O interesse crescente de jovens e mulheres pelo universo das duas rodas, aliado à expansão dos serviços de entrega por aplicativos, levou o mercado de motocicletas a um recorde em 2025. Pela primeira vez, as vendas de motos superaram as de automóveis no mesmo período no Brasil.
De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram comercializadas 2,1 milhões de unidades em 2025, alta de 17,1% em relação ao ano anterior, volume superior aos 1,2 milhão de carros vendidos, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Em comparação a 2021, quando houve 1,1 milhão de emplacamentos, o setor praticamente dobrou de tamanho. A frota nacional também cresceu 22% no período, com quase sete milhões de novas motos em circulação. Os modelos de baixa cilindrada concentraram 77% da produção.
Novo perfil
Dados da Secretaria Nacional do Trânsito apontam que cerca de 10 milhões de mulheres estavam habilitadas na categoria A em março do ano passado, aumento de 66% frente a 2016. Para Marcos Antonio Bento de Sousa, presidente da Abraciclo, o crescimento reflete a entrada de novos perfis de consumidores, especialmente mulheres e jovens, e a consolidação da motocicleta como alternativa mais acessível e prática de mobilidade.

Bento Gonçalves
De acordo com Matheus Lazzarotto, diretor da Honda Motolife, o mercado de motocicletas vem apresentando forte crescimento desde 2014. No entanto, em 2025, o comportamento do consumidor foi mais cauteloso. “O que aconteceu no ano passado foi o aumento da taxa de juros. Algo que neste ano esperamos que baixe. O Rio Grande do Sul em si, a Serra aqui, ela é muito dependente de crédito, as pessoas compram muito no financiamento”, destaca.
Segundo ele, 80% das motos comercializadas têm como principal finalidade a mobilidade. “Pessoas que precisam ir e vir e a moto é o meio mais econômico hoje de transporte”, frisa Lazzarotto.
Segundo ele, a nível brasileiro, outras regiões trabalham de forma um pouco diferente. “No Sudeste e Nordeste o crédito é muito atrelado a consórcio. Com este meio não tem juros, só tem a taxa de administração, as pessoas lá trabalham muito com essa modalidade”, destaca.
O diretor menciona ainda, que muitas pessoas possuem dois meios de transporte. “A gente tem também uma grande fatia da população que tem carro e moto. O automóvel para fim de semana, dias de chuva e a moto como uma alternativa de transporte mais econômico”, aponta.

Expectativas
Para Lazzarotto, a projeção é de aumento nas vendas. “Uma porque os juros já estão sinalizando que vai cair e com isso o crédito melhora, as parcelas ficam mais baixas, as pessoas pagam menos juros. E outra que a habilitação para a motocicleta está com um valor bem mais reduzido, ou seja, uma vez para tirar uma carteira de carro e moto era R$4.000, hoje com R$900 você já tira dos dois, caiu o valor drasticamente”, menciona.
Ele destaca que quando o cliente comparece em seu estabelecimento, são repassadas diversas recomendações. “A orientação que a gente dá, é que se as pessoas conseguiram se programar com antecedência, o consórcio hoje é o mais barato, é a forma mais fácil de adquirir o bem por não ter juros, só ter taxa de administração”, determina.
Ele acrescenta que as concessionárias também prestam suporte ao cliente durante o processo de consórcio, especialmente na estratégia de oferta para antecipar a contemplação. “Quando o consumidor se planeja com antecedência, consegue reunir um valor para ofertar como proposta e aumentar as chances de contemplação. As empresas costumam orientar nesse processo, auxiliando tanto na estratégia do lance quanto nos trâmites para a retirada da motocicleta. Hoje, o consórcio é a forma mais econômica de adquirir uma moto de maneira parcelada”, pontua.
Caso o cliente queira adquirir seu automotor de duas rodas de forma mais rápida, a orientação que o diretor dá é se programar com antecedência. “É sempre bom que tenha uma entrada, que dessa forma os juros baixam bastante”, explica.
Ele ressalta que, em média, entre 60% e 70% dos clientes que buscam uma motocicleta estão adquirindo o primeiro veículo. “São pessoas que acabaram de obter a carteira de habilitação ou que precisam de um meio de locomoção mais acessível. Elas veem na moto uma alternativa econômica e prática para conquistar mobilidade. Claro que também temos outros perfis, como quem utiliza para viagens, lazer ou até para trilhas”, afirma.