O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, que o Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV, quando a infecção passa da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.
Em 2024, a taxa de transmissão ficou abaixo de 2%, e a incidência da infecção em crianças foi inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos. Os dados foram divulgados no Dia Mundial da Luta Contra a Aids.
Segundo o Ministério da Saúde, “os dados refletem os avanços em prevenção, diagnóstico e, principalmente, no acesso gratuito pelo SUS a terapias de ponta capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível. Combinação que levou também à eliminação, como problema de saúde pública, da transmissão vertical da doença, quando ocorre da mãe para o bebê”. A pasta afirma que o país interrompeu a infecção de forma sustentada, atingindo integralmente as metas internacionais e alinhando-se aos critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde). O órgão aguarda a certificação oficial da OMS, prevista para ocorrer ainda neste mês.
O número de mortes por Aids no Brasil também caiu cerca de 13%, totalizando 9.100 no último ano, a primeira vez em três décadas que o país registrou menos de 10 mil óbitos.
Ao apresentar o boletim epidemiológico de HIV e Aids, o ministro Alexandre Padilha destacou que o governo pretende produzir no Brasil o lenacapavir, medicamento injetável de prevenção ao HIV lançado neste ano pela farmacêutica Gilead Sciences. A proposta é que um laboratório público fabrique a droga por meio de transferência de tecnologia. O preço, no entanto, ainda é um obstáculo: o tratamento, aplicado a cada seis meses, custa atualmente US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 133,6 mil), podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 240 mil) em alguns casos.