Soberania, esta palavra no seu conceito mais amplo é o poder supremo de um país e não… não se confunda, embora seja totalmente possível se confundir com aquele outro supremo poder lotado de um homem só!
Sanada eventual dúvida, o verdadeiro poder supremo de um país, nos referindo a soberania, dada sua grandeza de importância, está prevista exatamente no artigo primeiro da nossa Constituição Federal, diga-se, lei máxima, tão profanada diante das “interpretações” tanto mais políticas do que jurídicas que tem sido vítima nos últimos tempos.
Esta mesma soberania, outrora aprendida – há mais de 40 anos – nas aulas de OSPB – Organização Social e Política Brasileira – teve agora por ocasião da taxação dos U.S.A nas exportações brasileiras na ordem de 50%, o resgate de sua importância na vida cotidiana dos brasileiros.
Fato é que estampou capa de jornais, revistas, procurada exaustivamente nos sites de pesquisa, comentada em prosa e verso nas mídias sociais e até mesmo, quem diria… absolveu a camisa amarela da seleção brasileira, a qual, acredita-se agora, não mudará mais de cor…um alívio para a nossa, ainda, “Pátria de Chuteiras”, do saudoso, polêmico e não menos sábio, escritor Nelson Rodrigues.
A propósito, acredito que oportuna a expressão usualmente proferida pelo presidente do Brasil e assim a utilizo para enfatizar que, nunca na história deste país, a assinatura de um presidente estrangeiro fez brotar tantos nacionalistas, patriotas e candidatos a estadistas em tão pouco tempo.
Por outro lado, estamos vivendo o auge da histeria de um país dividido politicamente, pois a comemoração, a ironia e a defesa de tal decisão assinada pelo presidente americano, em prejuízo aos brasileiros, traduz-se numa espécie de masoquismo coletivo.
Perdoem-me as opiniões diversas, porém, alguns vistos cancelados não pagarão a conta, esta ironia para muitos e sem adentrar no mérito, nos custará caro, pois não há como defender o passaporte para pobreza, haja visto ser este o destino de muitos brasileiros em razão da medida americana.
Entretanto, o que nos trouxe a este cenário, cujo Brasil virou de “uma hora para outra” a “Rússia das Américas”?
A palavra tem poder, já ouviram isso?
Sempre acreditei nisso, ainda mais quando a palavra vem de quem por si próprio já tem poder para usar da palavra.
Pela palavra, vidas foram mudadas ontem, mudam hoje e assim mudarão no futuro, pois a palavra tem o poder transformador de construir pontes ou abrir abismos…, pois também são elas, a pior arma, talvez tenha sido este o ponto!
Não há dúvidas, a soberania de um país é indiscutível, contudo, antes de defendê-la é preciso protegê-la; pode até parecer o mesmo, mas na prática, se proteger primeiramente da forma correta, ao menos sem atrair e tão pouco subestimar o perigo, não dará motivo para defendê-la a posterior.
Enfim, diante de assunto tão sério, proponho observarmos mais a sabedoria da natureza. No oceano, o tubarão é o predador natural, seja do polvo com seus tantos tentáculos e letal veneno, seja da lula, mesmo com sua inigualável capacidade de se camuflar, em comum a inteligência de saber que o silêncio e a razoável distância não deixará nenhuma tinta pelo caminho…
Enquanto isso, o Brasil, gigante pela própria natureza, nessa maré turbulenta, causada pelo vendaval das palavras mal ditas, cuja previsão do tempo não se vê calmaria, resta à deriva entre o rochedo e o mar…
Vamos em frente!