A situação que afeta milhões de pessoas globalmente representa um dos desconfortos oculares mais comuns e, frequentemente, subestimados

Caracterizada por um processo inflamatório na região de nascimento dos cílios, a condição exige atenção constante e um controle disciplinado por parte dos pacientes, conforme alerta o oftalmologista Gino Del Ben. Ele explica que a inflamação provoca uma série de sintomas que, pela sua natureza sutil no início, podem levar à confusão com manifestações mais leves. Segundo o médico, a blefarite causa vermelhidão, coceira, sensação de areia nos olhos e a formação de crostas. Por ser um quadro muito frequente, é comum que a condição seja confundida com alergia ou cansaço.

O diagnóstico preciso, contudo, é fundamental, visto que o desconforto se intensifica e se manifesta através de sinais como ardência, lacrimejamento, irritação constante e sensibilidade à luz. Em cenários onde a inflamação progride ou se torna mais intensa, Del Ben aponta que pode haver inchaço e queda de cílios, afetando diretamente a estética e a proteção ocular.

Causas e fatores de agravamento
A origem primária da blefarite reside, na maioria dos casos, em uma disfunção das glândulas localizadas nas pálpebras. No entanto, a manifestação e a intensidade dos sintomas estão fortemente ligadas a outros fatores dermatológicos e de higiene.

O oftalmologista detalha que o quadro inflamatório pode ser significativamente agravado por condições da pele, como oleosidade excessiva, dermatite seborreica e rosácea. Além disso, hábitos de rotina, como alergias e, notadamente, a má higiene da maquiagem na região ocular, atuam como potencializadores da inflamação. Estes fatores contribuem para a obstrução e o mau funcionamento das glândulas, perpetuando o ciclo da inflamação.

Tratamento focado no manejo crônico
O oftalmologista enfatiza que, por ser uma condição crônica, o foco do tratamento da blefarite não é a cura definitiva, mas sim um controle eficaz e contínuo. “O pilar de sustentação para o manejo da blefarite é a higiene diária e meticulosa das pálpebras”, esclarece.

Essa rotina de cuidados inclui a aplicação de compressas mornas e a limpeza dedicada dos cílios, visando remover as secreções e as crostas que se formam na região. Del Ben ressalta que essa abordagem preventiva e de limpeza é crucial para aliviar os sintomas e evitar que a inflamação se agrave.

Para quadros clínicos que não respondem satisfatoriamente apenas à higiene, o oftalmologista indica a intervenção farmacológica. “Em alguns casos, usamos colírios ou pomadas específicas”, explica Del Ben, destacando que, mesmo sem uma cura, o controle e muito eficaz.

Busca por atendimento especializado
Apesar da alta prevalência da blefarite, Del Ben adverte que a persistência ou o agravamento dos sintomas exige a avaliação de um oftalmologista. É fundamental buscar o atendimento especializado quando a irritação na região ocular persiste por vários dias, quando há uma presença notável de crostas nos cílios, ou quando o desconforto provocado pela inflamação começa a prejudicar as atividades do dia a dia do paciente. Del Ben Finaliza com um alerta claro: “Quanto antes tratar, melhor o resultado”, conclui.