BATE, BATE CORAÇÃO!

Esses dias assisti um debate num órgão de imprensa de televisão em que o Prefeito de Bento Diogo Siqueira vociferava críticas ao Governo Federal por adotar o Bolsa Família. É claro que é aplaudido “ouvi elogios à postura do Prefeito de Bento até quando eu estava esquiando no Vale Nevado”, no Chile, me disse um empresário recentemente. Mas mais de 60 milhões de brasileiros se alimentam do Bolsa Família, “se não fosse assim milhões de brasileiros seriam jogados de volta a extrema miséria” disse o Presidente Lula. Tamanha é a preocupação com isso que Bolsonaro manteve, com outro nome, o Bolsa Família, mesmo sabendo que é a expressão máxima da cadeia produtiva sustentando a cadeia improdutiva e sabendo também que o mal (ganhar sem trabalhar, má vontade, ociosidade, problemas sociais que derivam de famílias empobrecidas, desajustadas, sem norte) prolifera mais do que o bem e, assim, o futuro é nada promissor. Não ouço o Prefeito dizer o que ele faria com a pobreza brasileira sem o Bolsa Família, nem com os jovens que não tem mais alento, não querem trabalhar, não tem ambição, não tem espírito empreendedor, que está levando ao mercado de trabalho pessoas não qualificadas que são, a meu ver, muito mais danosas, ao futuro do país, do que as pessoas que não trabalham e vivem do Bolsa Família. Temos que apostar no futuro e, para mudar, é preciso estar lá, comandando o país, transformando, e, como se chega lá? Pelo voto! E como se ganha o voto? Conquistando! E como se conquista? Criticando o Bolsa Família?

O MEU DISCURSO

A imprensa está perdendo a força, não é o impresso, toda e qualquer carta do namorado para a namorada faz sucesso se tiver conteúdo. Com o advento da mídia social, tudo se traduziu numa corrida comercial, editam-se livros com objetivo comercial incentivados pela Lei de Incentivo a Cultura (que cultura?) depois morrem nas prateleiras, e aplaude-se a crítica ou projeta-se a catástrofe humana para chamar audiência. Perdemos nossos melhores jornalistas, matéria humana que não se renovou, por deficiências na estrutura familiar, na qualidade do ensino, na deformação de um mercado profissional movido a interesses, que não dá espaços a gente de opinião construtiva e reconhecimentos a valores culturais. Assim não teremos um futuro melhor teremos, apenas um futuro com mais gente, menos educação, menos saúde, menos ferrovias, menos rodovias, menos tudo e mais gente em meio as quais “criticar soma mais do que mostrar caminhos”.

A MINHA VISÃO

Não olho para o céu e vejo, olho para o céu e agradeço por ter nascido em Bento, por ser de Bento e por ter feito muito por Bento. Temos um povo que veio da imigração, com a têmpera do trabalho, temos uma migração saudável, temos pessoas correndo para fugir dos aluguéis altos, não temos logística adequada para buscarmos o saber das escolas noturnas, não temos lazer para os jovens da forma com que eles gostariam de ter, não temos qualidade de vida, não figuramos entre os municípios que tem, o povo está satisfeito porque está resignado, é um povo bem estruturado consciente de que o segredo da felicidade está em se contentar com o que se tem, porque o que temos, bem está longe do que gostaríamos de ter. Daí os conflitos sociais que redundam em mais de dois assassinatos por mês, não sabemos porque, nem por parte das autoridades policiais, nem por parte das LIVES do PREFEITO nem do CONSEPRO, que arrecada milhões em favor da segurança pública. Esse contexto todo faz com que quando o MDB, que parece morto e sepultado no meio das entranhas da Gestão Pública Federal, sem forças para ser ele mesmo, fala, através de seus Membros Municipais, em falta de transparência e cochilos de gestão, e causa alvoroço. Como pode uma coisa dessas? Temos um Prefeito idolatrado lá fora e fragilizado aqui dentro, confuso em suas LIVES, achando que uma estrada ligando o bairro Zatt ao Cohab, ou construindo aquela ciclovia faraônica no Vale dos Vinhedos, coisa certa no lugar errado, ou melhorias no Vale pela magia do turismo, vão nos sensibilizar? Daqui uns anos, quando os espigões florescerem em Bento, quando não será suficiente termos mais dois hospitais mas sim três, quando o sistema viário não tiver mais solução, quando chegarmos a conclusão de que a construção da Central de Polícia no lugar errado pois vai acabar com uma via de acesso importante a cidade e, traduzir um local de cultura, audiências judiciais, esporte, em conflitos de interesses em meio a sirenes, presos conduzidos, saídas velozes e emergenciais nada discretos dos aparelhos de segurança. Aí, vamos fazer o que? E os Vereadores, que se encontrarem um ex Bolsa Família na rua, vão homenageá-lo por ser um herói nacional? A julgar pela proliferação de homenagens dá para deduzir que há um loteamento delas, o que denigre o Legislativo e constrange os merecedores de homenagens. E, assim, vamos vivendo de amor por aqui, amor aos interesses, amor ao dinheiro, ao capitalismo selvagem, não é assim? Mas, se não, não é, porque deixamos transparecer?

O QUE REALMENTE TEMOS?

Vou pegar pelo lado que o Prefeito pega, o Bolsa Família, e apontar que “o que não temos e o que precisamos tem mais importância do que o que já temos”. Temos um dos maiores patrimônios culturais públicos do Estado, a FERVI, mas não temos uma UNIVERSIDADE, temos um CAMPUS, e sofremos o constrangimento de vermos uma Faculdade de Medicina ser implantada dentro do TACCHINI pela UNIVATES e não na FERVI, que brotou a ferro e fogo, uma luta insana em meio a retaliações, brigas, desavenças, mas que agora, em paz, está lá decidindo, em foro íntimo, se vai renovar ou não o Convênio com a UCS. A Universidade Federal decidiu, ou consentiu com o movimento político, vai instalar um Campus na região, está em busca de um local, chegou a cogitar um local em Farroupilha, o investimento é de milhões, o beneficie é fantástico, se viu Bento lutar pelo CAMPUS? Se vê a Fervi provar que suas dependências são adequadas, ou a FERVI não tem a força e a coragem de transformar o CAMPUS DA UCS também em CAMPUS DA UFRGS? E as lideranças, as tais de FORÇAS VIVAS cuja mobilização Brizola tanto defendia, apenas contemplam CAXIAS FAZENDO POR CAXIAS? Não estaria faltando um estudo e consciência de como Bento foi construída no passado? Com que coragem também construímos uma VIA DEL VINO, quatro belas praças públicas decantadas em prosa e verso? E, também questionar, perderíamos a HAVAN e o BOULEVARD? O então Deputado Federal DARCY POZZA foi o mentor e canalizador de verbas que possibilitaram a construção do estádio Montanha dos Vinhedos. Eu era Presidente do Conselho do Clube que estava sem patrono. Em reunião sugeri DARCY POZZA como PATRONO, uma homenagem que considerava justa, para ser democrático propus outros dois nomes, teve um “tchó” que levantou e disse “não é bem assim, temos que analisar melhor” os demais Conselheiros ficaram quietos deixei o assunto por isso mesmo. Mais tarde, elegeram o irmão de DARCY como PATRONO, como “homenagem póstuma”. Patético! Agora, eu estou defendendo que o estádio MONTANHA DOS VINHEDOS, nome eleito pelos torcedores (que torcedores?), tenha o nome de ESTÁDIO DARCY POZZA, tirem o nome dele do Ginásio de Esportes, que também foi ele que construiu via verbas Públicas Federais, pois é uma homenagem muito pequena diante de muito que ele fez em favor do Esporte de Bento, inclusive como atleta e Presidente do Clube. Mas sabe o que está acontecendo? Tem gente oferecendo forte oposição a essa ideia, mas, me digam, são a favor do que, MONTANHA DOS VINHEDOS? Nem vinhedos tem por lá, a MONTANHA não construiu o estádio, não foi desportista emérito, PEQUENEZ? Pequenez não é também o nome daquele jogador do Palmeiras? Tem mais: o crescimento desordenado do VALE DOS VINHEDOS, contrastando com o crescimento ordenado do CAMINHOS DE PEDRA. Porque deixaram o VALE crescer daquele jeito DANDO DE SI, sem um plano diretor? Porque foi preciso a interferência da Promotoria Pública conduzida no sentido da elaboração de um PLANVALE que abrigue os interesses de GARIBALDI, que promete “invadir o Vale”, da esplendorosa MONTE BELO em torno de quem “o que vier vem bem”, ou da complacente Bento, invadida em seus valores tradicionais mas sem força e/ou razão para conter os investimentos imobiliários. Feito o plano, veio a constatação “para manter as características tradicionais do Vale, é preciso que tudo agora fique como está”, posição contrária aos interesses de quem está investindo ou vai investir no Vale”. Ai veio a ação, conciliatória, do Legislativo via ANDERSON ZANELLA, bastou que ele dissesse vamos elaborar um plano alternativo, para conciliar os interesses, para caírem de pau pra cima dele. Qual a alternativa que se tem a não ser uma posição conciliatória, mesmo que o estudo feito não seja a favor? O que diria uma LIVE DO PREFEITO a respeito desse conflito de interesses, DEIXA TUDO COMO ESTÁ PARA VER COMO É QUE FICA? A APROVALE, defensora dos aflitos, ouvida, DISSE: “blá, blá, blá, blá, blá, blá”, não apontou caminhos.

CONCLUSÃO

A minha visão? O Vale, no trecho da Busa até a divisa de Monte Belo, não tem solução a não ser uma alternativa conciliatória. Mas, do outro lado do Vale, onde está a Casa Valduga, aí sim, tem que defender a sua integridade, não porque a Casa Valduga está ali, mas porque representa, na sua íntegra nossa tradição Vitivinícola.

A foto é do CAMINHOS DE PEDRA e diz respeito também ao VALE DOS VINHEDOS, primeiro deixa-se construir, comprar, vender, elaborar projetos, depois se embarga?