A cidade encerra o ano com um panorama econômico que mescla a resistência dos setores produtivos tradicionais com os desafios da reconstrução pós-eventos climáticos severos e o foco em planejamento de longo prazo
A administração municipal e as entidades setoriais trabalham na articulação de estratégias para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento regional, enquanto segmentos-chave como o moveleiro e o de construção civil navegam por cenários domésticos dinâmicos e obstáculos internacionais.
Setor administrativo e comércio
A gestão municipal prioriza a reconstrução e a infraestrutura, além de manter o equilíbrio das contas públicas. O Prefeito Diogo Siqueira destaca os esforços concentrados na recuperação da zona rural após as enchentes. “Temos muitas obras de drenagem, de reconstrução de asfalto, de barreira, de um cuidado com o agricultor na reconstrução de parreirais”, afirma.
Na área urbana, o trabalho se volta para o recapeamento de asfalto e a reconfiguração da cidade, somado ao foco em infraestrutura pública, segurança e saúde. “A cidade está num crescimento sustentável, contas financeiras da prefeitura em dia, sem endividamentos novos. Então, a gente está conseguindo manter o trabalho do dia-a-dia, pagando salário, pagando contratos e tendo uma perspectiva boa a longo prazo, com as reformas que foram executadas”, garante.
As mudanças administrativa e previdenciária executadas em mandatos anteriores fornecem tranquilidade neste cenário. “Se conseguir manter a administração financeira e a parte jurídica de procuradoria, a conseguimos resolver mais de um problema sem gastar energia. Então, eu foco muito nisso e acho que dá um resultado positivo para cidade. Mantendo as contas em dia e a cidade funcionando com as obras de infraestrutura”, resume.
O setor do comércio e serviços também demonstra solidez. O presidente do Sindilojas, Daniel Amadio, avalia o período com otimismo, citando a capacidade de superação. “Encerramos 2025 com a satisfação de termos superado muitos desafios importantes, fortalecendo o comércio de Bento Gonçalves e região por meio de inovação, qualificação e união setorial. Ao longo do ano, ampliamos parcerias, impulsionamos eventos voltados ao setor de forma estratégica e trabalhamos para garantir melhores condições aos nossos empresários. Os resultados demonstram um setor resiliente, que segue gerando emprego, renda e desenvolvimento”, declara.
Construção civil, metalmecânico e moveleiro
O setor da construção civil na região dos vinhedos apresenta resultados acima da média nacional. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam um crescimento projetado de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor no Brasil em 2025, impulsionado pela criação de mais de 200 mil novas vagas formais.
O empresário Alan Scomazzon, da Molder Estruturas Ltda., reforça a percepção de um mercado aquecido. “2025 foi um ano muito bom à nível de construção civil, o mercado está dinâmico ainda, muito sólido, muitas obras entregues, muitos negócios fechados”, relata. Scomazzon reconhece a preocupação geral com a reforma tributária, mas nota que os investimentos e ampliações de empresas seguem ocorrendo. “Este ano foi maravilhoso, eu não posso me queixar”, afirma.
O cenário indica que 2026 inicia com confiança, exigindo planejamento e visão estratégica para sustentar o ritmo de desenvolvimento da construção civil regional, com destaque para a demanda habitacional e a retomada da faixa econômica.
O setor moveleiro de Bento Gonçalves, um dos pilares da economia regional, enfrenta um desafio significativo com a taxação imposta pelos Estados Unidos sobre produtos importados, impactando as empresas com maior dependência daquele mercado.

O presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul Movergs, Vitor Agostini, aponta que a resiliência das indústrias moveleiras é a chave para superar este momento. “Em 2025, o grande desafio para o setor moveleiro com certeza foi a taxação dos Estados Unidos sobre produtos importados pelo mercado norte-americano. Empresas que tinham os país como maior parceiro de exportação foram as mais afetadas, com diminuição das vendas e, em alguns casos, também da produção. Mas a resiliência é uma característica muito forte das nossas indústrias, que estão conseguindo buscar alternativas para se manterem competitivas tanto no mercado interno quanto no externo”, explica. No entanto, ele esclarece que o faturamento nominal do setor de janeiro a outubro de 2025 foi de R$11,98 bilhões, representando um crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar da queda de 21% nas vendas para os EUA, as exportações totais somaram US$201,15 milhões, uma queda de menos de 1% no total. A Fimma Brasil, realizada em agosto pela Movergs, é destacada como um sucesso de visitação e negócios que aquece a cadeia produtiva.

Pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), a presidente Cíntia Weirich confirma a queda de 27% nas exportações do polo para o mercado norte-americano, classificando a situação como delicada. Ela ressalta a importância da diversificação de parcerias comerciais, algo que já se concretiza com o aumento das vendas para países da América Latina, como Uruguai e Argentina. “Esse cenário confirma a orientação do Sindmóveis sobre a importância de diversificar parcerias comerciais, ou seja, não depender de um mercado específico. Entre as conquistas de 2025, destaco a Movelsul Brasil, que voltou a ocorrer sozinha. A feira realizada em fevereiro deste ano foi maior e mais completa, especialmente com o lançamento do Movelsul Conecta, novo pavilhão que reuniu marcas de móveis planejados, corporativos, decoração e serviços. Já estamos nos preparativos para a 25ª Movelsul, em agosto de 2026, para proporcionar mais um grande evento para o setor moveleiro”, afirma.
Vitivinicultura

Neste ano aconteceram avanços significativos para a área, com conquistas estruturais, promocionais e institucionais. O Consevitis-RS elenca alguns pontos que merecem destaque, como a conquista da unidade móvel de envasamento de vinhos, viabilizada por emenda parlamentar, que atende uma demanda histórica do setor. No campo promocional, consolidam-se as campanhas nacionais do vinho e do suco de uva brasileiros, reforçando a qualidade e a identidade dos produtos. A campanha ‘Vinho Legal’ também avança, promovendo a conscientização sobre a importância da formalidade e da concorrência leal no ambiente de negócios. Na área regulatória, celebra-se a aprovação do parâmetro de brix do suco de uva brasileiro em órgãos internacionais, uma conquista fundamental para o comércio exterior, pois padroniza critérios de qualidade e elimina barreiras técnicas.
Turismo
O setor de turismo de Bento Gonçalves direciona seus esforços para a recuperação, após os impactos da pandemia e, mais recentemente, dos eventos climáticos de 2024. O Secretário da pasta, Henrique Nuncio, define o ano como importantíssimo para a recuperação após as enchentes, em um processo que já vinha da retomada pós-pandemia. “Então 2025 foi para podermos dar essa retomada e conseguir estar próximo aos empreendimentos, às associações, às entidades do setor, e com eles elaborar um planejamento de curto, médio e longo prazo, onde a municipalidade possa apoiar, fazer a promoção do nosso destino, junto ao Brasil e agora também a internacionalização, junto a feiras fora do Brasil”, finaliza.