Nosso Brasil Brasileiro é pródigo em encontrar alternativas para ir deixando os amigos dos amigos do poder para depois e, na maioria das vezes, sobra para nós todos, o povo, pagarmos a conta.
Falo tanto de roubos por corrupção que assolaram o país tempo afora, escândalos financeiros em empresas que tinham atividades públicas (tanto na bolsa de valores como junto a governos) como, e principalmente, junto a bancos.
Recentemente, comentei aqui nesse espaço que estavam colocando a fraude do INSS embaixo do tapete. Colocaram. Se não fosse a CPMI com articulação unicamente de partidos de oposição, ninguém mais falava nisso e, mesmo na CPMI, o que se vê é que há deputados e senadores da situação querendo (e conseguindo) blindar muita gente para não depor ou, quando depõem, conseguem habeas corpus para poder ficar calado. A quem interessa isso?

Relembro alguns escândalos financeiros muito volumosos em nosso país:
- Caso Banestado (final da década de 1990 e início dos anos 2000): considerado um dos maiores escândalos financeiros do país, envolveu a evasão de bilhões de dólares do Brasil para contas no exterior, envolvendo também a Lava Jato depois.
- Banco Nacional (1995): Um dos maiores bancos privados do país na época, o Banco Nacional sofreu intervenção do Banco Central devido a um rombo contábil bilionário, estimado em mais de R$ 5 bilhões.
- Bamerindus (1997): após forte deterioração financeira e perda de liquidez, o banco paranaense Bamerindus quebrou e foi liquidado, gerando um dos maiores resgates financeiros do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na época.
- Banco Econômico (1995): este caso marcou a intervenção do Banco Central no que foi, à época, o maior rombo da história do sistema financeiro nacional, com dívidas que levaram o Estado da Bahia a ter que pagar o débito por anos.
- Coroa-Brastel (início dos anos 1980): no início do período, em 1983, o grupo sofreu intervenção do BC por emitir letras de câmbio “frias” (não contabilizadas), sem garantias reais.
- Banco Santos (2005): maquiagem contábil e intervenção federal: foi alvo de intervenção do Banco Central em novembro de 2004, após a constatação de patrimônio líquido negativo em cerca de R$ 700 milhões, maquiagem de balanços e descumprimento de regras prudenciais.
- Cruzeiro do Sul (2012): Fraudes e liquidação extrajudicial: o Banco Cruzeiro do Sul foi liquidado após a descoberta de manipulações contábeis e descumprimento de normas regulatórias. O rombo foi contabilizado em mais de R$ 2,2 bilhões.
- Banco BVA (2013): promessas de rentabilidade e prejuízo de R$ 1,2 bilhão: voltado ao crédito corporativo e à gestão de recursos, o BVA entrou em colapso após irregularidades contábeis e má gestão de riscos. O FGC pagou cerca de R$ 1,2 bilhão a 5 mil investidores, principalmente em CDBs e LCIs.
Fala-se, agora, no BANCO MASTER num rombo de R$ 41 bilhões que o FGC (fundo garantidor de crédito) terá que cobrir aos 1,6 milhões de investidores que tem até R$ 250 mil. Só até os R$ 250 mil. Acima disso, se foi. O FGC tem R$ 122 bilhões, ou seja, 33% do fundo terá que ser usado somente para suprir o rombo do banco Master. E nem falo nas Americanas com
Você já imaginou se um banco maior quebra? Esse FGC é muito pequeno para todo o sistema financeiro no Brasil. Isso é muito preocupante para quem tem recursos junto a bancos porque, além de garantir somente R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, respeitado o teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos, se um banco maior que o Master quebrar, será terrível aos poupadores ou investidores e um colapso no Brasil. Isso é preocupante E NINGUÉM FALA DISSO pois já tivemos um CONFISCO em 1990 (junto ao Plano Collor) que gerou pânico e desespero na população. Só lembrar é um desespero.
Sinto que estão querendo colocar mais essa fraude embaixo do tapete. Já estão conseguindo pois a imprensa pouco ou nada mais fala. Esperemos para ver os desdobramentos e espero que isso não aconteça. Considerando nosso passado, poucas chances dos grandes nomes envolvidos serem responsabilizados. Políticos grandes então, quase impossível.
Pense nisso e se cuide.