Com a chegada do calor e o aumento da exposição ao sol, a pele, o maior órgão do corpo humano, passa por uma série de mudanças que exigem atenção especial. As altas temperaturas, o suor excessivo, o uso mais frequente de piscinas e o contato com a água do mar podem alterar a oleosidade natural, favorecer o surgimento de acne, irritações e ressecamento, além de aumentar o risco de manchas e queimaduras solares.

Uso de protetor solar
De acordo com a médica dermatologista Thaísa Hanemann, o cuidado essencial é a utilização de filtros solares. “A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo envelhecimento precoce e pelo câncer de pele, e é algo que podemos evitar. O uso diário de protetor solar é fundamental, assim como a hidratação, que não deve ser deixada apenas para o inverno”, reforça.
A médica alerta que o uso do protetor solar é essencial não apenas no verão, mas em qualquer época do ano. “O protetor deve ser usado todos os dias, faça sol ou chuva. A radiação Ultravioleta A (UVA) e Ultravioleta B (UVB) está presente durante todo o dia, inclusive em dias nublados”, recomenda.
Durante o verão, segundo ela, o fator de proteção recomendado é superior a 50, com reaplicação a cada duas horas em caso de exposição direta ao sol. “Em atividades aquáticas ou esportes com muito suor, é necessário reaplicar o produto logo após cada mergulho ou transpiração intensa”, explica.

Thaísa Hanemann, médica dermatologista


O aumento das temperaturas não apenas altera a oleosidade e a hidratação da pele, como também pode agravar condições dermatológicas pré-existentes. A médica explica que o calor pode intensificar doenças que causam manchas e sensibilidade, como o melasma e a rosácea, servindo de gatilho para vermelhidão e sensação de queimação no rosto. “Devemos evitar o calor extremo sempre que possível. Um exemplo muito simples é aguardar o carro resfriar antes de embarcar em dias muito quentes”, orienta.
Ela menciona que pessoas com pele muito clara, que não se bronzeiam e apenas ficam vermelhas, devem ter cuidado redobrado e reaplicar o protetor com mais frequência. “Entre 10h e 16h, durante atividades aquáticas ou com transpiração intensa, a reaplicação deve ser imediata após o contato com a água ou o suor”, pontua.

Diferenças entre protetores
Thaísa observa que a cosmética de cada protetor solar é individual, variando conforme o tipo de pele. As peles oleosas se adaptam melhor a fórmulas leves, com rótulos como oil free, toque seco ou anti-oleosidade. Os protetores em gel ou creme garantem melhor cobertura na aplicação inicial, enquanto os sprays são práticos para reaplicações rápidas desde que aplicados de forma uniforme. Já os bastões têm ótima resistência à água e ao suor, sendo ideais para esportes e mergulho. “É importante aplicar o bastão quatro vezes no mesmo local para atingir a quantidade correta. Recomendo aplicar uma camada de protetor solar em creme e, depois, o bastão”, salienta.

Além do protetor
A dermatologista ressalta que o filtro solar é uma ferramenta essencial, mas não uma “licença” para se expor ao sol sem limites. “Prefira a sombra e use proteção física: roupas com mangas longas, tecidos de trama fechada ou com proteção UV, chapéus de aba larga e guarda-sóis. Essas medidas são simples e muito eficazes”, recomenda.

Hidratação e calor
Ela explica que, com o aumento das temperaturas, a pele tende a perder água com mais facilidade, tornando-se mais suscetível ao ressecamento e à irritação. “Hidratar é essencial para manter a barreira cutânea íntegra e evitar descamações ou irritações. O melhor momento para aplicar o hidratante é logo após o banho, com a pele ainda úmida. No verão, prefira produtos mais leves, como loções ou gel-creme”, orienta.

Como saber se a pele está sofrendo com o calor
A especialista destaca que a vermelhidão é o sinal mais evidente de agressão solar, mas o bronzeado também deve servir de alerta. Segundo ela, o escurecimento da pele é uma resposta de defesa contra o dano causado pelos raios solares, e não um indicativo de saúde. “Cada bronzeado representa uma pequena lesão no DNA das células, e esses danos se acumulam ao longo dos anos, aumentando o risco de câncer de pele e acelerando o fotoenvelhecimento”, explica.
Thaísa reforça que, em casos de queimaduras solares, a primeira medida deve ser interromper imediatamente a exposição ao sol e ao calor, já que a pele se encontra extremamente fragilizada. “É comum vermos pessoas na praia com queimaduras, com a pele pedindo ‘socorro’”, alerta.

Aparecimento de lesões
Ela recomenda o uso de roupas leves e soltas, permanecer em ambientes frescos e tomar banhos frios para aliviar o desconforto. A hidratação, segundo a especialista, é indispensável e deve ser feita com cremes, gel-cremes ou loções hidratantes sem fragrância ou álcool, aplicados pelo menos duas vezes ao dia até a melhora do quadro. “Uma dica é manter o hidratante na geladeira para proporcionar maior alívio. Em casos de bolhas grandes, febre, dor no corpo ou mal-estar, é fundamental buscar atendimento médico”, orienta.
Thaísa ressalta que, independentemente de serem lesões novas ou antigas, todas devem ser avaliadas por um dermatologista. “Recomendamos que a população em geral faça uma revisão de pele anual”, afirma. Ela explica que existe a chamada regra do ABCDE, que auxilia na identificação de pintas suspeitas: A de assimetria, B de bordas irregulares, C de cores diferentes em uma mesma pinta, D de diâmetro maior que 6 mm e E de evolução quando há mudanças recentes no tamanho, formato ou cor.

Doenças de pele mais comuns
A dermatologista explica que, além das queimaduras solares, outra condição bastante comum durante o verão são as fitofotodermatoses, inflamações causadas pelo contato da pele com substâncias fotossensibilizantes, seguido de exposição ao sol. “Essas reações podem provocar vermelhidão, bolhas e, posteriormente, manchas escuras e duradouras”, alerta. Segundo ela, o limão é o exemplo mais conhecido, mas outras frutas e plantas também podem causar o problema, como bergamota, laranja, figo, cenoura, salsinha e arruda. Para prevenir, a especialista recomenda lavar bem a pele após o contato com esses alimentos e evitar a exposição solar nas horas seguintes ao manuseio.
A dermatologista acrescenta que as reações alérgicas a picadas de insetos também estão entre as causas mais comuns de lesões de pele durante o verão. Ela destaca que a combinação de calor e umidade favorece a proliferação de mosquitos e outros insetos, aumentando os riscos de irritações e inflamações cutâneas. “O uso de repelente é indispensável e deve ser feito sempre após a aplicação do protetor solar”, orienta.
A dermatologista alerta ainda para as queimaduras causadas por águas-vivas, comuns nas regiões litorâneas durante o verão. Em caso de contato, ela orienta que a pessoa saia imediatamente da água e lave o local com água do mar, nunca com água doce, para evitar que os nematocistos, estruturas que liberam toxinas, sejam ativados. “Não esfregue a pele nem use toalhas, pois isso espalha as substâncias tóxicas. Aplique vinagre e remova os tentáculos restantes cuidadosamente com uma pinça”, explica.
A dermatologista explica também que, entre crianças e adolescentes, a miliária, popularmente conhecida como brotoeja, é uma condição bastante comum durante o verão. O problema ocorre devido à obstrução das glândulas de suor, favorecida pelo calor e pela transpiração excessiva. “Para evitar o problema, mantenha o corpo fresco com roupas leves e de algodão, ambientes bem ventilados, banhos mais frequentes em dias muito quentes e hidratantes de textura leve”, orienta.

Cuidados para crianças e idosos
A dermatologista destaca que a infância é a fase da vida em que mais nos expomos ao sol, o que exige atenção redobrada com a proteção da pele. “Sabemos que cerca de 80% da radiação solar recebida ao longo da vida ocorre na infância. Porém, é justamente nesse período que o nosso material genético está mais vulnerável a alterações e ao desenvolvimento de câncer no futuro”, alerta.
Segundo ela, uma única queimadura solar na infância já é considerada fator de risco para o melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele. Por isso, a especialista recomenda que as crianças usem roupas com proteção UV e protetor solar com FPS igual ou superior a 50, preferencialmente resistentes à água e com filtros físicos, como óxido de zinco ou dióxido de titânio. Para bebês com menos de seis meses, a orientação é evitar a exposição solar, já que o uso de protetor não é indicado nessa faixa etária.
Além disso, Thaísa lembra que é importante proteger as crianças também contra picadas de insetos. “O uso de repelentes é recomendado a partir dos seis meses de idade. Antes disso, o ideal é utilizar mosquiteiros e roupas adequadas. Os produtos à base de IR 3535 ou icaridina podem ser usados a partir dos seis meses, enquanto os com DEET somente após os dois anos”, explica.
A especialista reforça ainda que os idosos também precisam de cuidados intensos com o sol. “As pessoas costumam falar em ‘manchas da idade’, mas elas não são da idade, são do sol. Basta comparar o braço, que fica sempre exposto, com a barriga de uma pessoa de 80 anos: ambas têm a mesma idade cronológica, mas a pele exposta está muito mais envelhecida”, observa.
Ela recomenda que os idosos mantenham a pele bem hidratada, já que tende a ficar mais seca e frágil, e fiquem atentos a feridas que não cicatrizam ou pintas que mudam de aspecto, sinais que devem motivar uma consulta com o dermatologista.

O que fazer:

  • Use protetor solar todos os dias, faça sol ou chuva;
  • Reaplique a cada 2 horas ou após entrar na água/suar muito;
  • Prefira horários seguros: antes das 10h e depois das 16h;
  • Invista em proteção física: chapéus, óculos, roupas com proteção UV e sombra;
  • Mantenha a pele hidratada — especialmente após o banho.

O que evitar:

  • Nada de câmaras de bronzeamento! São proibidas no Brasil (uma única sessão antes dos 35 anos aumenta em 59% o risco de melanoma);
  • Evite o bronzeamento natural prolongado: “bronzeado saudável” não existe;
  • Fuja do sol forte: ele causa envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele.

Alternativas seguras

  • Use autobronzeadores ou o jet bronze para um tom dourado sem riscos;
  • Prefira produtos dermatologicamente testados e indicados para seu tipo de pele.