A Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves promoveu um debate com o superintendente Regional de Relações Institucionais da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Lutero Cassol, na Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento e Bem-Estar Social. O encontro teve como pauta principal as obras de expansão do sistema de esgotamento sanitário que estão em andamento no município.
Participaram da reunião os vereadores Duda Pompermayer (Progressistas), Volmar Giordani (Republicanos), Postal (PL), Moisés Scussel (MDB), Paulo Souto (PSDB), Volnei Christofoli (PP), Edson Rogério Biasi (PP) e Thiago Fabris (PP), este último presidente da Comissão Técnica Parlamentar. Durante o debate, os parlamentares apresentaram questionamentos e demandas da comunidade para que Cassol pudesse esclarecer e responder.

Esgoto
Durante o encontro, Cassol apresentou dados sobre o tratamento de esgoto no município, que atualmente alcança em torno de 6%. Ele destacou que a meta é atingir 45% até 2028 e chegar a 90% até 2033. “Temos que alcançar parte desse percentual em apenas três anos, o que exigirá muito esforço. Vai causar transtornos, sim, mas com várias frentes de trabalho é possível e necessário”, afirmou.
Cassol explicou como funcionará o percentual de esgoto tratado na cidade, que faz parte das ações para cumprir o Marco Legal do Saneamento, que estabelece que, até 2033, 99% da população deverá ter acesso à água potável e 90%, à coleta e ao tratamento de esgoto.
O gestor destacou a importância da união de esforços para avançar, mesmo diante dos transtornos. “Vamos ter desgaste, vamos ter transtornos, mas precisamos acelerar o passo. Se for necessário, teremos que ampliar ainda mais as frentes de trabalho. Sei da legitimidade das reclamações da comunidade, mas precisamos ser claros: estamos fazendo porque assumimos esse compromisso e porque a lei nos obriga. Agora, é acelerar o passo. Reconhecemos o transtorno, mas temos que acelerar as obras com qualidade, dentro daquilo que o município julga que fique adequado”, completou.

Corsan e município
Cassol explicou que a comunicação com a Prefeitura para a execução das obras é feita diretamente com o IPURB, setor responsável pelo planejamento urbano e pelo saneamento. Segundo ele, a Corsan busca alinhar suas obras com as intervenções municipais, mas nem sempre é possível conciliar os cronogramas. “A velocidade da obra de asfalto da Prefeitura pode não acompanhar a velocidade da obra da Corsan”, observou.
O gestor destacou ainda que a Companhia atende 317 municípios e já possui um planejamento anual de investimentos para expansão de água e esgoto. Alterar esse cronograma, seja antecipando ou postergando obras, gera dificuldades. “Antecipar exige mexer em toda a receita e despesa projetada. Postergar nos coloca em conflito com a lei 11.445, que obriga a execução dos serviços”, explicou. Apesar dos desafios, Cassol afirmou que a maioria dos projetos podem ser ajustados em parceria com os municípios.
Cassol reconheceu as dificuldades enfrentadas na execução das obras de saneamento, ressaltando o desafio de qualificar e manter as empresas responsáveis pelo serviço. Segundo ele, passamos décadas sem nos preocupar com a coleta e tratamento de esgoto, mas, agora, é necessário fazer mais. “É um desafio gigantesco. Nós vivemos toda a vida sem tratar esgoto e agora a lei veio nos obrigando a fazer, e nós temos que cumprir. É uma consciência individual e coletiva”, afirmou.

Fatura de esgoto
Ele esclareceu que o valor da fatura de esgoto não representa um aumento na conta de água, mas sim a cobrança por um serviço adicional e independente, baseado no volume consumido. “O serviço de esgoto é muito mais oneroso que a água, e a única relação com a fatura da água é para facilitar o cálculo. Se o consumidor não utilizar água, por exemplo, ficando fora de casa o mês inteiro, não haverá cobrança de esgoto”, explicou. Ele detalhou o cálculo: de uma fatura de R$ 150, aproximadamente R$ 50 correspondem à tarifa básica e demais taxas; sobre os R$ 100 restantes de consumo de água, aplica-se 70% para o esgoto, ou seja, R$ 70. “Essa proporção existe porque estudos indicam que, do total de água consumida em uma residência, cerca de 70% retorna como esgoto cloacal. Por isso, a cobrança é calculada sobre esse percentual do volume de água consumido”, completou.

Chamados
Cassol explicou que a Corsan dispõe de uma pessoa dedicada exclusivamente a atender a um grupo de WhatsApp voltado para chamados da comunidade. “Todos os líderes comunitários estão nos grupos e, quando surge algum problema, a solicitação vai direto para ela. É obrigação dessa pessoa abrir a ordem de serviço, acompanhar a execução e retornar a resposta para quem solicitou. Os vereadores também podem pedir para serem adicionados aos grupos, caso ainda não estejam”, afirmou.