido, mas ainda utilizado de forma criminosa. “Esse produto é responsável por muitas mortes de animais e até intoxicações em humanos”, alerta.

Medicamentos e alimentos também podem ser perigosos. “Paracetamol e anti-inflamatórios de uso humano são tóxicos para cães e gatos, causando anemia e lesões hepáticas. Muitas vezes, o tutor administra por conta própria, sem saber dos riscos”, explica Oliveira.
Possibilidades de recuperação
Segundo o especialista, vai depender do tipo de veneno e da rapidez com que o animal recebe atendimento. “Nem toda intoxicação tem um antídoto específico. Em muitos casos, o tratamento é de suporte, visando estabilizar o animal e evitar maiores danos”, comenta o especialista.
Em casos recentes, veterinários tentaram reduzir a absorção do veneno com terapias imediatas, mas nem todos os animais resistiram. “Cada minuto conta. O tempo entre o contato e o início do tratamento é determinante para o desfecho”, reforça Oliveira.
Como prevenir
A recomendação é redobrar a atenção com cães e gatos que circulam em áreas externas ou públicas, especialmente em locais com histórico de envenenamentos. “O ideal é manter os animais sob supervisão e evitar o uso de pesticidas sem orientação profissional. Em caso de suspeita criminosa, o tutor deve registrar boletim de ocorrência e comunicar os vizinhos”, orienta o veterinário.
Quando há suspeita de crime, exames laboratoriais e necropsias podem comprovar a presença de venenos, permitindo a investigação policial. “O clínico coleta amostras de tecidos e fluidos corporais para análise toxicológica. Essa etapa é essencial para confirmar o envenenamento e buscar responsabilização”, explica.
Informação como forma de proteção
Para o especialista, campanhas educativas são fundamentais na prevenção. “Com as redes sociais, ficou mais fácil alertar a população sobre riscos e cuidados. O papel do veterinário é orientar os tutores sobre o que não deve ser administrado aos animais e os perigos que existem, especialmente para aqueles que vivem soltos”, finaliza.
Número de animais em Bento
A Secretaria do Meio Ambiente (SMMAM) buscou com as equipes de agentes de saúde o levantamento da quantidade de animais por domicílio na área de abrangência das Estratégias de Saúde da Família. Foram contabilizados 15.936 animais, sendo 11.105 cachorros e 4.831 gatos. A área com maior número de animais é do bairro Zatt.
As informações coletadas subsidiarão políticas públicas para atendimento dos animais de famílias em vulnerabilidade, com castrações, prevenindo zoonoses e com impactos positivos na causa animal.
Para o secretário Volnei Tesser, conhecer a realidade de cada localidade é importante. “Para podermos incluir políticas e ações sobre os cuidados com os animais. Implementar um programa de castrações, consultas e outras ações pensando a longo prazo”, destaca.
Adoção responsável
Atualmente, a Secretaria conta com cerca de 40 animais para adoção. Se você quiser conhecer os animais que estão aptos para adoção, entre em contato através do telefone (54) 3055-7115.