Com mais de quatro décadas de história, a Divine Joias se consolidou como um dos principais nomes da ourivesaria no Sul do Brasil. À frente do negócio, o empresário Flávio Volpato conduz a marca com a combinação de tradição artesanal, inovação tecnológica e um atendimento personalizado. Mais que vender joias, ele preserva um legado familiar e cultural que atravessa gerações.

Uma história que começou com um nome e virou referência

A trajetória da Divine começou com um colega dele, que inicialmente nomeou a loja como “Delvina”, em homenagem à mãe. “No entanto, um amigo nosso sugeriu que ‘Delvina’ não soava muito bem e recomendou o nome ‘Divina’. Assim surgiu a ideia de usar Divine”, relata. O nome permaneceu, mesmo após o colega mudar-se e abrir uma indústria em outro município. “Eu permaneci com o nome. No meu CNPJ, ele está registrado há mais de 30 anos como minha propriedade. E foi assim que tudo começou”, lembra.

Volpato iniciou como ourives, trabalhando artesanalmente, mas logo percebeu a necessidade de evoluir. “Depois, fui industrializando, produzindo joias em série para atender lojas. Hoje, atendemos o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Oeste do Paraná, tanto nas lojas quanto para revendedores de joias”, explica.

Tecnologia de ponta como diferencial competitivo

Ao longo dos anos, a Divine investiu fortemente em tecnologia, destacando-se como pioneira na região. “Dentro da linha de produção, somos os únicos na região que possuem corte e gravação a laser. Também temos fundição com prototipagem, utilizando tecnologia de ponta”, afirma o empresário.
Volpato explica o processo com detalhes: “Desenvolvemos a joia no computador, e ela passa por uma prototipadora, sendo inicialmente feita em resina. Depois, são feitas as réplicas em ouro. Trabalhamos exclusivamente com ouro”, afirma.

O domínio de softwares avançados também faz parte do dia a dia da empresa. Além disso, Volpato conta com uma máquina italiana que há mais de 20 anos realiza cortes, recortes e gravações a laser. “Já os desenhos em relevo são feitos em 3D, utilizando uma tecnologia ainda mais avançada”, ressalta.

Participação ativa nas principais feiras do setor

A Divine está sempre presente nas maiores feiras de joias do país e do mundo, buscando atualização e parcerias estratégicas. “Participamos de feiras, como a Ajorsul. Participamos há muitos anos”, relata.
Em 2025, pela primeira vez, a Divine estará na Feninjer, considerada a maior feira de joias da América Latina, realizada em São Paulo. “Fomos convidados para participar, mas nunca havíamos estado lá antes”, revela.

E os horizontes internacionais também fazem parte dos planos. “Em janeiro, vou para a maior feira do mundo no setor, a Vicenzaoro, em Vicenza, na Itália”, afirma, ressaltando que será o único representante da região nesta missão.

Produtos variados e personalizados: do clássico ao contemporâneo

A diversidade de produtos é um dos pontos fortes da Divine. “Dentro das possibilidades de produção e com a tecnologia que temos, podemos criar qualquer tipo de joia”, enfatiza. O empresário destaca que algumas peças seguem tendências passageiras, enquanto outras são clássicas e atemporais. “Existem joias clássicas que nunca mudam, como pulseiras e gargantilhas”, destaca.

Um exemplo recente de inovação é a joia lançada especialmente para o Dia dos Namorados: uma peça que representa o casal, feita em ouro branco e ouro amarelo.

Além disso, a loja oferece linhas especiais para outras datas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, casamentos e formaturas. “Há peças específicas com gravação e cravação. Para o Dia dos Pais, as opções mais procuradas são correntes com crucifixos ou plaquinhas, para formaturas temos anéis exclusivos”, exemplifica.

Um mercado em transformação acelerada

A evolução do setor de joias é perceptível para quem, como Volpato, está há décadas na área. “Hoje, para acompanhar as mudanças, já não cabe mais aqueles ourives tradicionais que trabalhavam apenas na bancada, desenvolvendo joias manualmente”, analisa.

Segundo ele, a tecnologia trouxe velocidade e precisão. “Uma máquina pode realizar o que um ourives demoraria 10 a 20 vezes mais para fazer. Por isso, é essencial ter tecnologia”, afirma. Ainda assim, a tradição não foi abandonada: “Tenho clientes que sempre me pedem peças diferenciadas e específicas. Por isso, ainda sento na bancada para produzi-las”, pontua.

Público fiel e relações que atravessam gerações

A Divine atende principalmente lojistas e famílias tradicionais, cuja atividade passa de geração em geração. Esse vínculo próximo também gera histórias marcantes. “Depois de tanto tempo, é extremamente gratificante saber que atendi o avô, depois a filha, e hoje atendo os netos. É uma continuidade”, emociona-se.

Porém, o setor também enfrenta desafios, como a insegurança. Volpato relata, com pesar, ter sido vítima de cinco assaltos. “O mais grave foi em 2017, com tiroteio e alguns feridos. A segurança na cidade precisa ser reforçada”, alerta.

Equipe especializada e formação contínua

A mão de obra qualificada é um dos pilares da Divine, mas também um dos maiores desafios. “Sempre trabalhei com uma equipe de 15 ou 16 profissionais. Mas, com a pandemia, tivemos que reduzir. Atualmente, somos 11 e estamos tentando recompor a equipe”, explica.

Formar novos profissionais exige tempo e paciência. “Mesmo que contratemos dez funcionários, às vezes nenhum permanece. Formar um profissional leva tempo. O aprendizado ocorre no latão, não diretamente no ouro”, explica. Ele prefere manter uma equipe enxuta, mas altamente capacitada, capaz de atuar em todas as etapas da produção.

Fornecedores e atendimento personalizado

A qualidade das peças também está diretamente ligada aos seus fornecedores. As pedras preciosas vêm de lapidadores especializados em São Paulo e Minas Gerais. “Para pedras naturais com lapidação diferenciada, contamos com fornecedores que tem tradição na área”, acrescenta.

Além disso, parcerias entre empresas do setor são fundamentais. “Um pode adquirir um maquinário e o outro pode comprar um equipamento complementar. Assim, realizamos uma troca, uma parceria mútua para viabilizar a produção”, explica.

Mais do que tecnologia ou design, Volpato acredita que o que diferencia a Divine no mercado é o atendimento personalizado. “Você me pergunta se eu posso fazer tal peça? Se você estiver disposto a pagar, fazemos qualquer coisa”, comenta, bem-humorado.

Esse atendimento se reflete na recusa de aderir ao e-commerce. “Não funciona bem para joias, cerca de 80% dos clientes são mulheres, e elas querem pegar a peça, colocá-la no pescoço, na orelha, e se olhar no espelho antes de decidir”, argumenta.

O empresário conclui destacando que, além da qualidade dos produtos e do atendimento, há uma preocupação crescente com a segurança pública, que impacta diretamente o setor. Apesar disso, a Divine segue firme, mantendo o equilíbrio entre tradição e inovação, e reforçando sua importância no cenário joalheiro do país. “No ramo aqui na cidade, conhecemos todo mundo e temos uma parceria e amizade muito boa, não temos concorrentes, temos amigos”, conclui.