Polícia aponta uso de empresas, bens e celulares para manter esquema criminoso
A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Punctum Finale, voltada ao combate a uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e homicídios. A ação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e ocorre em conjunto com a Brigada Militar, com apoio da Polícia Penal.
Mais de 90 policiais civis e 30 policiais militares cumpriram 22 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Porto Alegre e Gravataí. Até o momento, 19 pessoas foram presas, sendo que dois investigados já estavam recolhidos no sistema prisional. Durante a operação, foram apreendidos valores em dinheiro e um veículo.
A ação marca a etapa final de uma investigação que durou dois anos e que apurou a atuação de um grupo criminoso ligado ao tráfico de drogas na Zona Sul da Capital, com envolvimento em homicídios e em esquemas de lavagem de dinheiro. Segundo a apuração, o grupo utilizava a aquisição de bens imóveis e móveis, além de investimentos em empresa de recolhimento de sucatas e em franquia de alimentos, para dar aparência lícita aos valores obtidos com atividades criminosas.
De acordo com a Polícia Civil, mesmo após ações anteriores, os investigados continuaram atuando no tráfico de drogas e mantendo os mecanismos de lavagem de dinheiro. A primeira ofensiva contra o grupo foi a Operação Riciclaggio, quando foram apreendidos seis automóveis, alguns de luxo, dois fuzis, três pistolas e cerca de R$ 70 mil em espécie. Posteriormente, a investigação avançou para a Operação Renovatio, deflagrada a partir das informações obtidas na fase inicial, em novembro de 2024. Nessa etapa, foram apreendidos aproximadamente R$ 34 mil em dinheiro, além de celulares, um drone, joias e três veículos.
Durante o curso das investigações, a área de atuação do grupo foi cenário de um homicídio ocorrido em 29 de março de 2025, cuja apuração foi encaminhada à 6ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (6ª DHPP). As circunstâncias do crime e o modo de agir indicaram possível participação da própria facção criminosa.
A apuração também identificou movimentações financeiras suspeitas realizadas entre dezembro de 2021 e 2025, que somam um montante superior a R$ 10 milhões. Além disso, foi constatada a compra e o fornecimento de telefones celulares para integrantes do grupo que estavam presos. Um dos investigados adquiriu mais de 20 aparelhos em uma loja de um shopping da Capital, que foram enviados a uma penitenciária para permitir a comunicação dos detentos com o exterior e a continuidade das atividades criminosas. Um dos mandados de busca e apreensão da Operação Renovatio foi cumprido em uma cela, onde esses aparelhos foram localizados.
Outro ponto identificado pela investigação envolve transações consideradas atípicas entre uma grande empresa que compra produtos para reciclagem e os investigados, que atuariam como fornecedores desse material e receberiam pagamentos por meio da aquisição de bens móveis feitos diretamente pela empresa. Há ainda outras pessoas jurídicas sob investigação por suspeita de participação no processo de dar aparência lícita ao dinheiro de origem criminosa.
Conforme o DHPP, a operação faz parte da estratégia de enfrentamento aos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) e busca atingir a estrutura financeira do grupo. A avaliação é de que a repressão à lavagem de dinheiro tem como objetivo enfraquecer o poder econômico das organizações criminosas e reduzir sua capacidade de financiar crimes, incluindo homicídios.