Genética é o principal fator para o surgimento de varizes, aponta especialista

A predisposição genética é o principal motor para o surgimento de varizes, superando amplamente a influência de hábitos de vida isolados. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a hereditariedade está envolvida em uma parcela significativa dos diagnósticos, com estimativas de que cerca de 80% dos casos da doença tenham forte influência hereditária. Essa ligação é determinada por fatores que afetam diretamente a força das paredes das veias e a funcionalidade das válvulas venosas.
Essa também é a avaliação da médica Talita Fiorio, especialista em tratamento vascular, que reforça a dominância da genética no desenvolvimento da condição. Ela afirma que, mesmo na ausência de fatores ambientais de risco, a herança familiar é suficiente para o surgimento dos problemas vasculares, exigindo um check-up vascular mais frequente diante de sinais de gravidade. “Muitas vezes o paciente tem a influência genética para ter varizes e ele não tem os mínimos ambientais. Ele pode não ter todos esses fatores, mas ter a genética e ter varizes”, explica Talita. A profissional ressalta que, embora o fator hereditário seja a causa número um, o sedentarismo e a obesidade, por exemplo, também estão fortemente ligados ao aparecimento da condição.

Avanços substituem a cirurgia convencional


A área de tratamento para varizes passa por uma revolução com a adoção de técnicas modernas e minimamente invasivas, que se equiparam aos procedimentos de países como Estados Unidos e na Europa. Talita destaca que estes novos métodos superam a cirurgia convencional, principalmente pela ausência de cortes. “Nesses tratamentos minimamente invasivos, a gente não precisa desse repouso para o paciente. Então, o pós-operatório fica muito mais confortável. Hoje em dia eu tenho procedimentos a laser que são os principais tratamentos para varizes grossas e vasos menores”, afirma Talita. A médica ressalta o contraste com a cirurgia tradicional, exigindo que os pacientes fiquem um grande período em repouso e afastados das suas atividades de trabalho.
A tecnologia tem permitido a melhora significativa nos resultados e a redução drástica no tempo de recuperação. “Hoje em dia, eu diria até que não existe um tempo de recuperação. Muitos dos meus pacientes vêm, fazem o procedimento e seguem com a vida normal. Então, a gente reduziu aí a zero esse tempo de recuperação”, pontua.

Sintomas e prevenção


A incidência de varizes e os desconfortos causados por elas tendem a se agravar durante o verão. Talita explica que o calor provoca uma vasodilatação, ou seja, as veias ficam mais dilatadas, fazendo com que o fluxo sanguíneo acabe turbilhonando mais dentro da veia. “Então, esses sintomas são piores no calor porque a gente tem mais dor, peso, cansaço, inchaço, tudo isso é muito pior no verão”, esclarece a médica.
Para amenizar os sintomas no período mais quente, a especialista recomenda a adoção de hábitos saudáveis, como manter a hidratação, praticar atividade física e evitar o tabagismo. Elevar as pernas ao final do dia também é uma medida sugerida. “Alguns pacientes têm indicação do uso da meia, só que cabe aqui a gente ressaltar a importância de não usar uma meia compressiva sem indicação médica”, esclarece a médica.

Alerta para vasinhos


Em relação ao estilo de vida moderno, como passar longos períodos sentado, usar salto alto ou roupas apertadas, Talita é categórica ao afirmar que não há estudos científicos que provem a relação direta com o surgimento de varizes. “Número um, com certeza, é a genética. E o segundo, alguns fatores ambientais, como o sedentarismo, obesidade, isso sim tá muito mais ligado ao aparecimento de varizes do que salto alto, roupa apertada e ficar muito período sentado”, desmitifica a especialista.
Ela reitera ainda hábitos de vida que auxiliam na prevenção das varizes incluem evitar o uso de hormônios externos, como alguns anticoncepcionais.
Por fim, a especialista faz um alerta sobre os vasinhos. Ela afirma que eles são a mesma doença das varizes, e a presença de pequenos vasos na perna pode indicar uma variz interna que não é visível. “Neste caso, mesmo sendo só um vasinho ao seu olhar é importante procurar um especialista ao menor sinal, seja ele um sintoma de dor, inchaço ou cansaço nas pernas, ou mesmo uma questão estética”, finaliza.