Com o crescimento do mercado pet e o vínculo cada vez mais forte entre tutores e animais, o processo de cremação deles vem se consolidando como uma alternativa sensível, limpa e regulamentada para a despedida dos companheiros de quatro patas, sendo poucos estabelecimentos do tipo no Estado.

Segundo Everton Bernardi, sócio-proprietário do Amity Crematório Pet, a cremação ainda é um processo em evolução, especialmente nas regiões do interior. “Muitas pessoas, principalmente aqui na Serra, ainda optam por enterrar o pet, por terem terreno ou espaço em casa. Mas isso não é o mais correto, sendo o nosso trabalho divulgar a cremação como um processo mais limpo e sensível, uma forma de despedida que respeita o animal e o meio ambiente”, explica.

Um processo controlado e acolhedor

O processo de cremação segue etapas bem definidas, desde o acolhimento do tutor até a devolução das cinzas. “A gente faz um trabalho personalizado, com todo o carinho possível. Tentamos dar para o dono o melhor acolhimento. Criamos a empresa com o propósito de ter todas as características de um crematório humano: ambiente tranquilo, claro, acolhedor, sem nada que remeta à tristeza”, afirma Bernardi.

No espaço, há uma sala de despedida, onde os tutores podem levar o animal e dar adeus com tranquilidade. “A ideia é que a pessoa tenha um momento bacana”, diz.

Sala de despedida em Garibaldi

O processo de cremação em si é altamente controlado. “É regido por normas estaduais pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), que faz a regulamentação dos crematórios. Os equipamentos têm controle total de emissão de gases, é um processo extremamente limpo e seguro”, detalha Bernardi.

Tipos de cremação

Há dois tipos principais: individual e coletiva. “O processo é praticamente o mesmo, mas na individual o pet é cremado sozinho, e as cinzas devolvidas ao tutor. Já na coletiva, o processo é compartilhado com outros animais, e por isso o custo é menor”, explica Bernardi.

O tempo médio da cremação varia conforme o porte do animal, mas os fornos e tecnologias utilizados seguem o mesmo princípio dos crematórios humanos, apenas em escala reduzida.

Uma forma de lidar com o luto

Mais do que um procedimento técnico, a cremação tem um papel emocional importante. “O objetivo é proporcionar conforto e acolhimento. Os animais trazem uma felicidade gigantesca, e acreditamos que a despedida deve ter o mesmo carinho que o tutor ofereceu durante toda a vida do pet”, ressalta.

Everton Bernardi

Mercado em expansão

O mercado pet brasileiro está em plena ascensão, ocupando a terceira posição no ranking mundial de maior mercado pet, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China, conforme pesquisa publicada ano passado pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET) em relação a 2023, onde o setor movimentou aproximadamente R$ 60 bilhões no país, com crescimento médio anual de 13,5%. “Basta ver o aumento de clínicas veterinárias, pet shops e produtos especializados. As pessoas estão muito mais apegadas aos animais, e isso reflete também na forma de lidar com a morte deles. O valor que está sendo dado é muito maior do que no passado”, observa Bernardi.

Ele acredita que no futuro vai ser a opção existente, pois não terá terrenos para enterrar. “Além de haver riscos de contaminação no solo, cremar se torna a solução também porque a maioria das pessoas moram em apartamentos, as leis estão cada vez mais exigentes e há a proximidade maior das pessoas com os animais de estimação, que só trazem felicidade”, completa.

Além da cremação, novas formas de memorialização dos pets vêm ganhando espaço, como urnas personalizadas, jardins memoriais e lembranças simbólicas com as cinzas. Na Serra Gaúcha, em Nova Petrópolis há também um cemitério só para animais desde 2013. Existem duas modalidades de sepultamento: cemitério parque e comunitário. Na modalidade parque, o animal é sepultado em um túmulo individual, e o local conta com uma capela para homenagens e cerimônias de despedida. O sepultamento é feito mediante agendamento prévio. Caso não haja disponibilidade no dia do falecimento, o corpo é mantido em câmara fria na clínica até a data marcada para o sepultamento.

Para Bernardi, o futuro do setor é promissor. “A cremação de pets vai continuar crescendo nos próximos anos. Nosso papel é mostrar que é possível se despedir com respeito, amor e consciência ambiental”, finaliza.

Riscos de enterrar no jardim de casa

Dar esse fim ao animal pode acarretar diversos problemas.
Principais riscos ambientais e à saúde:

  • Contaminação da água: o necrochorume (líquido da decomposição) pode infiltrar no solo e atingir o lençol freático, contaminando a água subterrânea que pode ser utilizada em poços;
  • Proliferação de vetores: o cheiro e os líquidos gerados pela decomposição atraem pragas como moscas, baratas e ratos, que podem transmitir doenças para humanos e outros animais;
  • Risco de zoonoses: se o animal morreu de uma doença contagiosa (zoonose), o corpo pode espalhar essa doença para outros animais e pessoas que entrarem em contato com o local contaminado;
  • Riscos para outros pets: animais domésticos podem cavar o local ou ter contato com o material, aumentando o risco de contraírem doenças ou parasitas.

Questões legais e de saúde pública:

  • Crime ambiental: enterrar um animal em local inapropriado, como um quintal, pode ser considerado um crime ambiental. Na lei, o enterro irregular pode ser enquadrado no Art. 54. da Lei Federal 9605/1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e prevê pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa;
  • Irregularidade: a prática é vista como uma destinação inadequada de resíduos, especialmente em áreas urbanas, por questões sanitárias e ambientais.