O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado globalmente, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 13, pelo observatório climático da União Europeia, o Copernicus Climate Change Service. As informações constam no relatório Global Climate Highlights 2025.
De acordo com o levantamento, a temperatura média global em 2025 atingiu 14,97 °C, ficando 1,47 °C acima do nível pré-industrial, referente ao período entre 1850 e 1900. O resultado ficou apenas 0,01 °C abaixo do registrado em 2023 e 0,13 °C inferior a 2024, que permanece como o ano mais quente da série histórica.
O relatório traz um marco inédito ao apontar que a média de temperatura dos últimos três anos — 2023, 2024 e 2025 — ultrapassou 1,5 °C acima do nível pré-industrial. É a primeira vez que isso ocorre desde o início das medições modernas.
O patamar de 1,5 °C representa o limite mais ambicioso estabelecido pelo Acordo de Paris, firmado em 2015, com o objetivo de conter os impactos mais severos da mudança climática global. Segundo os cientistas, embora o acordo se refira a um aquecimento de longo prazo, e não a médias de curto período, os dados indicam que o planeta está se aproximando desse cenário mais rapidamente do que o previsto.
O estudo também aponta que os últimos 11 anos foram os 11 mais quentes da história, reforçando uma tendência contínua de aquecimento global.
“Este relatório confirma que a Europa e o mundo vivem a década mais quente já registrada. Preparação e prevenção ainda são possíveis, mas apenas se a ação for guiada por evidências científicas robustas”, afirmou Florian Pappenberger, diretor-geral do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), instituição responsável pela operação do serviço climático do Copernicus.
Em 2025, as altas temperaturas foram observadas em diversas regiões do planeta. Janeiro foi o mês mais quente já registrado, e quase todos os meses do ano ficaram acima das médias observadas antes de 2023. Apenas fevereiro e dezembro não seguiram esse padrão.
Nos trópicos, as temperaturas do ar e da superfície do mar foram menos extremas do que em 2023 e 2024, em parte devido à neutralidade ou à atuação de uma La Niña fraca no oceano Pacífico. Ainda assim, os valores permaneceram acima da média histórica em várias áreas.
Nos polos, o cenário foi mais severo. A Antártida registrou o ano mais quente da série histórica, enquanto o Ártico teve o segundo ano mais quente, com perdas expressivas de gelo marinho. Em fevereiro, a extensão combinada do gelo do Ártico e da Antártida atingiu o menor nível já observado desde o início dos registros por satélite, no fim da década de 1970.
Na Europa, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado. A temperatura média no continente chegou a 10,41 °C, cerca de 1,17 °C acima da média do período entre 1991 e 2020. Março se destacou como o mês mais quente do ano, superando em 2,41 °C a média histórica.
Segundo os especialistas, o aquecimento observado nos últimos anos é explicado principalmente pelo aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa associados à atividade humana e pelas temperaturas recordes da superfície dos oceanos, influenciadas por fenômenos como o El Niño e outras variabilidades oceânicas.
O relatório indica ainda que metade das áreas terrestres do planeta registrou, em 2025, mais dias do que a média com estresse térmico intenso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o calor extremo é atualmente a principal causa de mortes relacionadas ao clima.
As temperaturas elevadas, somadas a períodos de seca e ventos fortes, favoreceram incêndios florestais de grandes proporções, especialmente na Europa, que registrou as maiores emissões anuais por queimadas já observadas. O ano também foi marcado por ondas de calor recordes, tempestades severas e outros eventos extremos na Europa, Ásia e América do Norte.
“O fato de os últimos 11 anos serem os mais quentes já registrados deixa evidente a trajetória rumo a um clima cada vez mais quente. A questão agora é como lidar com esse excesso inevitável e com seus impactos sobre a sociedade e os ecossistemas”, afirmou Carlo Buontempo, diretor do serviço climático do Copernicus.
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