Com raízes no interior de Bento Gonçalves, o Veríssimo de Matos é mais do que um time amador: é uma comunidade que aprendeu a resistir, se reinventar e celebrar unida. A história do clube se confunde com a do próprio distrito de Veríssimo de Matos, de onde vem a maior força da equipe: o apoio incondicional dos moradores, presentes em peso nos jogos, seja em casa ou fora.
O começo foi modesto, como lembra o treinador Michel Silva. O time iniciou sua trajetória no Campeonato Colonial de Futsal com poucos jogadores e usando uniforme emprestado. Não havia estrutura própria, mas sobrava vontade. Dessa fase inicial até hoje, três atletas seguem como símbolos de fidelidade e persistência: Nado, Giuly e Alisson, remanescentes desde a fundação e referências dentro e fora de quadra, sendo Alisson Brum o presidente atual.

Se a caminhada teve vitórias marcantes, também foi atravessada por um dos momentos mais difíceis da história recente. A enchente de 2024 destruiu a sede do clube e deixou Veríssimo de Matos coberta por lama e água. Famílias inteiras passaram a depender de doações até para se alimentar. Em meio ao cenário de tragédia, o futebol virou refúgio emocional.
Foi justamente nesse ano que o clube viveu seu período mais emblemático. Mesmo sem estrutura e em meio ao sofrimento coletivo, o time conquistou seu primeiro título do Campeonato Colonial de Futsal e foi campeão municipal de futebol de campo, ambos de forma invicta. Um feito que ganhou ainda mais significado por ter levado um pouco de alegria a uma comunidade ferida, como destaca o treinador.
As conquistas não pararam por aí. O clube foi bicampeão do Colonial de Futsal em 2025. Resultados construídos com base na manutenção de atletas e mudanças pontuais, sempre preservando o espírito de grupo.

Sem sede própria e com recursos limitados, o Veríssimo de Matos sobrevive graças ao voluntariado e à união. “Todo mundo ajuda de alguma forma”, resume Michel Silva. Essa lógica coletiva também se estende à torcida, que tem em dona Isolda Buffon um símbolo. Moradora local, ela está presente em todos os jogos, independentemente da distância, sempre com alegria e alto astral, representando o elo entre o time e suas origens.
Manter-se ativo no futebol amador de Bento Gonçalves, no entanto, não é tarefa simples. O treinador aponta o abandono do poder público como um dos principais desafios enfrentados pelas equipes do interior. Ainda assim, o Veríssimo de Matos segue em frente, com planejamento e o objetivo de, no futuro, conquistar uma estrutura própria.
Mais do que títulos, o clube carrega uma filosofia clara: ser um time de amigos, aberto a jovens talentos, que representa a comunidade. Dentro de campo, disputa campeonatos. Fora dele, joga diariamente pela memória, união e esperança de um lugar que encontrou no futebol uma forma de seguir em pé.