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O tema que iremos abordar hoje é um tema muito atual e muito frequente. Na mesma proporção é um assunto que cresce em importância à medida que as pessoas buscam mais qualidade de vida e passam a dar-se conta da importância de uma boa noite de sono. Dessa forma abordaremos, a pedido de uma leitora que nos enviou a demanda por e-mail o tema sono e menopausa.
O aprofundamento do conhecimento tanto na área do sono, quanto sobre envelhecimento humano, assim como o melhor entendimento da importância da integridade do sono na saúde e bem estar das pessoas, sobretudo quanto a memória, saúde cárdio vascular, saúde psíquica e reposição das energias para ter um bom dia, produtivo e mais feliz, entende-se que prejuízos no sono poderão acarretar problemas de saúde em diversas áreas do organismo.
A menopausa é um marco biológico natural, geralmente ocorrendo entre os 45 e 55 anos. No entanto, para muitas mulheres, esse período traz um convidado indesejado: a piora da qualidade do sono. Estudos indicam que entre 40% e 60% das mulheres na menopausa relatam alterações significativas na qualidade do sono. O que antes era uma noite de repouso pode transformar-se em despertares frequentes, suores noturnos e uma sensação persistente de cansaço, e aumento da incidência de outros distúrbios de sono como Apneia obstrutiva do sono.
Por que o sono piora na menopausa?
A principal responsável é a montanha-russa hormonal. A queda nos níveis de estrogênio e progesterona desregula o “termostato” interno do corpo.
- Ondas de Calor (Fogachos): Cerca de 75% das mulheres sofrem com calores repentinos. À noite, eles causam despertares bruscos e sudorese intensa, obrigando muitas a trocar lençóis e roupas de cama no meio da madrugada.
- Mudança na Arquitetura do Sono: A falta de progesterona — que tem efeito relaxante e sedativo — torna o sono mais superficial e difícil de manter.
- Apneia e Outros Distúrbios: A redução hormonal afeta a musculatura das vias aéreas, aumentando o risco de ronco e apneia obstrutiva do sono.
É preciso realizar uma avaliação detalhada do que pode estar ocorrendo com a mulher em relação ao sono, seja no âmbito da saúde feminina, recorrendo aos saberes da GINECOLOGIA. A avaliação muitas vezes requer uma avaliação da saúde física com exames específicos e dependendo de cada caso, realizar exame do sono, a chamada POLISSONOGRAFIA. Através deste exame pode-se medir com acurácia o que realmente ocorre em uma noite de sono: eficiência do sono, estrutura do sono, fases do sono, bruxismo, pernas inquietas, apneia do sono, ronco, insônia, entre outros.
O Impacto na Vida Diária
Dormir mal não é apenas um incômodo; é um problema de saúde. A privação de sono na pós-menopausa está associada ao aumento de irritabilidade, ansiedade, lapsos de memória e até maior risco de comorbidades físicas. O cansaço crônico afeta a produtividade e o bem-estar emocional, criando um ciclo onde o estresse do dia dificulta ainda mais o relaxamento à noite.
O que podemos fazer para melhorar o sono na pós menopausa?
Existem alguns conselhos de estilo de vida que podem mitigar esses sintomas através da higiene do sono e acompanhamento médico:
- Prepare o Ambiente: Mantenha o quarto fresco, escuro e silencioso. Use roupas de dormir de algodão ou tecidos que permitam a pele respirar.
- Ritual Pré-Sono: Evite telas (celular, TV) pelo menos uma hora antes de deitar, pois a luz azul interfere na produção de melatonina.
- Alimentação e Estímulos: Evite cafeína, álcool e refeições pesadas à noite. O álcool pode até ajudar a pegar no sono, mas causa despertares frequentes depois.
- Atividade Física: Exercícios regulares ajudam a regular o ritmo circadiano, mas devem ser feitos preferencialmente durante o dia.
- Consulta Especializada: Em muitos casos, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), quando indicada por um ginecologista, pode reduzir drasticamente os fogachos e melhorar a qualidade do descanso.
É muito importante procurar ajuda especializada, sobretudo quando as medidas iniciais que comentamos acima não resultaram em efeito observado de melhora. Não é raro encontrar-se problemas que interrompem o sono, como a apneia obstrutiva do sono, que causa paradas na respiração enquanto a pessoa dorme e compromete a integridade e qualidade do sono, onde o indivíduo acorda de manhã com cansaço e sensação de energia esgotada, além de sono durante o dia. A insônia é outro problema que merece ser afrontado e tratado, lembrando que a insônia tem inúmeras causas, além das hormonais, como associadas a estados de depressão e/ ou ansiedade na maioria das vezes.
A menopausa não precisa ser sinônimo de noites mal dormidas. Compreender as mudanças do corpo e adotar novos hábitos são os primeiros passos para atravessar essa fase com mais disposição e saúde. Se o sono continua sendo um desafio, procurar ajuda médica é essencial para encontrar o tratamento adequado para cada perfil.
Cuide de seu sono. Cuide de sua Saúde. Visite e converse com seu médico para auxílio.