Esse caso o paciente faz uso do EPI

O incômodo, que se manifesta com dor, vermelhidão e inchaço, possui causas diversas e demanda atenção profissional para evitar complicações. A podóloga Tatiane Zuffo detalha os fatores que levam ao surgimento da condição e explica a importância do cuidado preventivo, ressaltando que a maior parte dos casos pode ser resolvida sem a necessidade de intervenção cirúrgica.
O aparecimento de unhas encravadas, segundo a podóloga, decorre de uma combinação de fatores. “Tipo de pisada, corte incorreto das lâminas ungueais (unhas), uso de calçados apertados e até predisposição genética”, explica.
Contudo, a especialista aponta um perfil de pacientes que exige atenção redobrada. Pessoas que utilizam calçados muito justos, salto alto ou equipamentos de Proteção Individual (EPIs) rígidos apresentam uma chance maior de desenvolver alterações nas unhas, embora os atletas também sofram frequentemente lesões devido ao impacto constante nos pés. Tatiana aponta que a maior incidência de inflamações em consultório ocorre em pacientes que manipulam as próprias unhas em casa, muitas vezes agravando uma situação inicial.
O que parece ser uma unha encravada, alerta Tatiane, pode ser um excesso de onicofose, as peles ao lado da unha. “Ao tentar removê-las em casa, o paciente frequentemente machuca a área, criando um problema ainda maior”, adverte. A podóloga reforça que o método de tratamento depende invariavelmente da avaliação profissional. “Com o cuidado profissional correto, grande parte dos casos pode ser resolvida sem procedimentos invasivos.”

Caso de um bebê, 40 dias, com problema genético


A intervenção cirúrgica torna-se inevitável apenas em cenários específicos. “A cirurgia é indicada quando o paciente desenvolve granulomas, processo infeccioso, recorrente, mesmo após diversas tentativas de tratamento conservador com o podólogo”, afirma. Nestes casos, a cantoplastia (processo que remove a parte lateral da unha e destrói a raiz nessa área para impedir que ela volte a crescer para dentro da pele, aliviando dor, inflamação e infecções), realizada por um médico, é o procedimento recomendado. No entanto, mesmo após a cirurgia, Tatiane ressalta que o acompanhamento podológico é indispensável para garantir que a unha cresça corretamente e sem novas intercorrências. “O tempo de recuperação após qualquer tratamento varia significativamente, conforme a gravidade. Alguns pacientes se recuperam em cerca de 30 a 40 dias, enquanto em outros a cicatrização pode levar de 12 a 14 meses, que é o tempo médio para a unha crescer totalmente da raiz à ponta”, esclarece.
Após a cirurgia, o paciente deve seguir rigorosamente as orientações do profissional, realizando os curativos corretamente, mantendo a área higienizada e evitando calçados fechados, principalmente nos três primeiros dias, e, se possível, durante a fase inicial de cicatrização.

Corte correto, calçado adequado e prevenção

Neste caso, devido ao corte incorreto e às tentativas de mexer em casa, acabou precisando de intervenção

A prevenção é a chave para evitar a dor e as complicações. Tatiane enfatiza que a atenção deve começar nos hábitos diários. “Evitar cortes muito curtos, respeitar a anatomia da unha e manter acompanhamento preventivo com o podólogo são essenciais para a prevenção”, afirma.
O tipo de calçado, pontua a podóloga, exerce influência direta na saúde dos pés. O ideal é o conforto. Uma dica prática oferecida pela especialista é remover a palmilha e pisar sobre ela: se o pé ultrapassar as bordas, o calçado não é adequado. Para quem trabalha longas horas em pé ou usa EPIs, a orientação é optar por meias de algodão, que absorvem melhor a transpiração, e evitar materiais acrílicos.
Tatiane também esclarece um dos mitos mais recorrentes sobre o tema. “Um dos mais comuns é dizer que ‘a unha precisa respirar’. A unha não respira, mas é importante deixá-la sem esmalte, especialmente no inverno, e ventilar os pés sempre que possível”, explica. Além disso, a unha precisa de hidratação, assim como pele e cabelo, pois também é composta de queratina.
Em relação à infecção, a evolução do processo inflamatório é rápida; em apenas dois dias, podem surgir sinais importantes e dor intensa. Tatiane alerta que pacientes com diabetes merecem atenção especial, pois a inflamação pode ser mais perigosa e a cicatrização, mais lenta.
A podóloga orienta que o paciente procure o profissional sempre que houver desconforto, vermelhidão, dor ou sensação de calor na região. “Mas o ideal é manter um acompanhamento preventivo, antes que a inflamação se instale”, orienta.
Para quem sofre com o problema recorrentemente, a mensagem de Tatiane é um chamado ao autocuidado: “Procure uma profissional de confiança, faça acompanhamento mensal e siga as orientações recebidas. Cuide dos seus pés, eles sustentam o seu peso todos os dias e te levam a todos os lugares. Nosso corpo é uma máquina, e os pés são responsáveis por carregar essa máquina”, finaliza.