O Brasil vem convivendo com fatos e indícios de corrupção desde há muito tempo e, pelo que se nota, a situação está só piorando.
Nessa semana foi divulgado o ÍNDICE DE PERCEPÇÃO DA CORRUPÇÃO no mundo e o nosso país alcançou a PIOR NOTA E A PIOR COLOCAÇÃO DO PAÍS NA SÉRIE HISTÓRICA, iniciada em 2012 (34 pontos e 107ª. posição, ou seja, existem 106 países com menor percepção de corrupção do que nós). Faço um resumo dos principais pontos a partir de agora.
O resultado de 2024 significa uma queda de dois pontos e três posições em relação ao anterior. E de nove pontos e 38 posições em comparação com as melhores pontuações do país na série histórica — em 2012 e, novamente, em 2014. Hoje o Brasil está empatado com Argélia, Malauí, Nepal, Níger, Tailândia e Turquia.
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) é o principal indicador de corrupção no mundo. Produzido pela Transparência Internacional desde 1995, com uma série histórica comparável desde 2012, ele avalia 180 países e territórios e atribui notas entre 0 e 100. Quanto maior a nota, maior é a percepção de integridade do país.
O IPC agrega dados oriundos de diferentes fontes que trazem a percepção de acadêmicos, juristas, empresários e outros especialistas acerca do nível de corrupção no setor público de cada país analisado. Para 2024, foram usadas oito fontes de informação para a composição da nota do Brasil.
“Em 2024, o Brasil falhou, mais uma vez, em reverter a trajetória dos últimos anos de desmonte da luta contra a corrupção. Ao contrário, o que se viu foi o avanço do processo de captura do Estado pela corrupção. A principal evidência de que estamos entrando no estágio avançado desse processo vai se tornando clara: a presença cada vez maior e explícita do crime organizado nas instituições estatais, que anda de mãos dadas com a corrupção. Não surpreende, portanto, o resultado do Brasil no IPC 2024 ser o pior da sua série histórica. É fundamental que isso soe como um alarme, para que a sociedade e as instituições brasileiras ajam contra esse processo de captura do Estado, que a cada dia se torna mais difícil de reverter”
Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil
O estudo traz destaques negativos mas também alguns positivos desse comportamento do país frente a corrupção.
Entre os positivos trazidos pelo estudo estão investigações contra redes de corrupção de juízes, esforços de fiscalização que resultaram na queda do desmatamento e na redução da exploração ilegal de outro e ações da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), o portal de transparência começou a divulgar dados, ainda parciais, sobre benefícios e renúncias fiscais, lançamento do Plano de Integridade e Combate à corrupção 2025-2027 pela CGU e decisões do STF de dar maior transparência e rastreabilidade às emendas parlamentares.
Já entre os destaques negativos estão a renegociação de acordos de leniência para beneficiar empresas envolvidas em macrocorrupção, retomada da influência no governo de empresários que confessaram esquemas de macrocorrupção e permanecem impunes, percepção de crescente ingerência política na Petrobras, falta de transparência e condições de controle social do Novo PAC, silêncio reiterado do presidente sobre a pauta anticorrupção, reiterados episódios de conflito de interesse de magistrados.
Pondero que o efeito na economia (já que esse espaço é sobre economia) é desastroso pois o dinheiro que deveria ir para educação, saúde, moradia, inovação, segurança, saneamento básico, aumento de competitividade das empresas é drenado para bolsos particulares, contra o bem-estar da população.
Lembro que esse índice é ainda de 2024. Como estaria hoje? Tenho certeza que pior.
Um país que objetiva ser desenvolvido onde a população não dependa dos governos para sobreviver, onde o emprego e a renda são alcançados com sucesso, onde não haja filas e mais filas para consultas médicas, onde não haja esquemas de cobranças indevidas a aposentados, conluios entre banqueiros e funcionários públicos, onde haja saneamento básico para todos, segurança para todos não pode conviver com essa situação.
Toda corrupção tira comida da mesa; tira uma educação melhor; tira saúde melhor; tira segurança; tira dignidade; tira futuro para todos.
Pense nisso e sucesso.
Adelgides Stefenon é economista, mestre em marketing, consultor nacional e internacional, professor universitário por 25 anos e proprietário da Prestige Imóveis Especiais.