Com a chegada das altas temperaturas, cresce também a procura por rios, açudes, piscinas e outros locais para banho. O período, que deveria ser de lazer e descanso, acaba se tornando um dos mais críticos do ano em relação aos afogamentos. O alerta é do Corpo de Bombeiros de Bento Gonçalves, que reforça a importância da prevenção para evitar tragédias.
Segundo o soldado Guilherme Fernandes, a maior parte dos atendimentos no Rio Grande do Sul ocorre em ambientes de água doce, como rios, arroios, barragens, açudes e lagoas. Piscinas residenciais também figuram entre os cenários mais comuns, especialmente aquelas que não contam com cercas ou sistemas de proteção adequados. “Os meses mais quentes, principalmente primavera e verão, concentram o maior número de ocorrências, assim como feriados prolongados e finais de semana”, destaca.

Entre as principais vítimas estão as crianças. Conforme o bombeiro, muitos acidentes acontecem em poucos segundos de descuido. “Nunca se deve deixá-las sozinhas perto da água, nem por um instante. A supervisão precisa ser constante”, alerta. Medidas simples, como cercas e portões em piscinas, além do cuidado com brinquedos infláveis e a orientação desde cedo sobre segurança aquática, podem salvar vidas.
Cuidados necessários
Outro ponto crítico ressaltado pelo Corpo de Bombeiros é o risco de resgates feitos sem preparo. “A tentativa de salvar alguém entrando na água, sem treinamento, pode resultar em duas vítimas. A pessoa em afogamento entra em pânico, se debate e pode puxar quem tenta ajudar”, explica Fernandes.
Ao presenciar uma situação de afogamento, a orientação é clara: não entrar na água se não tiver capacitação. O correto é chamar ajuda imediatamente, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e, se possível, tentar auxiliar de fora, utilizando objetos como cordas, galhos, boias ou toalhas, sempre mantendo uma distância segura.
Indícios de alerta
O soldado também chama atenção para o fato de que o afogamento é silencioso e muitas vezes passa despercebido. Entre os sinais de risco estão a dificuldade para manter a cabeça fora da água, movimentos desordenados dos braços, corpo na posição vertical sem deslocamento e tentativas de respirar com a boca aberta. No caso das crianças, o silêncio excessivo dentro da água também pode indicar perigo.
A prevenção, conforme o Corpo de Bombeiros, passa por atitudes simples, mas fundamentais: supervisão constante, respeito às orientações de segurança, evitar o consumo de álcool antes do banho, não nadar em locais desconhecidos, usar coletes salva-vidas em embarcações e investir em educação e conscientização.
Caso a vítima seja retirada da água, os primeiros cuidados incluem verificar se ela respira, iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP) se houver conhecimento técnico, mantê-la aquecida, não oferecer líquidos e acionar imediatamente o socorro pelo 193 ou pelo 192, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Ao deixar uma mensagem à população, Guilherme Fernandes reforça o alerta: “O afogamento é rápido, e pode acontecer em qualquer lugar. Um descuido de poucos segundos pode causar uma tragédia. A melhor forma de salvar vidas é a prevenção. Respeite a água, cuide das crianças e, em caso de emergência, ligue para os serviços competentes”, finaliza.