Segundo o delegado Rodrigo Morale, os criminosos ainda tentaram realizar outros três ataques, mas não tiveram êxito

A Polícia Civil, a Brigada Militar, o GAECO/Serra e a Guarda Civil Municipal prenderam dois integrantes de um grupo criminoso responsável por extorsões e ataques contra revendas de veículos em Bento Gonçalves. As prisões ocorreram nesta sexta-feira, 29, como parte de uma investigação que começou em maio de 2025, após um estabelecimento ser alvo de disparos de arma de fogo.

De acordo com a 2ª Delegacia de Polícia, naquela ocasião o proprietário da revenda já havia recebido mensagens por WhatsApp exigindo pagamento sob ameaça de violência. “Em maio desse ano, uma das revendas de veículos foi atingida por disparos de arma de fogo na vitrine da loja, que era de vidro. Estilhaçou todo o vidro e chegou a pegar, a alvejar alguns veículos. (…) O proprietário da revenda tinha já recebido mensagens de extorsão, se não pagasse o certo valor, a revenda ia ser atacada”, explicou o delegado Rodrigo Morale, responsável pelo caso.

Ataques em novembro repetiram o mesmo padrão criminoso

Após meses de investigação, novos episódios com o mesmo modus operandi ocorreram em novembro. Nos dias 24 e 25, empresários voltaram a receber mensagens de extorsão. Na terça-feira, 25, uma revenda foi incendiada e dois veículos ficaram destruídos. No dia seguinte, outras lojas também foram atacadas com artefatos incendiários.

Ataque com artefato incendiário quebrou vidros de revenda em Bento (Foto: 3ªCiaBM – CBM)

Segundo Morale, após esse novo ataque, um segundo inquérito foi instaurado imediatamente. “A partir desse momento, no inquérito policial que foi instaurado na semana passada, a gente conseguiu identificar que eram as mesmas pessoas que eram os mentores desse tipo de extorsão”, afirmou.

Ele relatou ainda que, após o incêndio do dia 24, os criminosos tentaram promover mais três ataques na noite seguinte, mas não tiveram sucesso. Com a identificação de dois suspeitos, um homem e uma mulher, o delegado representou pela prisão preventiva. A solicitação foi acolhida pelo Ministério Público e decretada pelo Judiciário.

Prisões

O homem foi detido em Nova Roma do Sul e a mulher em Caxias do Sul. Ela tem 45 anos e não possuía antecedentes. Já o homem, de 31 anos, possui diversas passagens policiais, incluindo tentativa de homicídio, extorsão, roubo qualificado, tráfico de drogas, incêndio e receptação.

De acordo com a Polícia Civil, ambos eram responsáveis pela geração e administração dos números de WhatsApp utilizados para enviar as mensagens de extorsão. “No sábado, com o apoio da Brigada Militar, da Guarda Municipal e do GAECO, da Polícia Civil de Bento, a gente conseguiu prender o homem e a mulher. (…) Agora os dois estão no presídio e são os dois que administravam as extorsões”, detalhou Morale.

O delegado Rodrigo Morale conduziu as investigaçãoes

Investigação segue para identificar executores

O delegado informou que o inquérito será concluído até o fim da semana e encaminhado ao Poder Judiciário para os devidos indiciamentos. “Quanto aos outros indivíduos que participavam das execuções dos ataques, esses ainda a gente vai continuar a investigação para identificá-los e também responsabilizá-los criminalmente”, afirmou.

A Polícia Civil reforçou que continua trabalhando para prender os demais envolvidos e destacou que o trabalho integrado entre as forças de segurança foi essencial para o avanço das investigações e para a proteção da população.