Apesar de relatos de moradores sobre furtos frequentes e arrombamentos de veículos, especialmente no bairro Planalto, o Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (CONSEPRO) de Bento Gonçalves afirma que os dados gerais de segurança no município mostram um cenário positivo em comparação com anos anteriores. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Piccoli Carvalho, números recentes apresentados em reunião com a Brigada Militar indicam queda significativa em homicídios e roubos. “A gente viu um número que agrada, na contramão da percepção de aumento. Os roubos a pedestre diminuíram bastante, e isso é fruto do trabalho firme da Guarda Civil Municipal, da Brigada Militar e da Polícia Civil”, declara. Roubo a pedestre teve 34 casos nos 10 primeiros meses do ano passado e 28 neste, uma redução de 18%.
Aumento de furtos de veículos e caso isolado
Por outro lado, o presidente reconhece que os furtos de veículos cresceram 17% em relação ao ano passado, conforme dados apresentados. Um único indivíduo, segundo ele, foi responsável por cerca de 20 desses furtos antes de ser preso numa ação conjunta. “Foi uma anormalidade. Ele furtava veículos para se deslocar de um lugar para outro. A maioria foi recuperada. Depois dessa prisão, estabilizou”, reforça.

Falhas na segurança?
Questionado sobre pontos na segurança pública, Piccoli evita críticas diretas. “Todos os olhares estão atentos a todos os cantos da cidade. O trabalho de investigação, atuação preventiva e resposta é muito bem feito. A GCM precisa ser muito reconhecida também”, afirma.
Ele destaca que, dentro do que compete ao Consepro, não há queixas em relação aos órgãos de segurança. “Melhorias sempre podem existir, mas somos muito bem atendidos em tudo”, diz.
Resultados dos investimentos
O presidente afirma que os investimentos feitos pelo órgão têm impacto direto e perceptível. Entre as ações recentes está a renovação das televisões do videowall do Centro Integrado de Comando, equipamentos instalados em 2017 e que já estavam obsoletos. “Todos os investimentos trazem retorno. Equipamentos, veículos, roupas, tudo é acompanhado e mostra resultado. A troca das TVs era urgente, conversamos com os comandos e partimos para captar recursos”, pondera.
Transparência e relação com a comunidade
Parte da população ainda desconhece o papel do órgão, o que pode gerar dúvidas sobre transparência. O presidente afirma que o conselho é totalmente aberto: “Portas abertas. Quem quiser pode vir, ligar, visitar. A população e os empresários nos ajudam, então a transparência é obrigatória. Sem isso, o Consepro não anda”, destaca.

Além das doações empresariais, a entidade também recebe contribuições voluntárias de quem faz carteira de identidade pelo Posto de Identificação (PI), recurso considerado importante para a manutenção das ações. “Na via da identidade vai aparecer um valor para contribuição, mas apenas quem quiser”, ressalta.
Projetos preventivos com jovens
Piccoli cita iniciativas voltadas à prevenção e educação de crianças e adolescentes, apoiadas indireta ou diretamente pela instituição e pelas forças de segurança.
- Bombeiro Mirim;
- Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD);
- Patrulheiro Ambiental do 3° Batalhão Ambiental da Brigada Militar de Bento Gonçalves (Patram);
- Projetos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), especialmente ligados à educação no trânsito.
Ele destaca que são projetos maravilhosos, que começam cedo e têm impacto enorme no futuro das crianças.
Sensação de insegurança e diálogo com bairros
Embora a entidade não vá diretamente às comunidades, Piccoli diz que escuta relatos e repassa às forças de segurança: “Quando alguém comenta algo conosco, levamos imediatamente aos comandos. Eles analisam e direcionam o olhar para aquele ponto”, revela.
Números altos em estelionatos
Sobre o avanço dos golpes e fraudes, que já passam de mil ocorrências no ano segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, o presidente afirma que acompanha o tema em reuniões, mas não trabalha diretamente com mapeamento. “É debatido e sempre buscamos ajudar no que é possível”, evidencia.
Abordagens da GCM
Perguntado sobre críticas à Guarda Civil Municipal por abordagens no centro, especialmente envolvendo ambulantes, Piccoli rejeita a ideia de preconceito estrutural e afirma que o foco está no cumprimento da lei. “Existe o certo e o errado. Quando a pessoa está correta, não tem o que temer. Muitas vezes quem vê de longe não sabe o que está acontecendo. Para opinar, é preciso entender o contexto”, avalia.
Ele acrescenta que a resistência é o que costuma gerar confronto.
União das forças
Janete Casagrande Sebben, coordenadora administrativa no órgão destaca que a atuação histórica da entidade, somada ao fortalecimento da integração entre as forças de segurança, tem sido decisiva. “Os presidentes e diretorias anteriores construíram essa união. Quando as forças trabalham juntas, o resultado é melhor. Sem a fundação, muitas demandas ficariam esperando o tempo do Estado”, reitera.
O conselho, que presta contas ao Ministério Público das Fundações e recebe visitas regulares do promotor, afirma trabalhar com transparência permanente. “A gente agradece muito a todos que contribuem e acreditam no trabalho. É isso que mantém a segurança avançando”, conclui o presidente.