Tão curtos que a gente piscou em março, quando viu já era agosto e, agora, já está de novo discutindo se arroz com passas vai ou não integrar o cardápio da ceia de Natal. 2025 foi aquele ano que, mais uma vez, passou rápido demais, embora todo mundo esteja aguardando ansiosamente pelas férias, cansado.
Mais um ano que a guerra entre Rússia e Ucrânia persistia, como aquela briga de família que ninguém lembra exatamente como começou, mas ninguém quer dar o braço a torcer para terminar.
Em Gaza, a crise humanitária seguiu tão brutal que escancarou de novo a capacidade humana de destruir… e entre o caos do mundo e das notícias tristes e a promoção do supermercado, vamos sobrevivendo.
No meio disso tudo, a Igreja Católica também virou página de história: o Papa Francisco faleceu e o cardeal Robert Prevost virou Papa Leão XIV.
Como se não bastasse, a terra resolveu lembrar que quem manda é ela. Terremotos no Sudeste Asiático, cidades destruídas no Sul do país, gente recomeçando do nada. A natureza, aliás, fez questão de dar o ar da graça globalmente: tempestades, tornados, chuvas devastadoras, ventos avassaladores. No Brasil, a cada alerta de tempestade severa da Defesa Civil, alguém já separava a vela e o coração, na angústia, torcendo para que fosse um alarme falso.
No nosso quintal político, a novela em Brasília seguiu firme. Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado relacionada aos atos de 8 de janeiro, com pena de 27 anos. Metade do país comemorou, a outra metade protestou, e o grupo do zap da família virou campo de batalha pela democracia.
Nas escolas, chegou a famosa lei: proibição de celulares. Em janeiro, o Brasil inteiro descobriu que tirar o celular da mão de adolescente foi necessário virar Lei, já que muitos pais não conseguem fazê-lo sozinhos. Teve estudante dizendo que sem celular não dava para viver, e professor descobrindo que, sem o estudante no celular, a aula tinha chance de voltar a ser interessante e, no recreio, as pessoas voltaram a ser criança, a brincar, jogar bola e, conversar! A grande reflexão é que, entre foco, atenção e saúde mental, talvez a gente esteja, aos trancos e barrancos, tentando ensinar uma geração a olhar para o mundo que existe além da tela. E quem sabe nós, adultos, aprendamos junto.
No Rio de Janeiro, o noticiário trouxe a maior operação letal contra o tráfico de drogas nos morros, com 122 mortos.
Na economia, o segundo semestre parecia aquele boleto que nunca chega sozinho: juros altos, inflação teimosa, investimentos travados. E, ao mesmo tempo, alguns indicadores melhorando – queda do desemprego, aumento da expectativa de vida. O Brasil é assim: o caos e a esperança andando de mãos dadas, tropeçando, mas andando.
E nós? No meio de guerra, Papa novo, terremotos, crise climática, lei do celular, condenação de ex-presidente, operação no Rio, juros nas alturas e boletos na caixa de entrada… a gente continuou acordando cedo, reclamando do trânsito, mandando mensagem perguntando “o que vamos comer hoje?”. Porque a vida, no fim das contas, se esconde nesses detalhes pequenos que o jornal não noticia.
Se 2025 ensinou alguma coisa, talvez tenha sido isso: o mundo pegando fogo e nós tentando manter acesa uma outra chama: a de continuar acreditando que vale a pena. Vale a pena educar, cuidar, ligar para quem a gente ama, separar o lixo, votar, se informar, desligar o celular de vez em quando, rir do cotidiano e chorar quando for preciso.
Os dias foram longos, exaustivos, cheios de notícia ruim, fila, tarefa, meta, reunião e alerta de chuva forte. Mas o ano… o ano passou voando. De novo.
E talvez a grande pegadinha do tempo seja essa: enquanto a gente pensa se 2025 foi bom ou ruim, ele já está indo embora, com aquele jeito apressado de quem diz:
— Te vira aí, que 2026 está batendo na porta.
E a gente, meio cansado, meio esperançoso, responde:
— Tá bom, 2025. Foi intenso. Aprendi, tropecei, ri, me assustei com o noticiário, briguei com o despertador. Agora vai… mas vai sabendo que eu ainda estou tentando descobrir como é que se vive devagar em um mundo que só sabe correr.