Um gato, de aproximadamente um ano, surpreendeu os moradores de um prédio no bairro São Francisco ao sobreviver a uma queda do quinto andar nesta terça-feira, 19. Segundo Leticia Cobalchini, dona do animal, o incidente ocorreu por volta das 11h10min quando o gato subiu na sacada do apartamento.
De acordo com Leticia, ela não estava em casa no momento do ocorrido. “Acredito que como deixei a sacada um pouco aberta, ele saiu para a sacada e quando subiu no muro caiu”, detalha. Segundo ela, o prédio está em reforma, e com isso, os pintores tiraram a tela da sacada. “Ainda antes de tirarem as telas, eles eram livres pela casa toda”, explica.


Quem encontrou o animal, foi o namorado de Leticia, no qual realizou os primeiros socorros. “Assim que percebeu entrou em contato comigo”, aponta a dona. “Quando cheguei, coloquei ele na caixa de transporte de gatos, ele estava gemendo de dor”, conta. Assim que pegou seu pet, Leticia dirigiu-se até o veterinário, onde foram realizados exames e aplicado uma injeção para dor. “Ele está de repouso”, afirma.
De acordo com o ortopedista e traumatologista veterinário que atendeu o felino, André Palandi, acidentes como esse são relativamente comuns entre gatos. “É conhecido como ‘síndrome do gato paraquedista’. O animal pode sofrer desde lesões leves até traumas graves”, explica.
O especialista alerta que esses acidentes podem resultar em diferentes tipos de ferimentos, incluindo fraturas, lesões internas em órgãos como baço, fígado e pulmões, além de hemorragias e outros problemas.
No caso do pet da Leticia, ele foi diagnosticado com uma luxação patelar, ou seja, ocorre quando a patela (osso localizado na frente do joelho) se desloca de sua posição normal no sulco troclear (local de encaixe no fêmur). Com isso, a orientação para o animal, foi de:

  • Restrição de movimentos;
  • Caminhadas controladas;
  • Evitar piso liso;
  • No primeiro momento com tala por um período.

Lesões mais comuns
Palandi explica que as principais traumas que podem ocorrer,são:

  • Escoriações leves;
  • Fraturas (principalmente de mandíbula, palato “céu da boca”, membros e pelve);
  • Pneumotórax (ar no tórax, dificultando a respiração);
  • Hemorragia interna;
  • Ruptura de bexiga;
  • Traumatismo craniano.

Diferentes quedas
O veterinário explica que as quedas do segundo a sexto andar costumam ser mais perigas. “O gato não tem tempo de se posicionar para amortecer o impacto”, esclarece. Já em quedas mais altas, é possível que o felino consiga ajustar o corpo e abrir mais as pernas. “Isso faz com que ele aumente a planeio… mas ainda assim podem ter lesões sérias”, relata.

O que fazer após uma queda
Se seu gato caiu de alguma altura comprometedora, Palandi sugere que:

  • Mantenha a calma;
  • Não manipule muito o animal (risco de agravar fraturas internas);
  • Leve imediatamente ao veterinário.
    Segundo ele, muitas pessoas acreditam que se o animal não tem ferimentos externos, ele está bem, mas não é isso que acontece. “Muitos ferimentos internos não são visíveis externamente, e atrasar o atendimento pode ser ruim”, orienta.
    Ao chegar na clínica, o veterinário irá avaliar e solicitar exames quando necessários, sendo os mais comuns:
  • Exames de imagem: raio-X, ultrassonografia, tomografia (se disponível);
  • Exames laboratoriais: hemograma, função renal e hepática.

Recuperação e tratamento
Palandi explica que, a chance de melhora dependerá da gravidade da situação, como exemplifica:

  • Lesões leves: recuperação total com tratamento adequado;
  • Fraturas e lesões moderadas: bom prognóstico, mas muitas vezes exige cirurgia e acompanhamento especializado;
  • Lesões internas graves: risco de complicações e até óbito.

Como evitar quedas
Para que os animais estejam em segurança em casa, é possível tomar algumas providências, como orienta o veterinário:

  • Colocar telas de proteção em todas as janelas, varandas e áreas abertas;
  • Não confiar apenas em “supervisão rápida”;
  • Evitar deixar móveis próximos às janelas abertas (gatos escalam com facilidade e tem grande instinto predador a aves, insetos…).
    Segundo ele, as telas de proteção são as mais eficientes e seguras. “Telas de proteção são obrigatórias. Nenhum tutor deve confiar apenas no instinto felino. Mesmo gatos calmos podem se assustar e cair”, orienta Palandi. Porém mesmo com elas, é importante tomar algumas medidas, como:
  • Verificar regularmente se não estão rasgadas ou frouxas;
  • Garantir que a instalação seja bem firme;
  • Evitar redes comuns (não são seguras o suficiente).
    Os gatos filhotes, tendem a serem mais curiosos e terem menos noção do perigo, o que faz com que o risco de cair é maior. Os adultos, são mais ágeis, mas faz com que acessem lugares mais altos, podendo provocar maiores quedas. Já os gatos idosos, tem reflexo mais lento, obtendo também risco. “Ou seja, todos os gatos são vulneráveis”, aponta o veterinário.