Terça-feira, 11 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Nem Eu Sei Tudo: Uma década de transformação pelo Hip Hop em 51 minutos

No que diz respeito à última década, a história da cultura urbana da Capital do Vinho se confunde e funde de maneira indissociável as do Nest Panos, coletivo de hip hop da cidade, e do Battle in the Cypher (BITC), um dos mais importantes festivais do gênero na América Latina, ambos idealizados e fundados pelos amigos e b.boys William Sarate Ballestrin e Pedro Ramon Festa, em 2009 e 2010, respectivamente. Apesar de levar em seu título o acróstico do coletivo, o documentário “Nem eu sei tudo”, que será lançado nas plataformas digitais na quinta-feira, 18, vai muito além de uma homenagem e um registro histórico dos dez anos de trajetória destas iniciativas, ao se propor a contar uma história bem mais ampla: a transformação promovida pelo hip hop na vida de quem vive dele, bem como na sociedade bento-gonçalvense em geral.


Com financiamento do Fundo Municipal de Cultura e assinado pela Ancora Produções, o audiovisual registra a fusão dos quatro elementos da cultura hip hop (mc, dj, break e o grafitti), por meio de material de arquivo e de cenas captadas ao longo de todo o ano de 2019. Além dos depoimentos do coletivo Nest Panos, a história conta ainda com a participação de outras personagens influentes no cenário hip hop, como a banda DaGuedes, Back Spin Crew, MC Miliano, os rappers Marcell Gugu, Síntese, Nego Max, PMC, o b.boy Onnurb e oo grafiteiro, Wagner Wagz, entre outros.


Em respeito às regras de distanciamento social necessárias para frear o avanço da pandemia de Covid-19, a estreia será online pelo portal nemeuseitudo.com.br, lançado no dia 28 de maio, onde já é possível conferir os teasers e o trailer oficial da obra.


Há oito anos na Nest Panos, a fotógrafa e produtora, Bruna Ferreira, quem sempre esteve por trás do planejamento dos eventos do coletivo e também das câmeras que registraram esses momentos, lembra que o documentário não busca retratar a história do grupo bento-gonçalvense, mas a dedicação de quem vive pelo hip hop e os retornos e transformações promovidas pela cultura.


Neste sentido, dentre todos os momentos vividos e captados ao longo do último ano, o que guarda com mais carinho ocupa apenas alguns segundos da produção. Foi uma conversa que teve com dois jovens no interior de Minas Gerais, onde eles contam o empenho dispensado para virem todos os anos até Bento Gonçalves para o BITC. “Um deles, por exemplo, vende doces, que a mãe ajuda a fazer, para conseguir dinheiro para a viagem. Assim que volta de Bento, já começa a fazer caixinha para o próximo ano. Fazer parte da vida das pessoas assim, a ponto delas acompanharem o que fazemos, é algo que não tem preço”, exclama.


Mesmo somado o fato de ser o primeiro documentário que dirigiu, além do trabalho de lapidar 113h de imagem — e uma década de história — em 51 minutos, para Fernanda Turchetto, responsável pelo roteiro e pela direção de fotografia e de som da produção, a experiência que fica vai muito além da questão profissional. “Não tínhamos nenhuma ligação com o hip hop. Além dos relatos, vivenciamos cenas que falam por si: coisas dando certo, outras errado, abraços, intervenções, crianças falando de cultura nas escolas. Acredito que quem assistir, ficará com aquela sensação de querer lutar junto com eles”, enfatiza.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ANUNCIE CONOSCO

Sua marca em destaque para milhares de leitores