A inteligência artificial (IA) vem transformando profundamente a medicina, inaugurando uma fase em que tecnologia e cuidado à saúde caminham lado a lado. Do diagnóstico precoce ao desenvolvimento de novos medicamentos, passando pelo monitoramento remoto de pacientes e pela análise avançada de exames, a IA amplia a capacidade dos profissionais, tornando processos mais precisos, ágeis e personalizados. Mais do que substituir tarefas, ela funciona como uma aliada estratégica, capaz de interpretar grandes volumes de dados, identificar padrões invisíveis ao olho humano e apoiar decisões clínicas complexas. À medida que evolui, a IA promete não apenas otimizar tratamentos, mas também tornar a atenção à saúde mais preventiva, eficiente e acessível, redesenhando o futuro da medicina.
De acordo com o médico cirurgião geral e urologista e presidente da Associação Médica de Bento Gonçalves (AMEB), Nury Jafar Abboud Filho, a entidade entende que a IA é uma aliada importante. “Isso desde que utilizada de forma responsável e sempre sob supervisão médica”, afirma.
Filho destaca que a utilização da IA traz inúmeros benefícios para a medicina. “Aumenta a precisão do diagnóstico, utiliza análises, reduz erros e organiza informações de forma mais eficiente. Em contrapartida, há riscos éticos relevantes, como falhas de algoritmos, vieses ocultos, mau uso de dados sensíveis e decisões automatizadas sem revisão médica”, menciona o presidente.
Código de ética
O presidente conta que embora o código traga bases importantes, a velocidade das inovações exige atualizações constantes. “Por isso, a AMEB defende que temas como ética da IA, responsabilidade digital e limites da automação sejam incluídos na formação e na educação continuada dos médicos”, aponta.
Para ele, é essencial que o médico use a IA apenas como apoio ao raciocínio clínico. “A decisão final deve sempre ser tomada pelo médico, conforme orienta o Código de Ética. Capacitação, regulamentação e transparência das ferramentas são essenciais para isso”, destaca.
A possibilidade de a inteligência artificial comprometer a autonomia clínica dos profissionais de saúde tem gerado debates entre especialistas. “A autonomia só é preservada quando o médico domina a tecnologia e entende claramente seus limites. O risco surge quando decisões automatizadas são adotadas sem o devido senso crítico”, esclarece.
Regulamentação
A regulamentação da inteligência artificial na saúde ainda é um desafio no Brasil, especialmente diante da rápida evolução das tecnologias aplicadas ao setor. De acordo com o presidente: “É necessário avançar na certificação de softwares médicos, auditoria de algoritmos, definição de responsabilidades em caso de falhas, proteção rigorosa de dados e critérios mínimos de segurança tecnológica. A regulamentação precisa acompanhar a evolução da área”, destaca.
Uso
A incorporação de novas tecnologias na saúde não precisa significar a perda da humanização no atendimento. “Quando bem utilizada, a tecnologia libera o médico de tarefas burocráticas, permitindo mais tempo para a escuta e para o vínculo com o paciente”, esclarece. Para ele, o uso responsável das ferramentas digitais pode justamente aproximar profissional e paciente, desde que a tecnologia seja tratada como apoio, e não como substituta da relação humana.
AMEB
A Associação tem se dedicado a orientar os profissionais sobre o uso ético e responsável da inteligência artificial na prática clínica. “A AMEB vem ampliando suas iniciativas com palestras, debates científicos, notas orientativas e incentivo à atualização profissional, preparando os médicos da região para o cenário tecnológico em expansão. A entidade também está preparando um programa de educação continuada em inteligência artificial para o próximo ano, reforçando seu compromisso com a formação atualizada dos profissionais”, destaca.
A AMEB enxerga um futuro promissor para a integração da inteligência artificial na rotina da saúde. Segundo o presidente da entidade: “A AMEB acredita que a IA poderá aprimorar diagnósticos, agilizar fluxos e melhorar o acompanhamento de pacientes. A entidade continuará apoiando a capacitação médica e acompanhando de perto o desenvolvimento das novas tecnologias”, menciona.
Encerrando sua avaliação sobre o avanço da inteligência artificial na área da saúde, a AMEB destaca que a integração tecnológica precisa estar ancorada em princípios éticos e no compromisso com o cuidado humano. A entidade reforça que a inovação deve ampliar a capacidade de diagnóstico, aprimorar fluxos e fortalecer a prática clínica, sem romper a relação médico-paciente. “A tecnologia deve servir à vida e ao cuidado. Com ética, conhecimento e responsabilidade, a inteligência artificial será uma aliada poderosa, capaz de fortalecer a medicina sem substituir o vínculo humano que caracteriza o verdadeiro atendimento em saúde”, finaliza Filho.