Durante todo o mês de agosto, o Governo Federal promove uma mobilização nacional dedicada ao combate à violência contra as mulheres. Coordenada pelo Ministério das Mulheres, a campanha Agosto Lilás representa um importante movimento anual de conscientização e enfrentamento desse tipo de violência. Em 2025, a iniciativa ganha ainda mais visibilidade com o lema “Não deixe chegar ao fim da linha. Ligue 180”, destacando a importância da Lei Maria da Penha como ferramenta essencial na proteção e na transformação da vida de milhares de mulheres.
Objetivo da campanha
A ação tem como propósito principal informar, proteger e engajar toda a sociedade na luta contra a violência de gênero, com foco especial no acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade. Por meio de uma comunicação clara e educativa, a mobilização busca fortalecer o conhecimento sobre os direitos assegurados por lei, divulgar os canais de denúncia e ampliar o acesso aos serviços especializados de apoio. A proposta é despertar a consciência coletiva e estimular ações efetivas em defesa da dignidade e da segurança das mulheres.
De acordo com a coordenadora Municipal da Mulher e do Centro de Referência da Mulher que Vivencia Violência (Revivi), Patrícia Da Rold, o mês é um período de conscientização e combate à violência contra a mulher. “É importante por mobilizar a rede de proteção à mulher em ações que levem informação e orientação a toda a população”, destaca.
Para Vanessa Dal Ponte, advogada e vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM – BG), o mês serve também para reforçar a urgência de adotar medidas que ultrapassem a simples sensibilização da sociedade. “Neste ano, o Agosto Lilás chega marcado pelo aumento dos casos de feminicídio em nosso estado e município. A proteção das vítimas e a punição dos agressores são fundamentais, mas não suficientes. Por isso, é essencial implementar ações contínuas e articuladas no combate à violência contra a mulher”, defende.

Ações em destaque
Durante o mês de agosto, a Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, através da Secretaria Municipal de Esportes e Desenvolvimento Social (SEDES), do Centro Revivi e da Coordenadoria da Mulher, está realizando atividades de conscientização. A coordenadora informa que as ações incluem:
• Parcerias: com as forças de segurança, o Gabinete da Primeira-dama e o COMDIM, nos bairros com o projeto “Caravana da Mulher”;
• Rede de assistência social: atividades que envolvem os CRAS, CREAS e o SCFV Balão Mágico;
• Encontros: com mulheres em todos os distritos, em parceria com a Secretaria da Cultura;
• Palestras: solicitadas por indústrias e entidades.
Ela destaca que as palestras, que levam as informações, não acontecem apenas no mês de agosto, mas sim, o ano todo. “A intenção da programação é que a população participe das atividades, sem precisar se inscrever, podendo comparecer nas datas e locais agendados”, enfatizando a importância de informar a população.

Além das palestras, estão sendo distribuídos conteúdos informativos sobre o tema. “Um material novo em formato de ímã, para melhor visualização e durabilidade, com todos os canais de denúncia da rede de proteção do município. Os canais da prefeitura são os telefones fixos, os dois contatos por aplicativo de WhatsApp e as redes sociais (Instagram e Facebook)”, destaca Patrícia.
Segundo a advogada, o COMDIM-BG também está organizando diversas atividades para a comunidade. “Palestras e rodas de conversa serão realizadas em escolas, universidades e centros comunitários, abordando a violência contra a mulher e estratégias de prevenção. Campanhas de Conscientização, com ações nas redes sociais e distribuição de materiais informativos, visam sensibilizar a população sobre a importância do respeito e da igualdade de gênero. Por fim, as Parcerias com Organizações Locais buscam ampliar e fortalecer a rede de apoio às mulheres vítimas de violência”, conta.
De acordo com Patrícia, a Prefeitura espera alcançar o maior número de pessoas possível. “Informação é prevenção e, portanto, quanto mais as mulheres tiverem conhecimento da existência da rede de proteção do município e dos canais de denúncia, mais elas se sentirão encorajadas e seguras para realizar a denúncia e buscar apoio”, aconselha.
Neste ano, foi instalada pela Câmara Municipal a Frente Parlamentar em Apoio e Defesa dos Direitos das Mulheres. “É uma iniciativa que visa fortalecer e ampliar a representatividade e a voz das mulheres em nosso município”, enfatiza a advogada.
Vanessa destaca que, apesar de descentralizar ou criar novos canais de denúncias, isso não resolve completamente o problema. “Embora a divulgação desses meios seja importante, é essencial compreender todo o caminho entre a vivência da violência e a denúncia, considerando fatores como a dependência emocional e financeira que levam muitas mulheres ao silêncio. Por isso, reforçamos continuamente a relevância da rede de proteção e assistência já existente no município, como a recém-inaugurada Casa da Mulher, que atua na prevenção e no acolhimento de vítimas”, explica.
Lei Maria da Penha
No dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) completou 19 anos de vigência. Reconhecida internacionalmente como uma das legislações mais eficazes no combate à violência contra a mulher, a norma representa um marco na garantia dos direitos femininos no Brasil. Desde a sua criação, tem sido fundamental na implementação de medidas protetivas e de mecanismos legais que asseguram a integridade, a segurança e a dignidade das vítimas, reforçando o compromisso do Estado com o enfrentamento à agressão de gênero.
A violência doméstica é uma dura realidade que afeta inúmeras pessoas, e romper com esse ciclo de agressão é um desafio imenso. É um processo que exige força, mas que não precisa ser enfrentado sozinho. “Romper com o ciclo de violência exige coragem e apoio. O sistema de Justiça oferece mecanismos de proteção, como a medida protetiva, que é uma ordem judicial para garantir a segurança da vítima. Ela pode proibir o contato do agressor, estabelecer distância mínima, suspender porte de armas e assegurar acompanhamento psicológico”, aconselha.
Espaço de acolhimento
O município possui espaço de acolhimento emergencial e provisório para as mulheres que sofreram violência doméstica. “O local é para mulheres que precisam ficar abrigadas em um local seguro quando não possuem rede de apoio, até receberem as medidas protetivas e poderem retornar ao lar”, esclarece.
Importância da denúncia
Vanessa enfatiza a importância da denúncia: “É um passo essencial”, destaca. O principal canal para isso é o Ligue 180, que está disponível 24 horas por dia, em 16 países. “Além da denúncia, o canal oferece orientações e esclarecimentos sobre os direitos das mulheres”, conta.
Além disso, a vítima também pode registrar um boletim de ocorrência, tanto presencialmente quanto on-line, solicitando, inclusive, uma medida protetiva. “Qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação de violência pode e deve denunciar. Sua atitude pode salvar uma vida”, completa.
O caminho para sair de um relacionamento abusivo é, muitas vezes, difícil e solitário. É por isso que iniciativas de apoio são tão importantes. O projeto Justiceiras, do qual Vanessa faz parte, por exemplo, é um movimento de solidariedade que visa acolher mulheres em situação de violência doméstica. Ele reúne voluntárias que oferecem suporte emocional, jurídico e psicossocial para auxiliar essas mulheres a reconstruírem suas vidas com segurança e autonomia.
Para receber apoio, basta preencher o formulário disponível no QR Code ou acessar o Instagram @justiceirasoficial. O projeto é uma rede de proteção, um farol de esperança para quem precisa de ajuda.
Canais de denúncia
- Telefones: 3055-7418, 3055-7420
- Whatsapp: 99132-8148, 99222-2207
- Redes sociais: Instagram e Facebook
- Endereço: Rua 10 de Novembro, 190 – Complexo Administrativo da Prefeitura no Bairro Cidade Alta.
- Canal oficial: 180