O Dia das Crianças é uma data dedicada a celebrar a infância e ressaltar a importância de garantir às crianças uma vida plena, com direitos, educação, lazer e proteção. No Brasil, a data é comemorada em 12 de outubro, e sua origem remonta à década de 1920. A comemoração ganhou força a partir dos anos 1960, quando passou a ser amplamente divulgada por campanhas publicitárias e tornou-se também um momento de confraternização e presentes. Mais do que uma celebração, o Dia das Crianças busca lembrar a todos a importância de cuidar, respeitar e investir no futuro dos pequenos, que representam o amanhã da sociedade.
De acordo com o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Bento Gonçalves (Comdica), Nadir Antônio Zeni, o Dia das Crianças é um momento de reflexão. “Toda a sociedade celebra a infância e reforça seu papel sobre a importância de seus direitos, promovendo bem-estar, saúde e educação. É uma data para fortalecer os vínculos familiares, a afetividade, o diálogo e, principalmente, a presença no cotidiano dessas crianças e adolescentes”, destaca. Para ele, um dos maiores desafios atuais é levar conscientização à população. “Se temos aumento de violação de direitos envolvendo crianças e adolescentes é porque a sociedade, de modo geral, está falhando”, expressa.

Principais violações
O presidente destaca que, no município, existem diversas formas de violação, mas ressalta principalmente o bullying, o cyberbullying e a violência sexual.

Parcerias
Zeni conta que a rede de proteção tem recebido apoio constante do Comdica, tanto financeiro quanto em capacitações de seus agentes. “Hoje, tanto as ações do governo municipal com apoio do Conselho quanto os serviços ligados à rede de proteção são referência nacional. Por óbvio que temos que melhorar, buscar novas alternativas e novas ações. Isso somente acontece quando temos participação da sociedade. Uma andorinha não faz o verão”, comenta.

Papel dos pais
Os pais são fundamentais na proteção, formação e desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. São os primeiros responsáveis por oferecer um ambiente seguro, afetuoso e estruturado, no qual os filhos possam crescer com valores, limites e respeito. “Havendo ambiente doméstico adequado, uma relação saudável na família e, principalmente, diálogo. Aliás, o diálogo, abordando estes e outros temas, é o melhor remédio para todos os males modernos. Seja o verdadeiro amigo do seu filho ou filha”, aconselha Zeni. Segundo ele, quando a família cumpre seu papel de base emocional e moral, contribui diretamente para a construção de uma sociedade mais consciente e comprometida com a proteção da infância.
Cultura do cuidado
De acordo com o presidente, incentivar uma cultura de cuidado e respeito à infância começa pelos princípios e pela educação dentro de casa. “Nenhuma criança nasce violenta ou desrespeitosa. Condutas e atitudes são inerentes à família”, destaca. Ele ressalta que o exemplo familiar é essencial na formação de valores, enquanto a escola tem papel complementar nesse processo. No município, diversas ações têm sido promovidas pelas Secretarias de Educação Municipal e Estadual, com capacitações voltadas aos educadores para o melhor entendimento e identificação de possíveis violações de direitos, fortalecendo a rede de proteção e o compromisso coletivo com a infância.
Zeni destaca ainda que o afeto, a escuta e a presença familiar são pilares essenciais na proteção infantil. “Quando tens esse trinômio relacionado à proteção infantil, raramente encontrarás uma violação de direitos ou um jovem desestruturado”, afirma. Para ele, o envolvimento emocional e a atenção constante dos pais ou responsáveis fortalecem os vínculos familiares e criam um ambiente de segurança e confiança. O diálogo aberto e o cuidado afetuoso permitem que a criança se desenvolva de forma saudável, prevenindo situações de vulnerabilidade e contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e emocionalmente equilibrados.
Zeni conta que a articulação entre o poder público, as entidades e a comunidade civil é constante. “Essa articulação é diária. Lembrando que 50% dos componentes do Comdica são representantes do município, de diversas áreas, e os outros 50% são da sociedade civil”, explica. Essa composição equilibrada garante que todas as decisões, ações e sugestões sejam amplamente debatidas, assegurando uma visão plural e colaborativa. Segundo ele, essa troca contínua é essencial para o melhor atendimento das demandas e para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes no município.

Denúncias
O presidente menciona que a população pode colaborar com a rede de proteção de diversas maneiras, seja por meio de denúncias, da participação em campanhas ou do apoio a projetos sociais. “De todas as formas. Porém, em relação às denúncias, existe muita omissão e desinformação”, ressalta. Ele destaca que há casos em todo o país de “violência anunciada” que poderiam ter sido evitados se houvesse uma participação mais efetiva da sociedade. Segundo o presidente, muitas vezes, após a ocorrência dos fatos, surgem manifestações terceirizando responsabilidades, como se a rede de proteção tivesse pleno conhecimento do local, da hora ou da família onde a tragédia aconteceria. Por isso, ele reforça que a colaboração e a vigilância comunitária são fundamentais para prevenir violações e fortalecer a proteção à infância e à juventude.

Mensagem final
O presidente menciona que este é um momento importante para que toda a sociedade reflita sobre seus atos e responsabilidades. “Recuperar pode ser extremamente doloroso e com graves consequências. Também sou pai de crianças e sei quanto é difícil, nos dias atuais, proteger de forma adequada nossos filhos”, afirma. Ele reforça que a proteção à infância exige união e comprometimento coletivo. “Se abraçarmos a causa de forma coletiva, participando, sugerindo, buscando orientações e diálogo, talvez conseguiremos subir a escada, degrau a degrau”, finaliza.