Conquistando primeiro lugar no vestibular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e segundo colocado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para o curso de Engenharia de Energia, aos poucos, o nome de Bernardo Caleffi Vanin passou a circular com destaque entre os melhores desempenhos acadêmicos recentes no Estado. As colocações expressivas nos vestibulares são resultado de uma trajetória marcada por dedicação, incentivo familiar, apoio escolar e conquistas que vão além da sala de aula.
Segundo Vanin, a notícia das aprovações superou qualquer expectativa. “Quando fiz a prova do vestibular, eu tinha minhas dúvidas a respeito da aprovação, então foi muito gratificante receber a notícia que havia passado com uma colocação excelente, já que o resultado superou as minhas expectativas e foi além do que eu imaginava”, relata. Segundo ele, o momento serviu como confirmação de que o esforço contínuo ao longo do Ensino Médio, aliado a cursos complementares, havia valido a pena.
Com facilidade para aprender conteúdos diversos, principalmente da área de exatas, Vanin encontrou um método próprio para consolidar o aprendizado: compartilhar conhecimento. “Sempre procurei auxiliar os colegas com dúvidas e discutir com outros estudantes sobre as minhas dificuldades. Desse modo, ao conversar e debater sobre o objeto de estudo, eu era capaz de aprender e memorizar os conhecimentos transmitidos em aula”, explica.

Apoios
O Colégio Marista Nossa Senhora Aparecida teve papel central em sua formação acadêmica e pessoal. Segundo ele, a instituição proporcionou experiências com profissionais de diferentes áreas, além de testes vocacionais que ajudaram a direcionar a escolha pela engenharia. “Desde o ensino fundamental, eu tinha mais aptidão com matérias que envolvem cálculos e raciocínio lógico, como matemática e física, que são alguns dos principais pilares da engenharia”, afirma.
O incentivo à participação em olimpíadas científicas também foi determinante. No início do Ensino Médio, Vanin foi estimulado por um professor de física a competir, embora inicialmente não acreditasse em seu potencial. A mudança veio com o apoio da família, que o incentivou a enxergar o valor dessas experiências. O resultado foi uma trajetória de sucesso na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA): medalha de prata em 2024 e, no ano seguinte, medalha de ouro com nota máxima. “Nesse momento, percebi que todos os que acreditaram no meu potencial estavam certos, e que eu poderia ir muito além daquilo que eu mesmo acreditava, então decidi que faria mais uma vez no ano seguinte, a fim de melhorar ainda mais o resultado. Em 2025, no terceirão, a escola informou que participaria da olimpíada 15 dias antes de sua realização, e que a prova da OBA seria realizada concomitantemente à outra prova da escola. Mesmo assim, me dediquei ao máximo e não obtive apenas a medalha de ouro, mas também a nota máxima da prova. Logo que recebi a notícia, fiquei muito feliz, agradeci à minha família, à minha namorada e aos meus professores pelo apoio, em especial ao professor Robson, que acreditou no meu potencial antes mesmo de mim”, salienta.

Novas aquisições de conhecimento
A vivência em olimpíadas científicas também mudou sua percepção sobre o aprendizado. Conteúdos antes vistos como obrigatórios passaram a ter sentido prático. “Muitas vezes, não tinha noção da amplitude na aplicação prática. Porém, depois de realizar a prova, notei que o real valor dos conteúdos ensinados está não só no conhecimento, mas também na capacidade de aprimorar as nossas habilidades como raciocínio lógico, interpretação e análise crítica”, destaca.
Possibilidade de escolha
Entre as diversas possibilidades de carreira, a Engenharia de Energia se destacou por unir interesses antigos e perspectivas futuras. “As matérias sobre fontes de energia e elétrica sempre despertaram minha curiosidade no período escolar, então quando procurei as possibilidades de estudo em uma universidade, me deparei com esse curso, que engloba matérias e assuntos que sempre tive um certo interesse em aprender. Ademais, acredito que o mercado das energias é bastante promissor, visto que a eletricidade se tornou indispensável no cotidiano devido aos avanços tecnológicos da humanidade, e ainda existem várias perspectivas e inovações acerca dessa área a serem exploradas”, projeta.
Diferentes experiências
Durante o Ensino Médio, Vanin também buscou maneiras variadas de cursar o ensino superior, entre elas, estudar fora do Brasil. “Com essa ideia, decidi participar de um projeto chamado “Way American School”, que consiste em realizar o ensino médio americano de modo virtual, enquanto concluo o curso presencialmente no Brasil. Esse cenário me permitiu obter o certificado de conclusão do segundo grau em ambas as nacionalidades. No momento pretendo permanecer aqui no país, mas posteriormente gostaria de fazer uma pós-graduação ou algum outro curso no exterior”, conta o estudante.
Vanin pretende focar nas universidades gaúchas, mas não descarta as possibilidades. “Pretendo cursar a faculdade aqui no Rio Grande do Sul, já que as locais fornecem recursos amplos e um ensino de qualidade, mas se tiver condições, pretendo ir estudar em outros lugares fora do país, como os Estados Unidos e a Europa. Por enquanto, a distância da família é um fator que me assusta um pouco, mas sei que não será suficiente para me impedir de buscar a melhor qualidade de ensino e pesquisa que eu puder encontrar”, avalia.
Trajetória
Mesmo diante de tantas conquistas em pouco tempo, Vanin afirma lidar bem com a pressão. “Costumo ser relativamente calmo em relação às expectativas e à pressão externa, visto que consigo focar no meu objetivo antes de realizar uma prova importante sem me desviar em função do nervosismo. Contudo, ao conversar com amigos e outras pessoas, noto que o estresse e a ansiedade gerados pelas expectativas externas, frequentemente, prejudicam o bem-estar emocional e o rendimento acadêmico dos estudantes”, destaca.
O equilíbrio entre estudos, esporte e vida pessoal é outro pilar de sua trajetória. Faixa preta em taekwondo após sete anos de dedicação, o prodígio atualmente compete no Downhill (modalidade do ciclismo), e integra a Associação Downhill do Vinho (ADHV), destaque no ranking gaúcho. “Com o esporte aprendi a me concentrar e manter o foco em momentos de tensão”, resume.
Para outros estudantes que almejam resultados semelhantes, o conselho é claro: cuidar da saúde mental e física, valorizar o conhecimento e reconhecer quem acredita no seu potencial. No futuro, o jovem se vê atuando em projetos científicos e tecnológicos voltados à área de energia, com o objetivo de contribuir para um mundo mais sustentável e tecnológico.