Uma mãe afirmou que sua filha apresentava sinais de maus-tratos antes das servidoras serem afastadas
Duas servidoras da Escola Municipal de Educação Infantil (EMI) Primeiros Passos, localizada no Loteamento Tancredo Neves, bairro Conceição, em Bento Gonçalves, foram desligadas do serviço público nesta semana após suspeita de maus-tratos contra crianças. As vítimas seriam cerca de nove crianças, com idades entre 1 e 2 anos.
Uma das mães, que preferiu permanecer em anonimato, relatou à reportagem que só foi chamada para reunião após o afastamento das servidoras. “Me chamaram na escola para ter uma reunião e falar. Só que até então, as diretoras falaram que era só verbal. E não é só verbal. Houve, sim, violência contra as crianças. Elas fazem, sim, maus-tratos contra as crianças. Eu já trabalhei ali, eu sei o que é. A minha filha só está ali porque eu não tenho como manter uma escola particular e não me ofereceram outra vaga”, detalha.
Segundo ela, os primeiros sinais de desconfiança surgiram quando sua filha de dois anos apresentou mudanças de comportamento, como medo e retraimento, além de marcas que eram explicadas como acidentes comuns. Ela também relatou que, durante o período em que trabalhou na escola como auxiliar, cerca de cinco anos atrás, chegou a denunciar as agressões que não foram acolhidas, o que a levou à sua demissão.
A mãe ainda tentou ter acesso às gravações das câmeras de segurança para entender o que acontecia, mas não conseguiu. “Quando a gente chegava lá para pedir as imagens das câmeras, elas sempre davam uma desculpa e nunca contavam realmente o que aconteceu. Para não acusar ninguém injustamente sem provas, a gente não falava nada”, disse à reportagem.
Outra mãe, também mantendo anonimato, contou que a denúncia teria sido feita por alguém dentro da escola. Segundo ela, a direção conferiu as câmeras no final de semana e constatou imagens que mostravam maus-tratos às crianças. As profissionais foram afastadas na segunda-feira, 13, mas apenas alguns pais foram comunicados na terça-feira, 14, à tarde, enquanto o restante das famílias ainda não sabia da situação. Ela afirmou estar profundamente abalada com o ocorrido: “Estou sem chão, São bebês que estavam sendo maltratados. Queremos justiça de verdade.”
As mães destacaram que, embora apenas os pais das crianças diretamente afetadas tenham sido chamados, há indícios de que situações semelhantes podem ter ocorrido em outras salas. “Mesmo se é uma criança mais agitada, isso não deve ser feito”, disse uma das mães.
A Secretaria Municipal de Educação, por meio da secretária Andreza Peruzzo, informou que, ao tomar conhecimento do caso, adotou imediatamente todas as providências cabíveis. As profissionais, contratadas por processo seletivo, foram desligadas do serviço público, as autoridades policiais foram comunicadas e as famílias das crianças foram informadas e acolhidas pela equipe da Secretaria. A secretária destacou que se trata de um caso isolado e que a apuração dos fatos e a responsabilização cabem às autoridades competentes. Por questões de ética e segurança, não serão divulgados nomes das profissionais envolvidas.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Bento Gonçalves. A delegada Deise Salton Brancher Ruschel confirmou a apuração, mas não forneceu detalhes devido ao sigilo do inquérito.